sábado, 28 de março de 2026

Elvis Presley - Cronologia - 1957 - Parte 1

Janeiro de 1957
O ano de 1957 começa com Elvis Presley consolidado como o maior fenômeno musical dos Estados Unidos. Após o impacto explosivo de 1956, ele entra no novo ano como o principal artista da RCA Victor, com vendas extraordinárias de discos e enorme presença nas rádios. Canções como “Heartbreak Hotel”, “Hound Dog”, “Don’t Be Cruel” e “Love Me Tender” ainda circulam intensamente nas programações, demonstrando uma permanência incomum nas paradas para a época. Durante esse período, sua equipe — liderada pelo empresário Colonel Tom Parker — começa a planejar uma estratégia de longo prazo para manter sua popularidade. Isso inclui maior controle de sua imagem pública, evitando excessos e tentando suavizar sua reputação considerada “rebelde”. Elvis participa de sessões fotográficas, entrevistas e compromissos promocionais cuidadosamente organizados, visando expandir seu apelo para além do público adolescente, atingindo também famílias e espectadores mais conservadores.

Mesmo sem grandes turnês neste início de ano, sua influência cultural continua crescendo rapidamente. Jovens imitam seu estilo de vestir, seu penteado e sua atitude, enquanto a indústria do entretenimento passa a enxergá-lo como um modelo de estrela moderna. Janeiro de 1957 marca, portanto, não apenas continuidade, mas uma fase de profissionalização e consolidação estratégica de sua carreira.

Fevereiro de 1957
Em fevereiro ocorre um dos acontecimentos mais simbólicos da vida de Elvis: a compra da mansão Graceland, localizada em Memphis. A propriedade, adquirida por cerca de 100 mil dólares — uma quantia muito significativa para a época —, representa a ascensão meteórica de um jovem que poucos anos antes vivia em condições humildes. Graceland rapidamente se transforma em um centro da vida pessoal e profissional de Elvis. Ele muda-se para lá com seus pais, especialmente sua mãe, Gladys Presley, com quem mantinha uma ligação extremamente forte. A casa não era apenas uma residência de luxo, mas também um refúgio diante da pressão constante da fama.

Ao mesmo tempo, Elvis continua envolvido em compromissos profissionais, incluindo gravações e planejamento de novos projetos musicais e cinematográficos. Sua rotina começa a refletir uma mudança: menos improviso e mais organização, com uma equipe maior cuidando de cada aspecto de sua carreira. Fevereiro de 1957 simboliza, assim, a transição definitiva de Elvis para o status de astro estabelecido, com estabilidade financeira e estrutura profissional sólida.

Março de 1957
No mês de março, Elvis aprofunda sua incursão no cinema, dando continuidade aos trabalhos ligados ao filme Loving You. Este projeto é especialmente importante porque foi concebido para explorar diretamente sua imagem como cantor e ídolo juvenil, ao contrário de seu filme anterior, que ainda o apresentava de forma mais tradicional. As gravações e preparações para o filme demonstram uma evolução na maneira como Hollywood o enxerga: não apenas como um cantor popular, mas como uma marca comercial completa. O roteiro de “Loving You” incorpora elementos de sua própria trajetória, criando uma identificação direta com o público. Além disso, a trilha sonora do filme se torna uma ferramenta essencial de promoção, reforçando a conexão entre cinema e música.

Durante esse período, Elvis também continua gravando material para a RCA Victor, mantendo sua presença constante no mercado fonográfico. Março de 1957 evidencia o início de uma estratégia que marcaria toda a sua carreira: a integração entre discos e filmes, ampliando seu alcance e consolidando seu domínio na cultura popular.

Abril de 1957
Em abril, Elvis retorna com mais intensidade às apresentações ao vivo, reacendendo a histeria coletiva que se tornara sua marca registrada. Seus shows atraem multidões enormes, especialmente adolescentes, que frequentemente reagem com gritos e entusiasmo extremos, fenômeno que a imprensa da época descreve como algo quase inédito. Entretanto, esse sucesso também vem acompanhado de críticas. Setores conservadores da sociedade americana continuam atacando seu estilo de performance, especialmente seus movimentos de dança, considerados provocativos. Programas de televisão e organizadores de eventos frequentemente impõem restrições à forma como ele deve se comportar no palco, tentando “controlar” sua imagem.

