sexta-feira, 10 de abril de 2026

Elvis Presley - Jailhouse Rock - Parte 3

Essa trilha sonora de Elvis contou com poucas canções. A RCA Victor optou pelo lançamento de um compacto duplo (EP) ao invés de um álbum completo (LP). É um desses erros que ficam para a história. Curiosamente, apesar de haver poucas faixas para gravar, Elvis levou três sessões de gravação para finalizar toda a trilha. Em termos de Elvis, que era conhecido por gravar um álbum inteiro em apenas uma ou duas sessões, foi realmente muito. A primeira sessão foi realizada no dia 30 de abril de 1957, em West Hollywood. O produtor dessa famosa sessão foi Jeffrey Alexander, acompanhado do engenheiro de som Thorne Nogar.

Nesse dia Elvis gravou diferentes versões de "Jailhouse Rock" para ser usada no filme e no vinil, no disco oficial. Nessa mesma ocasião ele ainda trabalhou nas primeiras versões de "Treat Me Nice". A intenção era gravar logo as duas músicas que iriam fazer parte do primeiro single do filme. Obviamente foi um dos discos mais vendidos de toda a carreira de Elvis. Um marco de sucesso na indústria fonográfica da época. Nunca se vira tantos pedidos antecipados de um artista na história. A RCA colocou suas fábricas empenhadas em produzir as cópias em ritmo acelerado. E quando chegou no mercado, em poucos dias, ultrapassou a marca de um milhão de cópias vendidas. Um sucesso absoluto.

Para finalizar esse dia Elvis se empenhou em terminar as diferentes versões de uma bela balada chamada "Young and Beautiful". É interessante salientar que esse tipo de coisa, de gravar versões diferentes para uma mesma música, sendo algumas usadas no filme e outras nos discos, iria ser abandonada por Elvis e banda. Dava muito trabaho. Era melhor gravar apenas uma versão definitiva e isso já estava de bom tamanho. Nas cenas dos filmes Elvis iria apenas fazer playback. De qualquer modo a versão oficial, a que foi lançada em vinil, era uma das mais bonitas músicas românticas dessa fase da carreira de Elvis.

E as diferentes versões também foram renomeadas pelo produtor da sessão. Por exemplo,  "Young and Beautiful" foi chamada de "versão oficial", "solo version" e "Florita Club version". O mesmo aconteceu com as demais. O produtor Jeffrey Alexander era considerado um sujeito bem obcecado por organização. Por fim uma dúvida interessante: quem tocou guitarra em "Young and Beautiful"? O próprio Scotty Moore anos depois iria dizer que não havia sido ele, que ele não tinha tocado nessa faixa. Seria a única que ele não tocaria nessa trilha sonora. O único outro músico creditado nas sessões tocando guitarra e violão nessa sessão de gravação foi Elvis. Teria sido ele o guitarrista dessa gravação? Em minha opinião, sim. Tanto que anos depois Elvis voltaria a tocar guitarra numa versão improvisada (e bonita) dessa mesma música nas sessões de ensaio de 1972 para o filme "Elvis On Tour".

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Elvis Presley - Jailhouse Rock - Parte 2

"Treat Me Nice" pode ser considerada a melhor canção dessa trilha sonora, claro logo após "Jailhouse Rock". O tema foi composto pela dupla Leiber e Stoller, grandes nomes do surgimento do rock. Curiosamente uma série de versões foram gravadas. Uma mais aprimorada foi gravada em estúdio para ser lançado no compacto duplo que traria as músicas do filme. Essa mesma versão também foi aproveitada no single. Já outra, bem mais simples, foi gravada para ser usada na cena do filme, quando Elvis a interpreta.

Particularmente prefiro a versão do filme. Aliás ela só estaria à disposição dos fãs em disco muitos anos depois, em vinil, No meu caso tive acesso através do LP "The Great Performances". Infelizmente, como bem se sabe, Jerry Leiber e Mike Stoller seriam afastados da carreira de Elvis pelo Coronel Tom Parker. Eles escreveram inúmeros sucessos comerciais para o cantor, mas nem isso convenceu Tom Parker. Ele achava que a dupla cobrava alto demais pelas músicas. Veja que visão medíocre do empresário. É óbvio que cobravam acima da média, já que eram ótimos compositores. O velho Coronel Parker porém pensava como puro comércio, sem se importar com o aspecto artístico da situação. Lamentável.

E como grande parte da trilha sonora de "Jailhouse Rock" foi mesmo composta por Leiber e Stoller, outra faixa gravada feita por eles foi "I Want To Be Free". Essa nunca chegou a fazer sucesso. Como o próprio Leiber explicaria anos depois essa música era "um tema de prisão", ou seja, imaginemos o sujeito ali preso vendo a janela onde avista um pássaro, com toda a sua liberdade para voar para onde quiser. É o próprio conceito de ser livre. Para alguém que estava preso não poderia haver alegoria melhor.

