quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Elvis Presley - Balada Sangrenta

É considerado o melhor filme da carreira de Elvis Presley. De fato é um dos melhores momentos de Elvis em sua carreira como ator. Realmente “King Creole” é cinema de altíssima qualidade. Do roteiro às atuações, do argumento à trilha sonora, tudo é muito bem realizado, caprichado, de primeiríssima linha. Isso era de se esperar, pois se trata de uma direção assinada por Michael Curtiz, o diretor de “Casablanca” e tantos outros clássicos, como os filmes que dirigiu com o astro Errol Flynn na Warner, durante as décadas de 1930 e 1940, por exemplo. Então não é nenhuma surpresa o excelente nível técnico do filme como um todo.

A trama se passa numa New Orleans com muita música no ar, mas também com muita criminalidade pelos becos escuros da cidade. É nesse cenário que vive o jovem Danny Fisher (Elvis Presley). Após a morte de sua mãe em um acidente automobilístico, a outrora família feliz de Danny entra em crise. Seu pai (interpretado pelo ator Dean Jagger), um homem honesto e digno, não consegue mais se firmar em nenhum emprego. Já sua irmã Mimi (Jan Shepard) tenta de alguma forma ajudar em casa, ocupando a posição que era exercida por sua mãe falecida. Uma pessoa que logo se torna o equilíbrio emocional da família Fisher.

O sonho de todos eles é que Danny se forme, construa assim um futuro melhor para si e venha a ter um dia uma profissão que lhe dê segurança e estabilidade na vida. A escola se torna a única esperança de toda a família. E é justamente no último dia de aula, quando está prestes a receber seu diploma, que Danny acaba se envolvendo em uma confusão que irá alterar todo o seu destino. Ele briga com alguns colegas na porta da escola e por isso não consegue mais se formar. Desiludido, decide ir atrás de algum trabalho melhor na Bourbon Street, a principal e mais famosa rua de New Orleans. Cheia de boates e cabarets, a Bourbon é uma opção para quem não tem um diploma como Danny. É lá que Maxie Fields (Walter Matthau) impera, controlando tudo menos a pequena casa noturna chamada “King Creole”, onde Danny acaba encontrando um emprego como cantor fixo. E justamente nesse meio cheio de violência e crimes, disputas e concorrências desleais que Danny irá tentar finalmente abrir os caminhos de sua vida.

“Balada Sangrenta” tem um excelente roteiro que procura desenvolver todos os personagens. Apesar das músicas suavizarem um pouco o clima barra pesada da estória, Michael Curtiz conseguiu manter a densidade dramática dos acontecimentos. O Danny Fisher de Elvis é um cara durão, tenaz, que não aceita desaforos, bem ao contrário de seu pai, que muitas vezes se coloca em situações humilhantes apenas para garantir um suado e minguado salário em um emprego como assistente numa farmácia local. Isso é tudo o que Danny não deseja em seu futuro. Para piorar ele começa a andar com a turma de Shark (Vic Morrow de “Sementes da Violência”). Por falar nisso, o elenco coadjuvante de “Balada Sangrenta” é realmente excepcional.

O personagem de Elvis fica dividido entre o amor inocente e puro de Nellie (interpretada por Dolores Hart, mais uma vez contracenando com Elvis) e a paixão pela desiludida Ronnie (Carolyn Jones), uma garota de boate e amante casual do gangster Maxie. E por falar nesse personagem não deixa de ser muito interessante ver Walter Matthau interpretando um gangster que tenta controlar a tudo e a todos com violência, chantagens e poder econômico. Suas cenas ao lado de Elvis são excelentes. Curiosamente aqui Matthau deixou de lado seus personagens cômicos, em divertidos filmes ao lado de Jack Lemmon, para atuar em uma papel bem sério, diria até mesmo sinistro. Foi uma exceção em sua longa carreira no cinema.