Apesar disso — ou talvez justamente por causa disso —, sua popularidade só cresce. Elvis se torna um símbolo de mudança cultural, representando uma nova geração que desafia normas estabelecidas. Abril de 1957 reforça sua posição como o maior ícone juvenil da década, consolidando definitivamente o rock and roll como uma força dominante na música popular.

Maio de 1957
O mês de maio de 1957 é marcado pelo envolvimento direto de Elvis nas filmagens de Loving You, produzidas pela Paramount Pictures. Diferente de seu primeiro filme, este projeto foi pensado especificamente para explorar sua imagem como cantor, permitindo que ele interpretasse um personagem muito próximo de sua própria realidade: um jovem artista em ascensão meteórica. Isso facilitava sua atuação e reforçava a autenticidade de sua presença na tela. Durante as gravações, Elvis demonstra maior confiança diante das câmeras, embora ainda estivesse em processo de aprendizado como ator. A produção também evidencia o início de uma rotina exaustiva, dividida entre cinema, música e compromissos promocionais. Ao mesmo tempo, sua equipe, liderada por Colonel Tom Parker, aproveita a filmagem para gerar material publicitário, incluindo fotos, entrevistas e reportagens que mantêm Elvis constantemente em evidência.

Musicalmente, Elvis continua gravando para a RCA Victor, preparando novas canções que, em muitos casos, seriam utilizadas tanto no cinema quanto em lançamentos comerciais. Essa integração entre mídia audiovisual e música se torna uma das marcas mais fortes de sua carreira. Maio de 1957, portanto, representa um momento de transição importante: Elvis deixa de ser apenas um cantor de sucesso para se consolidar como uma estrela multimídia, com presença simultânea em várias frentes do entretenimento.

Junho de 1957
Em junho, Elvis mantém um ritmo intenso de trabalho, alternando entre gravações musicais e compromissos ligados à finalização de Loving You. Um dos destaques desse período é a consolidação de canções que fariam parte da trilha sonora do filme, incluindo “(Let Me Be Your) Teddy Bear”, que se tornaria um de seus grandes sucessos comerciais. A música evidencia uma faceta mais acessível e romântica de Elvis, ampliando ainda mais seu alcance entre diferentes públicos. No estúdio da RCA Victor, ele trabalha com músicos experientes, desenvolvendo gravações que combinam o rock and roll com elementos de pop tradicional e baladas. Essa mistura ajudava a suavizar sua imagem perante críticos mais conservadores, ao mesmo tempo em que mantinha sua base de fãs jovem engajada.

Além disso, Elvis continua fazendo apresentações ao vivo esporádicas, sempre acompanhadas de enorme entusiasmo do público. Sua presença nos palcos ainda provoca reações intensas, reforçando seu status de ídolo absoluto da juventude. Paralelamente, sua imagem pública segue sendo cuidadosamente administrada por Colonel Tom Parker, que equilibra controvérsia e popularidade com grande habilidade. Junho de 1957 mostra um Elvis no auge da produtividade, conseguindo conciliar cinema, música e apresentações com eficiência impressionante. Esse período consolida definitivamente o modelo de carreira que ele seguiria nos anos seguintes: lançamentos musicais associados a filmes, forte presença midiática e uma base de fãs cada vez maior e mais diversificada.

sexta-feira, 27 de março de 2026

Elvis Presley - Stereo 57 - Essential Elvis Volume 2

Na transição entre o vinil e o CD, a detentora dos direitos autorais de Elvis na época (a BMG da Alemanha) resolveu lançar uma nova coleção do cantor que pegou muitos fãs de surpresa. Para entender o impacto que esses discos tiveram (eles foram lançados tanto em versão vinil como Compact Disc) é interessante situar o leitor dentro do contexto histórico de seu lançamento. Estou falando de uma época particularmente ruim para quem gostava de Elvis, quando os discos em catálogo eram poucos e escassos, com raros LPs disponíveis aos fãs. Elvis parecia meio esquecido comercialmente, principalmente pela própria RCA que naquele momento deixava de existir, sendo incorporada por multinacionais estrangeiras.

No meio do limbo estava justamente a discografia de Elvis, sendo que ninguém ao certo sabia com quem iria parar os direitos de lançamento de seus títulos. Nesse meio termo realmente os álbuns de Elvis sumiram das lojas e isso em praticamente todo o mundo. Encontrar álbuns novos assim nas lojas, com tanto cuidado técnico, cheio de novidades e direção de arte de primeira qualidade, era algo realmente surpreendente. Eram certamente lançamentos caprichados, com capa dupla, bela direção de arte interna (que procurava capturar a essência dos discos originais de Elvis lançados na década de 1950), tudo embalado com tratamento sonoro de primeira linha. Várias gravações foram resgatadas dos velhos arquivos da RCA Victor em Nova Iorque. Eram takes realmente inéditos, algo que até aquele momento havia sido pouco explorado pela gravadora do cantor. Na realidade se formos pensar bem esses discos acabaram sendo se tornando o verdadeiro embrião da coleção FTD (Follow That Dream) que iria revolucionar a discografia de Elvis de maneira absoluta nos anos seguintes.

O vinil também tinha outra novidade interessante, mesclando faixas em Stereo com gravações Mono. Poucos sabem, mas quando essas gravações de Elvis chegaram pela primeira vez ao mercado (no ano de 1957) o Stereo era uma novidade absoluta no mercado fonográfico. O padrão era o Mono, pois esse sistema era o mais popular e difundido, principalmente por causa dos equipamentos de som que eram os mais comprados pelo consumidor médio. A experiência do Stereo exigia uma nova tecnologia de gravação, algo que a RCA já possuía naquela época porque afinal era uma das gravadoras mais ricas e dominantes do cenário comercial. Elvis realizou assim suas primeiras experiências no novo sistema justamente com essas faixas que estão no disco. A RCA para promover a novidade adotou o lema do "Living Stereo".

A seleção musical mistura várias canções que acabaram sendo usadas como bônus songs na trilha sonora do filme "Loving You" com canções gospel que fariam parte do compacto duplo "Peace In The Valley". Fora as músicas avulsas que foram lançadas como singles de grande sucesso - como o hit "All Shook Up" aqui em versão Mono, para que o ouvinte tivesse a exata sensação de como a música soava em seu lançamento, no compacto simples original. Para quem gostava de Elvis e boa música, não poderia mesmo haver nada melhor. Um grande lançamento que mudou para sempre a forma como as grandes gravadoras começariam a enxergar o legado de Elvis dentro do mercado atual.

Elvis Presley - Stereo 57 Essential Elvis Volume 2
1. I Beg Of You (Take 1)
2. Is It So Strange (Take 1)
3. Have I Told You Lately That I Love (Take 2)
4. It Is No Secret (What God Can Do) (Takes 1,2,3)
5. Blueberry Hill (Take 2)
6. Mean Woman Blues (Take 14)
7. There'll Be Peace In The Valley (Takes 2,3)
8. Have I Told You Lately I Love You (Take 6)
9. Blueberry Hill (Take 7)
10. That's When Your Heartaches Begin (Takes 4,5,6)
11. Is It So Strange (Takes 7,11)
12. I Beg Of You (Takes 6,8)
13. Peace In The Valley (Take 7)
14. Have I Told You Lately That I Love You (Takes 12,13)
15. I Beg Of You (Take 12)
16. I Believe (Take 4) (Bonus Mono Track)
17. Tell Me Why (Take 5) (Bonus Mono Track)
18. Got A Lot O' Livin' To Do! (Take 9) (Bonus Mono Track)
19. All Shook Up (Take 10) (Bonus Mono Track)
20. Take My Hand, Precious Lord (Take 14) (Bonus Mono Track)