E o Rei do Rock, como se sai com tanta responsabilidade ao ter que atuar no meio de tantos atores talentosos? Muito bem. A crítica da época elogiou Presley por sua capacidade de segurar um filme desse porte! Embora não fosse um ator com formação dramática, não há como deixar de elogiar o cantor em sua caracterização aqui. Obviamente que sua atuação não pode ser comparada aos grandes atores da época, mas dentro de suas possibilidades Elvis se saiu excepcionalmente bem. E ele tem muitas cenas complicadas ao longo do filme, seja sofrendo ao saber que seu pai foi apunhalado, seja tentando transmitir a dor pela perda de uma pessoa querida.

Embora tivesse a opção de realizar o filme em cores, o diretor Michael Curtiz se decidiu pelo Preto e Branco. A decisão foi baseada no próprio enredo do filme que pedia por um clima mais sórdido, noir, sombrio, ideal para o P&B. Outra decisão do diretor foi filmar grande parte do filme nos estúdios da Paramount em Los Angeles. Apenas algumas cenas seriam realizadas em locação na cidade de New Orleans, como a seqüência final no píer. Dentro dos confortáveis estúdios era bem mais fácil controlar as filmagens. Assim uma Bourbon Street foi recriada dentro do estúdio, o mesmo acontecendo com as boates de Maxie Fields e o próprio King Creole.

Em conclusão, “Balada Sangrenta” é um pequeno clássico da década de 1950 que merecia inclusive ter mais reconhecimento. Há uma mistura de elementos e gêneros que vão do drama ao suspense, do musical ao romance, que não pode ser subestimada. Pena que Michael Curtiz já estava com a idade muito avançada, perto de se aposentar definitivamente. Ele nunca mais trabalharia com Elvis. A lamentar também os rumos que a vida do próprio Elvis tomou após terminar o filme, ao ser convocado para o exército americano, interrompendo sua carreira em Hollywood, logo no melhor momento e na melhor fase de toda a sua vida artistica. De qualquer modo ficou para a posteridade essa obra cinematográfica, que resistiu excepcionalmente bem ao tempo. Uma preciosidade que merece ser redescoberta não apenas por fãs de Elvis Presley ou admirados de Michael Curtiz, mas principalmente pelos cinéfilos em geral. “Balada Sangrenta” é sem dúvida um exemplo do que de melhor Hollywood produzia naquela época.

Balada Sangrenta (King Creole, Estados Unidos, 1958) Direção: Michael Curtiz / Roteiro: Herbert Baker, Michael V. Gazzo baseados na obra "A Stone for Danny Fisher" de Harold Robbins / Elenco: Elvis Presley, Carolyn Jones, Walter Matthau, Dolores Hart, Dean Jagger, Vic Morrow, Paul Stewart, Jan Shepard, Liliane Montevecchi / Sinopse: Danny Fisher (Elvis Presley) se vira como é possível para ajudar sua família. Após as aulas ganha uns trocados limpando mesas e arrumando os salões de bares e casas noturnas em New Orleans. É justamente aí que descobre ter um talento especial, o de cantor. Disputado por duas casas noturnas da Bourbon Street, ele terá que ser forte para sobreviver ao jogo de gangsters e criminosos de todos os tipos.

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - King Creole nos Cinemas

King Creole nos Cinemas
O filme King Creole (Balada Sangrenta, no Brasil) chegou aos cinemas dos Estados Unidos em 3 de julho de 1958. A estreia contou com uma noite de gala em Los Angeles, com o diretor Michael Curtiz e o elenco do filme, menos Elvis. Ele nunca apareceu para uma première de seus filmes. Uma coisa lamentável, mas na mentalidade tacanha do Coronel Parker, Elvis só apareceria em pública se fosse remunerado. Ele havia dito certa vez: "Se quiserem ver Elvis que paguem um ticket de bilheteria nos cinemas!". Nada era de graça para o velho empresário. 

No Brasil o filme chegou no final de ano, em dezembro, com exibições em cinemas no Rio, São Paulo, Salvador e Recife. Depois foi sendo exibido nas semanas seguintes em várias capitais do país. Naquele tempo os filmes literalmente viajavam pelo país. Grandes rolos de película que as distribuidoras levavam de cidade em cidade para exibição nos cinemas. Primeiro nas capitais, depois na cidades do interior. A distribuidora nacional alugava os rolos para os donos de cinema. Se desse boa bilheteria, o filme continuava em cartaz por mais uma semana. Em Sáo Paulo o filme ficou em cartaz por três semanas, no Rio de Janeiro, por um mês. 