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - Just For You - Letras

I Need You So (Ivory Joe Hunter) - I need you so / To keep me happy / If I can't have you / I cannot go on / I need your arms / Around me tightly / Yes, I miss them nightly / When you're not at home / When the day is done / I miss you so / I lie and wait / To hear you knock on the door / When you leave me / I try not to worry / Come back in a hurry / 'Cause I need you so / When the day is done / I miss you so / I lie and wait / To hear you knock on the door / When you leave me / I try not to worry / Come back in a hurry / 'Cause I need you so / (ASCAP) 2:37 - Data de gravação: 23 de fevereiro de 1957 - Local: Radio Recorders - Hollywood.

Have I Told You Lately That I Love You? (Scott Wiseman) - Have I told you lately that I love you? / Could I tell you once again somehow? / Have I told with all my heart and soul how I adore you? / Well darling I’m telling you now / Have I told you lately when I’m sleeping / Every dream I dream is you somehow? / Have I told you why the nights are long / When you're not with me? / Well darling I’m telling you now / My heart would break in two if I should lose you / I’m no good without you anyhow / And have I told you lately that I love you / Well darling I’m telling you now / My heart would break in two if I should lose you / I’m no good without you anyhow / And have I told you lately that I love you / Well darling I’m telling you now / My heart would break in two if I should lose you / I’m no good without you anyhow / And have I told you lately that I love you / Well darling I’m telling you now / Well darling I’m telling you now / (ASCAP) 2:31 - Data de gravação: 19 de janeiro de 1957 - Local: Radio Recorders - Hollywood.

Blueberry Hill (Lewis / Stock / Rose) - I found my thrill on blueberry hill / On blueberry hill when I found you / The moon stood still on blueberry hill / And lingered until my dreams came true / The wind in the willow played / Love's sweet melody / But all of those vows we made / Were never to be / Tho' we're apart, you're part of me still / For you were my thrill on blueberry hill / The wind in the willow played / Love's sweet melody / But all of those vows we made / Were never to be / Tho' we're apart, you're part of me still / For you were my thrill on blueberry hill / (ASCAP) 2:39 - Data de gravação: 19 de janeiro de 1957 - Local: Radio Recorders - Hollywood.

Is It So Strange (Faron Young) - Oh, if you tell a lie / You know that I'll forgive you / Though you say our love is just a game / And when you hear my name / You'll say I'm from a strange world / But is it so strange to be in love with you / Is it so strange / That I love you more than all the world / Is it so strange / I have no eyes for another girl / Oh won't you take me back / And say that you still love me / To waste a love like ours would be a sin / Let us kiss again / Let me hold you near / And take me from this strange world / That I'm living in / (Elvis Presley Music, BMI) 2:28 - Data de gravação: 19 de janeiro de 1957 - Local: Radio Recorders, Hollywood.

Elvis Presley – Just For You (1957) / Elvis Presley (voz e violão) / Scotty Moore (guitarra) / Bill Black (baixo) / D.J.Fontana (bateria) / Gordon Stoker (piano) / Dudley Brooks (piano) / Hoyt Hawkins (órgão) / Jordanaires (acompanhamento vocal) / Produzido por Steve Sholes / Arranjado por Elvis Presley e Steve Sholes / Gravado nos estúdios Radio Recorders - Hollywood / Data de Gravação: 18 e 19 de janeiro de 1957 / Data de Lançamento: abril de 1957 / Melhor posição nas charts: #2 (EUA) # - (UK).

Pablo Aluísio.

terça-feira, 24 de março de 2026

Elvis News - Edição II

Presidente Trump visita Graceland
Ontem o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, visitou Graceland em sua passagem por Memphis. Trump foi até Graceland prestar suas homenagens ao famoso Rei do Rock. Na ocasião o Presidente afirmou que conheceu todos os grandes cantores do passado, como Frank Sinatra e Dean Martin, mas que infelizmente não teve a oportunidade de conhecer Elvis pessoalmente. 

Trump também declarou que teria gostado muito de Elvis, caso tivesse a chance de encontrar o cantor. Afirmou que Elvis foi um dos artistas mais famosos do mundo, um orgulho para a cultura dos Estados Unidos. Importante lembrar que Elvis Presley foi condecorado postumamente com a Medalha Presidencial da Liberdade, a mais alta honraria civil dos EUA, em novembro de 2018 pelo mesmo presidente Donald Trump em seu primeiro mandato. 

Trump conheceu Graceland e sentou-se na Sala das Selvas para assinar documentos de sua passagem pela mansão. Depois foi até o túmulo onde Elvis está sepultado e prestou seus homenagens finais, depositando uma coroa de flores presidencial. Ao sair disse a jornalistas presentes: "Eu amo Elvis. Todos os americanos amam Elvis! Sua música viverá para sempre!". 

Exorcismo em Graceland
Uma das histórias (ou seria um mero boato?) mais curiosos surgidos recentemente afirmam que a neta de Elvis, Riley Keough, teria decidido fazer um grande exorcismo em Graceland. Atualmente ela administra a mansão, após a morte de sua mãe Lisa Marie. Riley teria afirmado que sempre ouve passos no quarto de Elvis nas noites que decidiu dormir na mansão. O falecido irmão Ben também teria ouvido passos durante as madrugadas. Seu irmão ficava tão aterrorizado nesses momentos que tapava seus ouvidos para não ouvir nada. 

Histórias de assombrações em Graceland são bem conhecidas pela família há anos. A avó de Elvis, Minnie Mae, dizia que Gladys, após sua morte, morava no sótão da mansão. Muitos barulhos de passos vinham lá de cima! Elvis havia levado as roupas de sua mãe falecida para lá, quando ela morreu. Diante dessas histórias Elvis teria decidido manter o quarto de sua mãe intocado, como ela tinha deixado ao falecer. 

Já Priscilla Presley afirmou que isso era um grande erro. Ela declarou: "Sempre que vou a Graceland, no quarto de Elvis, posso sentir sua presença, inclusive sinto o cheiro de seu perfume! E não tenho medo nenhum. Elvis tinha uma alma bondosa e jamais faria mal a ninguém. Seu espírito vive na sua querida mansão e deve ser deixado em paz ali, para sempre!". 

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 19 de março de 2026

Elvis Presley - Entrevista no Canadá, 1957

Durante sua turnê pelo Canadá Elvis conversou com a imprensa Canadense (que será identificada pela sigla IC daqui em diante). A seguir trechos de perguntas e respostas realizadas durante entrevistas do cantor no país. E aí Elvis, o que foi que você disse mesmo?

IC: É a sua primeira vez no Canadá?

Elvis: Sim. É a minha primeira viagem para o Canadá.

IC: Qual é a sua primeira impressão de nosso país?

Elvis: Bom, eu estava me apresentando em Toronto na noite passada e fiquei realmente surpreso com a reação do público, o quão maravilhoso ele é. A platéia foi tão amigável, as pessoas dessa parte do Canadá realmente são ótimas.

IC: Elas certamente o esperavam há muito tempo.

Elvis: Eu estava querendo cantar aqui. Quando soube da minha nova turnê eu disse aos organizadores que eu queria ir até o Canadá. Na realidade venho tentando há mais de um ano mas eles achavam que eu ainda não era suficientemente conhecido por aqui. Um ano e meio atrás as pessoas não me conheciam o suficiente. 

IC: Isso parece inacreditável!

Elvis: Pois é, mas depois perceberam que eu poderia dar certo por aqui.

IC: Não há dúvida sobre isso agora! Elvis você certamente já é mais popular que Frank Sinatra em seu auge.

Elvis: ...

IC: Elvis você tem consciência de sua importância no show business?

Elvis: Sim, eu tenho. Só que eu não gosto de pensar muito sobre isso. Eu tenho medo de descobrir o tamanho que isso tudo tomou...

IC: Você recentemente construiu uma casa própria?