Nos Estados Unidos o filme foi bem elogiado pela crítica. De maneira em geral os jornalistas norte-americanos especializados em cinema gostaram do que viram. Elogiaram Michael Curtiz, que era um diretor respeitado e sobrou elogios até mesmo para Elvis. A mídia em geral deu destaque ao lançamento do filme e ele foi muito bem sucedido nas bilheterias, a tal ponto que a Paramount Pictures quis assinar um contrato de sete anos com Elvis. Isso só não aconteceu porque o cantor tinha outros problemas a resolver. 

Ele havia sido convocado pelo Exército americano para prestar serviço militar. Naquela época, antes da Guerra do Vietnã, o serviço militar ainda era obrigatório. O governo americano até entendeu a situação de Elvis e por isso ofereceu a ele uma alternativa, de serviços promocionas e shows gratuitos para as tropas estacionadas no exterior, algo que vários artistas tinham feito no passado. Só que o Coronel Parker disse não! Como ele já havia dito antes, Elvis jamais iria se apresentar de graça. Com isso Elvis se alistou e foi servir o exército, como um recruta comum. 

Pablo Aluísio. 

Elvis e a Balada Sangrenta

Elvis e a Balada Sangrenta
Sempre muito elogiado, o último filme de Elvis nos anos 50, o famoso King Creole (Balada Sangrenta, no Brasil) merece algumas reflexões adicionais. Não nego que seja um filme muito bom, entretanto afirmar que estaria no mesmo patamar de alguns filmes de Marlon Brando ou até mesmo do ídolo de Elvis, James Dean, já me soa um pouco exagerado. 

Perceba que inicialmente foi um roteiro escrito justamente para os dois rebeldes máximos de Hollywood naquela década. Só que Brando recusou o papel afirmando que já tinha passado da idade (e ele tinha razão sobre isso) e James Dean, que parecia condenado logo no começo de sua carreira a interpretar jovens encucados e confusos, morreu antes de aceitar o papel. Assim o roteiro ficou órfão e a Paramount Pictures entendeu que Elvis poderia ser uma boa opção. O roqueiro rebolador de cabelos de brilhantina poderia salvar aquele projeto. 

Não me entenda mal, acredito que Elvis não se saiu mal, mas vamos falar a verdade dos fatos, ele novamente foi salvo por sua música. Se o filme fosse inteiramente dramático, como originalmente foi concebido, penso que Elvis estaria em apuros. Ele não era ator profissional, apenas enganava bem e tinha boa presença de cena, mas na real não era Marlon Brando e nem James Dean. Havia um Actors Studio de distância entre eles! 

Além disso o filme, apesar de seus inegáveis méritos artísticos, não foge muito da fórmula dos chamados filmes de Elvis. O que isso quer dizer? Bom, tem muitas cenas musicais, duas mulheres disputando seu coração (sendo uma mais jovem boazinha e uma mais velha, do tipo mulher fatal) e claro um vilão, aqui sendo interpretado pelo Walter Matthau, que convenceu bem como mafioso, mas que fez sua carreira praticamente toda interpretando rabugentos em filmes cômicos. Brando é que se consagrou como o mais perfeito padrinho das famílias da cosa nostra. 

Então é isso. Michael Curtiz teve sua experiência diferenciada e Elvis também teve a chance de ser Brando Dean por um dia. Um filme mais do que interessante para quem aprecia a história do cinema, mas ainda longe dos grandes filmes de Hollywood em sua era de ouro. 

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Elvis Presley - King Creole - Discografia Brasileira

King Creole - Discografia Brasileira
Para surpresa geral dos fãs brasileiros a trilha sonora do filme foi lançada junto com a chegada do filme nos cinemas. Foi a primeira vez que isso aconteceu pois os discos costumavam chegar com 1 ano de atraso nas lojas de discos. E de forma em geral o álbum brasileiro também era bem fiel ao original norte-americano. Apenas mexeram um pouquinho na ordem das músicas. "Lover Doll", por exemplo, foi deslocada, abrindo o lado B do disco nacional. Nada demais, apenas uma pequena mudança que não interferia em nada na audição.