Elvis: Bem, eu não a construí, só a comprei. É uma bela propriedade (Elvis se refere a Graceland) Fica a cerca de dez Km de onde eu moro agora (em Audubon Drive). Tínhamos que encontrar um lugar maior já que eu tenho tanto lixo acumulado de todos esses anos! (risos). Eu já não sabia onde colocar aquilo tudo (risos)

IC: Você vai morar com seus pais lá?

Elvis: Sim.

IC: Você é apenas uma criança não é mesmo?

Elvis: Sim, senhor. (risos)

IC: Elvis você está namorando atualmente?

Elvis: Sim, mas não há nenhuma garota em especial. Quer dizer, quando estou em Memphis vejo algumas garotas por lá, mas nada sério ou especial.

IC: Você gostaria de casar um dia?

Elvis: Provavelmente sim, algum dia.

IC: Você acha que um casamento abalaria sua popularidade entre as fãs?

Elvis: Provavelmente sim. Mas não se preocupem com isso, eu não tenho qualquer plano de casamento. Eu ainda não conheci uma pessoa tão especial assim para pensar nisso.

IC: O que você acha de seu estilo de cantar? Você foi muito influenciado pela música country ou pop? Ou acredita que foi influenciado por ambos?

Elvis: Eu gosto de ambos mas eu gosto mais de Rock ´n´ Roll do que qualquer outra coisa. Rock é a música que eu coloco mais de mim mesmo.

IC: Você gostaria de deixar alguma mensagem para seus fãs canadenses?

Elvis: Claro. Eu gostaria de dizer que adorei profundamente o público canadense. Toronto, Ottawa, Montreal, recebi cartas maravilhosas de todos esses lugares e queria agradecer. Ultimamente tenho recebido mais mensagens desses locais do que em qualquer outro lugar dos Estados Unidos.

IC: Isso é Maravilhoso!

Elvis: Eu não estou dizendo isso apenas porque estou aqui no Canadá. É verdade, e essa foi uma das razões porque eu sempre quis vir aqui nesse país, para retribuir a todos que enviaram cartas e presentes. São tantas que mal posso contar.

IC: Isso deve fazer seus fãs felizes. Foi um prazer falar com você, Elvis.

Elvis: Muito obrigado.

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 13 de março de 2026

Elvis Presley - Entrevista, 1957 - Parte 2

Imprensa: O que é este lindo anel em sua mão esquerda?

Elvis Presley: É uma estrela de safira. Uma garota me deu esse anel na Califórnia.

Imprensa: Elvis, você fuma maconha para ajudá-lo a entrar em transe, antes do show?

Elvis Presley: (Elvis dá uma risada debochada)

Imprensa: O que é mais difícil para você? Fazer filmes, TV ou colocar o pé na estrada para fazer shows?

Elvis Presley: Bem, viajar é a parte mais dura. É realmente difícil. Você está numa cidade, faz um show, sai de cena, entra no carro e vai para a próxima cidade e tudo se repete mais uma vez. É cansativo.

Imprensa: Após o show, como você gosta de relaxar?

Elvis Presley: Bem, vamos tomar por base o show que fiz na noite passada. Fizemos um show em Vancouver e não consegui dormir até por volta das dez horas de hoje. Você simplesmente fica ligado demais para poder conseguir dormir. Tudo estava acertado para que eu chegasse hoje em Los Angeles, mas tudo ficou atrasado por causa desse show da noite anterior.

Imprensa: O que você faz antes de um show para diminuir a carga de excitação e tensão?

Elvis Presley: Eu apenas ando de um lugar a outro, bem devagar...

Imprensa: Queria dar-lhe uma oportunidade para defender-se de uma série de boatos a seu respeito que têm sido publicados. Seu estilo de dançar enquanto canta tem sido selvagemente criticado, mesmo por críticos costumeiramente gentis. Você tem algo a dizer contra eles?

Elvis Presley: Não, não mesmo. É apenas seu trabalho e eles o fazem.

Imprensa: Como você sente a reação dos jovens em relação a você, especialmente garotas? Elas sabem quem você é e daí por diante?