Depois desse lançamento nos anos 1950 o disco ficou muitos anos fora de catálogo, só voltando ao mercado brasileiro em 1982 no pacote do selo Pure Gold. Há quem reclamasse da qualidade sonora dessa edição, mas eu procuro ver pelo lado positivo. Com selo amarelo da RCA o álbum voltava em uma nova edição para os fãs brasileiros de Elvis. Mudaram um pouco a capa, mudando alguns detalhes da direção de arte original. Em minha opinião a capa ficou até mais bonita. 

Depois disso não houve mais edições em vinil. As músicas do filme só voltariam ao nosso mercado em uma edição em CD por volta de 1992. Uma edição até bem simples, sem luxos. O que mais senti falta foi das fotos do filme que vinham na contracapa das edições em vinil. Foi uma versão econômica demais em meu ponto de vista. Um pouco mais de capricho cairia muito bem. 

Por fim a última vez que tive conhecimento de um lançamento nacional com essas músicas do King Creole foi no Box The King of Rock n Roll que trazia todas as gravações de Elvis feitas nos anos 1950. E claro que essas músicas do Balada Sangrenta também foram incluídas. Curioso é que no box dos anos 60 houve uma separação em dois boxes. Em um apenas músicas de estúdio, no outro as músicas de filmes. Na edição dos anos 50 isso não aconteceu, foi tudo junto e misturado. 

Pablo Aluísio. 

Elvis Presley - King Creole

A principal preocupação de Danny Fischer (Elvis) não é ser um astro do rock, mas sim terminar seus estudos e se formar. Mas, com o pai desempregado o único jeito de conseguir isso é ir trabalhar como copeiro, limpando mesas num night club barra pesada, onde ele conhece todos os tipos que frequentam o submundo de New Orleans. Entre essas pessoas está Ronnie (Carolyn Jones), uma prostituta com um coração de ouro, a quem ele protege de um bando de bêbados matutinos quando ela está voltando para casa depois de uma noite dura. Eles ficam amigos e, quando Ronnie o acompanha até a escola, alguns estudantes a insultam.

Danny acaba brigando com eles e é expulso da escola, perdendo a chance de se formar. A barra começa a ficar mais pesada e, na mesma noite, ele se envolve com uma gang de marginais liderados por Tubarão (Vic Morrow) e começa a roubar lojas de departamentos. Danny só precisa cantar para a freguesia, desviando a atenção dos companheiros que roubavam a loja. É a partir desta parte da trama que o personagem de Danny Fischer começa a pensar seriamente em se tornar um cantor. Entre assaltos e canções, Danny conhece Maxie Fields (Walther Matthau), um sinistro chefe da máfia local, e tem um caso com Ronnie e outro com a ingênua Nellie (Dolores Hart) e começa a cantar em uma boate chamada King Creole, onde vira um enorme sucesso, atraindo multidões.

Maxie Fields, dono do Blue Shade, uma boate rival, tenta tirar Danny do King Creole e contratá-lo para o seu club. Como ele não aceita, acaba sendo chantageado por tomar parte num roubo cuja vítima, desconhecido para ele, era seu próprio pai, que fica muito machucado e vai parar no hospital. Sem dinheiro para pagar a conta do pai hospitalizado, Danny aceita a oferta de Maxie Fields. Nas garras do gangster ele segura a situação por algum tempo, mas quando Maxie conta ao pai de Danny que seu filho foi um dos ladrões que o atacaram, Danny fica possesso e bate no mafioso.

Em busca de vingança, Fields manda seus homens atrás dele, que está escondido com Ronnie numa cabana remota. Quando são descobertos pelos capangas, Ronnie leva um tiro e morre. Felizmente, Maxie Fields também é encontrado morto e Danny pode voltar para o King Creole, onde se reconcilia com o pai e com a sempre fiel Nellie. Elvis sempre dizia que de todos os seus filmes, King Creole era o seu favorito

Elvis - Documento Histórico.

Elvis Presley - King Creole - Edição FTD

A trilha sonora do filme "Balada Sangrenta" também ganhou uma edição especial dentro do selo Follow That Dream (FTD). Infelizmente pouca coisa restou das sessões de gravação desse álbum. Por isso quando foi anunciado o lançamento do FTD King Creole não me empolguei nem um pouco. É de se lamentar, pois a trilha sonora de King Creole teve uma gravação particularmente complicada com Elvis tendo que trabalhar com o maior número de músicos de sua carreira até aquele momento. A sonoridade de New Orleans exigia um arranjo bem elaborado de metais com vários instrumentistas. Músicos com quem Elvis nunca havia trabalhado antes.

Colocar todos aqueles músicos em sincronia realmente não foi  um trabalho fácil dentro dos estúdios. Mas Elvis sabia lidar muito bem com esse tipo de situação. Como sempre Elvis usava o bom humor e a descontração dentro dos estúdios para aliviar a tensão e a ansiedade do grupo. As sessões de gravação foram realizadas nos estúdios da RCA Victor Radio Recorders, em West Hollywood, California em janeiro de 1958. Walter Scharf foi o produtor, acompanhado do engenheiro de som Thorne Nogar. Em fevereiro Elvis voltaria aos estúdios para alguns complementos e acabaria gravando uma nova música chamada "Danny" que acabou ficando de fora do álbum original, embora fosse uma bela balada, bem de acordo com o contexto do filme, uma vez que Danny era o nome de seu personagem.

Como escrevi, muita coisa se perdeu dessas sessões. A RCA não teve o cuidado de guardar grande parte do material descartado na época. E o que sobreviveu das sessões de King Creole? Pouca coisa realmente. As sessões foram longas e exaustivas e era de se supor que muita coisa fosse realmente gravada, mas grande parte das fitas originais foram simplesmente perdidas ou apagadas, não se sabe ao certo. Assim além das versões oficiais que conhecemos sobrou pouca coisa e esse FTD King Creole retrata bem isso. Para compensar a falta de material o selo resolveu apostar numa edição caprichada com um livro recheado de fotos (algumas inéditas) e muitas informações impressas. Direção de arte muito caprichada e bonita.

Claro que nada disso vai preencher a lacuna do que se perdeu mas dentro do possível é realmente o que podemos contar. Até mesmo “Danny”, a famosa música não usada na trilha, surge tímida. Aliás até hoje a exclusão de “Danny” do disco oficial causa debate. A canção não pode ser considerada uma das melhores coisas da trilha sonora, mas tem seus méritos, principalmente na vocalização do grupo de apoio de Elvis. Já a versão do filme de “As Long As I Have You” que ouvimos aqui é muito boa. A voz de Elvis praticamente sussurrada é um ponto alto, assim como “Lover Doll”, em versão bem simples, apenas com violão. De uma simplicidade cativante. Dois casos em que a simplicidade é tudo! Se as anteriores são caracterizadas pela singeleza o take 3 de King Creole peca pelo excesso. Há um exagero nos arranjos de metais ao fundo que torna a sonoridade estranha, pouco atrativa. Ainda bem que os produtores e Elvis perceberam isso e cortaram alguns instrumentos na versão oficial.

E o que dizer do take 18 de King Creole? Parece outra canção tal a mudança em sua velocidade. Os Jordanaires estão mais presentes e Elvis parece não levar nada muito a sério – lá pela metade da gravação ele percebe que aquela melodia certamente não tinha nada a ver mesmo. Esse registro é curioso mas foi descartado logo. É um take alternativo que definitivamente não deu certo. O CD se encerra com a “Alma Mater” Steadfast, Loyal And True. Muita gente não gosta dessa música, mas em minha opinião ela foi salva pela ternura e inocência típicas da década de 1950. Enfim, é isso. Quem sabe um dia a sessão completa não venha a surgir por aí. Possa ser que os tais registros perdidos ainda existam. Aqui vale a máxima: “A esperança é a última que morre!”.