Elvis Presley: Bem, (risos) esta é uma pergunta um tanto quanto difícil...

Imprensa: Isto é realmente uma pergunta difícil, Elvis, porque todos sabem que a platéia fica louca por você. Existe algum tipo de relacionamento entre você e suas fãs?

Elvis Presley: Sim, convivo realmente bem com elas. Com todos os meus fãs. Na realidade, quando termino meu trabalho e vou para casa, eles me acompanham... trazem suas famílias, acampam ao redor de Graceland, principalmente nos finais de semana... e tiram fotos comigo.

Imprensa: Deve ser algo bem excitante.

Elvis Presley: É, sim, muito excitante e legal. É uma coisa saudável.

Imprensa: Você acha que o rock'n'roll e sua popularidade vão diminuir enquanto você estiver no exército?

Elvis Presley: É difícil dizer. Tudo que posso dizer é que espero que não...

Imprensa: Para você será um alívio se ver livre de caçadores de autógrafos e garotas histéricas?

Elvis Presley: Não. Quando você se acostuma a isso e ninguém chega para pedir autógrafos ou se ninguém o incomoda, você começa a se preocupar. Conforme eles começam a chegar, você sabe que eles ainda gostam de você, e isso o faz sentir-se bem.

Imprensa: Tivemos conhecimento de que você chegou às vias de fato com algumas pessoas. O que lemos nos jornais é verdade?

Elvis Presley: Sim senhor, eu imagino.

Imprensa: O que aconteceu? Você perdeu a paciência?

Elvis Presley: Foi somente um caso de bater ou apanhar, você sabe.

Imprensa: O que quem começado esses incidentes na maioria das vezes?

Elvis Presley: Alguém me bate ou tenta me bater. Quero dizer, posso aceitar tentativas de me ridicularizarem ou me caluniarem, inventam nomes e os dizem na minha cara e por aí vai. Contudo, alguns caras chegam e tentam me atingir. Naturalmente não posso ficar parado.

Imprensa: Qual é o seu esporte favorito Elvis?

Elvis Presley: Football (logicamente Elvis se refere ao futebol americano)

Imprensa: Você gosta de jogar Football?

Elvis Presley: Sim.

Imprensa: Onde foram tiradas aquelas fotos suas jogando football e que foram publicadas na revista de um fã clube?

Elvis Presley: Elas foram tiradas num campo perto de casa.

Imprensa: Fora dos limites de Memphis?

Elvis Presley: Sim.

Imprensa: E quanto a sua famosa coleção de Teddy Bears?

Elvis Presley: Ah! Isso tudo começou por causa de um boato. Foi publicado um artigo segundo o qual eu colecionava ursinhos de pelúcia e então me vi em um mar de ursinhos dados pelos fãs, teddys de todos os tipos. Na verdade, eu os guardo porque as pessoas me dão de presente, mas nunca cheguei nem mesmo perto de pensar em colecioná-los, em nenhum momento de minha vida.

Imprensa: Você gosta deles agora porque os tem ou apenas os guarda?

Elvis Presley: Eu os guardo. Tenho todos espalhados pelas paredes e cadeiras em toda a casa.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 10 de março de 2026

Elvis Presley - Entrevista, 1957 - Parte 1

Entrevista do jovem cantor Elvis Presley durante sua turnê no Canadá em 1957. Na ocasião ninguém sabia mas aquela seria sua primeira e última turnê de shows internacionais, fora dos Estados Unidos.

Imprensa: Você lê tudo o que se publica sobre você na imprensa?

Elvis Presley: Não, se eu puder evitar.

Imprensa: Você costuma arquivar reportagens?

Elvis Presley: Somente as boas.

Imprensa: Que tipo de adolescente foi você? Você considera que foi bem comportado?

Elvis Presley: Sim. Fui criado num lar muito decente e tudo o mais. Meus pais sempre me ensinaram a comportar-me, quer eu quisesse ou não.

Imprensa: O que você faz com quatro cadillacs?

Elvis Presley: Não sei. Nunca tive uso para os quatro.

Imprensa: Você deu um deles a sua mãe, não é verdade?

Elvis Presley: Tudo o que é meu é deles. Planejo ter sete, quero dizer, desejo ter sete... Estive pensando num lote de carros usados Presley.

Imprensa: Sabemos que você comprou uma casa para seus pais e, embora seu pai tenha apenas 39 anos, você insistiu para que ele se aposentasse. Isto é verdade?

Elvis Presley: Sim, ele pode ajudar mais em casa, porque pode tomar conta dos meus negócios e olhar tudo, enquanto eu não estiver por perto.

Imprensa: Você causa uma histeria em seu jovem público. Quando você dança se movimenta de uma forma diferente, não é uma reação involuntária à reação da platéia?

Elvis Presley: Involuntária? Estou sempre ciente daquilo que faço, mas é apenas como me sinto.

Imprensa: Estávamos comparando a reação de seu público com, por exemplo, um jogador de futebol que atua melhor como resposta ao incentivo da torcida.

Elvis Presley: Está Certo. Acho que todo artista melhora seu desempenho quando percebe que está agradando.

Imprensa: Falando sobre canções religiosas, se você lançar um LP ou single, que música incluirá ? Você já pensou sobre isso ? Já conhece algum gospel?

Elvis Presley: Conheço praticamente cada canção religiosa já escrita.

Imprensa: O que você acha de Pat Boone ?

Elvis Presley: Acho que é, sem dúvida, a melhor voz do momento, especialmente em músicas românticas. Não estou dizendo isso só por dizer, mas realmente penso assim. Boone gravava antes de mim e compro seus discos desde então.

Imprensa: Que chances você acha que uma cantora teria de conseguir figurar entre as dez mais das paradas de sucesso ?

Elvis Presley: Você está se referindo a alguma cantora em especial ?

Imprensa: Não, de cantoras em geral.

Elvis Presley: Não sei. Ainda não vi nenhuma. Acredito que isso vai depender de tipo de músicas que elas cantem. Aquilo que você grava pode levantá-lo ou derrubá-lo. Se você canta uma boa música, ela vai vender, se apresentar um material ruim, não.

Imprensa: Qual é a sua cantora favorita no momento ?

Elvis Presley: Patti Page e Kay Star.

Imprensa: Qual é a sua canção favorita dentre todas que já gravou ?

Elvis Presley: Don't Be Cruel.

Imprensa: Andaram dizendo que as únicas extravagâncias são seus carros. Isto é verdade ?

Elvis Presley: Sim, é verdade. Nunca pensei quanto extravagante isso é, porque tenho muitos carros, quero dizer, ninguém os dirige. Eles ficam parados lá até os pneus murcharem. Na verdade eu não preciso de quatro. Foi só uma loucura.

Imprensa: E quanto às suas camisas ?

Elvis Presley: Vou dizer-lhe o que fiz outro dia. Tenho um pequeno carro alemão, um Messerschmidt, e havia um cara que durante o ano passado quis muito esse carro. Ele tem uma loja de roupas, uma das melhores de Memphis. Hoje fui lá e disse-lhe: "Você tem desejado muito esse carro, não é? Pois vou oferecer-lhe um negócio. Deixe me pegar todas as roupas que quero" Assim fiquei por lá por cerca de duas horas e meia e esvaziei a loja em troca do carro.

Imprensa: Alguma coisa mais que queira nos dizer?

Elvis Presley: Bem, gostaria de dizer que agradeço toda a ajuda que vocês têm me dado e quero dizer o quanto adoro essas pessoas maravilhosas que têm escrito sobre mim, comprando meus discos, assistindo meus shows. Afinal, o que importa é o público. Ele o levanta ou o derruba. Quero entreter as pessoas. Por toda a vida - até meus últimos suspiros. Mais do que tudo, quero ser bom ator. Do tipo destes que estão por aí há tanto tempo. Mas, não quero parar de cantar nunca. Quando a música começa, eu tenho que me movimentar.

Pablo Aluísio.