Elvis Presley - FTD King Creole
Original Album: 1 King Creole – take 13 / 2 As Long As I Have You – take 10 / 3 Hard Headed Woman – take 10 / 4 Trouble – take 5 / 5 Dixieland Rock – take 14 / 6 Don't Ask Me Why – take 12 / 7 Lover Doll - take 7 / 8 Crawfish – take 7 / 9 Young Dreams – take 8 / 10 Steadfast, Loyal And True / 11 New Orleans – take 5 / Material Bonus: 12 Danny – take 10 / 13 As Long As I Have You – (movie version) – take 4 / 14 Lover Doll (undubbed EP master) – take 7 / 15 King Creole (First version) - take 3 –16 Steadfast, Loyal And True (First version) – take 6 / 17 As Long As I Have You (unused movie version) – take 8 / 18 King Creole (First version) – take 18 / 19 Steadfast, Loyal And True (undubbed version).

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Elvis Presley - Elvis & Sophia Loren

Elvis estava tranquilamente sentado no refeitório da Paramount Pictures, durante uma pausa nas filmagens do filme "King Creole" (Balada Sangrenta) quando foi interrompido em sua refeição por Sophia Loren. Ela foi até Elvis para se apresentar pessoalmente. Já que ninguém apresentava os dois, ela decidiu que iria lá conhecer Elvis de qualquer jeito. "Olá Elvis, sou Sophia Loren!". Elvis se levantou, como bem determinava a educação sulista, apertou a mãe da atriz e respondeu: "É um prazer conhecê-la". Claro que Elvis sabia quem era Sophia Loren, já que ela estava se tornando uma das atrizes mais populares do cinema americano.

Sophia se sentou ao lado de Elvis e após um pequeno bate papo com o cantor viu se aproximando o fotógrafo Bob Willoughby. Esse não perdeu tempo, vendo ali duas estrelas do cinema juntas. Apontou sua câmera e saiu tirando uma série de fotos! Para sua surpresa Sophia Loren pulou então no colo de Elvis, que visivelmente ficou até um pouco constrangido com o avanço da atriz. Ele então  começou a dar risada. Sophia Loren decidiu despentear  completamente o cabelo de Elvis, enquanto as fotos iam sendo tiradas... foi um momento de pura diversão e desconcentração para todos que estavam ali. Sophia Loren estava claramente provocando Elvis, de um jeito até bem pouco sutil.

Entre risadas, beijos e abraços, Elvis acabou perdendo sua refeição, mas em compensação se divertiu muito também. Sophia Loren pareceu muito contente, provocando Elvis, dizendo que havia ouvido falar que ele era "um rapaz muito bonzinho". Aos 23 anos de idade Elvis obviamente entendeu bem os avanços da atriz, mas preferiu apenas se divertir com a situação. Anos depois a atriz contou em uma entrevista que seu objetivo era mesmo dar uns amassos em Elvis, convidar ele para jantar e depois levar para a cama o famoso rockstar, mas pelo visto seus planos não deram muito certo. Ela lamentou depois dizendo: "Que pena que ele não era um homem italiano!". Outra coisa que chamou a atenção de Sophia Loren foi a beleza de Elvis. Ela disse: "Elvis era muito mais bonito pessoalmente do que nas fotos! Foi um dos homens mais bonitos que ja conheci na minha vida!".

Elvis, por sua vez, elogiou a atriz afirmando: "Eu assisti a todos os filmes dela. Só que ela me disse que só havia assistido um dos meus filmes!" Depois de rir um pouquinho, Elvis disse: "Tudo bem! Espero que depois possa trabalhar ao seu lado no cinema, depois que eu voltar do exército e retomar minha carreira". Teria sido sem dúvida uma boa parceria no cinema, mas infelizmente nunca aconteceu. Elvis e Sophia Loren eram ambos contratados pela Paramount Pictures e teria sido fácil produzir um filme com o casal. Bastava ter vontade. Só que isso não passou pela cabeça do produtor Hall Wallis. Ele perdeu a oportunidade de unir o Rei do Rock e a estrela italiana em um mesmo filme. Teria sido muito interessante, tanto para os fãs de rock como para os fãs de cinema da época.

Pablo Aluísio.