Esse tema inclusive me lembra um filme clássico chamado "O Homem de Alcatraz". Nesse excelente filme um prisioneiro de Alcatraz ajudava um passarinho ferido que havia caído na janela de sua cela. Isso acabaria despertando nele o desejo de aprender a ciência que estudava esses animais. Depois de longos anos lendo e estudando em sua prisão ele acabaria se tornando um dos maiores especialistas do tema nos Estados Unidos. História real, que realmente aconteceu. O nome dele era Robert Franklin Stroud e foi interpretado no cinema pelo grande Burt Lancaster. Claro que "O Prisioneiro do Rock" não tinha toda essa densidade dramática, mas de qualquer forma vale a analogia cinematográfica. Afinal ambos os filmes, cada um ao seu modo, tinha como protagonista um prisioneiro.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Elvis Presley - Jailhouse Rock - Parte 1

A imagem de um jovem Elvis Presley vestido com roupa de prisioneiro, dançando e cantando dentro de uma cadeia, foi considerada pelos conservadores americanos, na década de 1950, como uma das coisas mais ultrajantes que a cultura pop poderia produzir. Pastores evangélicos disseram em cultos que Elvis iria levar toda a juventude para a perdição eterna. Alguns foram ainda mais longe, afirmando que Elvis era um enviado de Satã para corroer os valores mais tradicionais da sociedade. Foi mesmo algo chocante para os padrões da época. Afinal, o que ele queria passar com aquilo tudo? Que se tornar um marginal, um preso, era algo positivo para as jovens que o seguiam?

Tudo bobagem. "Jailhouse Rock", que no Brasil recebeu o título de "O Prisioneiro do Rock", nada mais era do que mais um musical da Metro, o estúdio de Hollywood que mais produziu filmes musicais clássicos na história do cinema americano. Com tanto Know-how de seus técnicos e membros na equipe de filmagem não é de se admirar que esse tenha sido mesmo um dos melhores filmes da carreira de Elvis Presley. Uma simbiose perfeita entre a velha Hollywood, dos tempos de Fred Astaire, com essa nova geração de jovens roqueiros que surgia. Se o Rock era a nova moda entre a juventude, então a Metro iria se adaptar para essa nova realidade.

Para Elvis o filme surgia como uma chance dele realizar seu grande sonho, que era se tornar um ator ao estilo de James Dean e Marlon Brando, seus grandes ídolos no cinema. Só que Elvis era ainda muito jovem e inexperiente para atuar nesse sentido. A Metro também não queria produzir um drama, mas sim um musical mesmo, com boas cenas de coreografia, com muita dança, ritmo e música. Embora o filme anterior de Elvis, "Loving You", tivesse sido filmado em cores, a Metro decidiu que esse novo musical seria todo realizado em fotografia preto e branco. E para realçar ainda mais isso mandou que Elvis pintasse seu cabelo na cor mais escura que pudesse encontrar. O preto forte iria agradar tanto Elvis a partir daí que ele decidiu adotar essa cor do cabelo para sempre.

Um dos pontos altos do filme surgiu exatamente na cena em que ele dançava com os demais prisioneiros. Para muitos essa sequencia acabou se tornando o primeiro clip da história da música, uma vez que a cena funcionava perfeitamente bem fora do contexto do filme. Claro, na época, a cena se tornou antológica, caindo no gosto dos jovens de uma maneira que ninguém poderia esperar. Fruto de muito empenho, ensaio e trabalho da equipe de coreografia do estúdio. Não é de se admirar que esse momento acabou se tornando um dos mais lembrados da carreira de Elvis no cinema, a tal ponto que entrou para sempre na história da cultura pop.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 31 de março de 2026

Elvis Presley - Cronologia - 1957 - Parte 2

Abril de 1957
Elvis começa os trabalhos de gravação da trilha sonora do filme "Jailhouse Rock". Ele se une ao seu grupo musical em 30 de abril de 1957 para as primeiras gravações. As sessões são produzidas pelo produtor Jeffrey Alexander, sendo realizadas no Radio Recorders, West Hollywood, na California. Várias das canções seriam de autoria da dupla Leiber e Stoller. 

Setembro de 1957
Entre os dias 5 e 7 de setembro de 57 Elvis realiza uma longa sessão de gravação no Radio Recorders, dessa vez com produção de Steve Sholes. Elvis grava uma nova versão de "Treat Me Nice" e termina "My Wish Came True", uma música que precisou de muito trabalho para ficar pronta por causa dos extensos trabalhos vocais de grupos de apoio. Basicamente havia um coral inteiro para comandar. Elvis nessa mesma sessão começa a gravação de seu álbum natalino que seria lançado, com grande sucesso, no final de ano. 

Single "Jailhouse Rock" chega nas lojas
A RCA Victor lança um dos maiores sucessos da carreira de Elvis, um single com "Jailhouse Rock" no lado A e "Treat Me Nice" no lado B. Em pouco tempo milhões de cópias desse compacto são vendidas ao redor do mundo. 

Outubro de 1957
A RCA Victor lança a trilha sonora de "Jailhouse Rock" no formato de EP (compacto duplo) contendo cinco músicas. O disquinho se torna um grande sucesso de vendas. Algumas dessas músicas seriam lançadas depois em álbuns como "A Date With Elvis". 

"O Prisioneiro do Rock" chega nos cinemas
O novo filme de Elvis Presley na Metro-Goldwyn-Mayer chega aos cinemas. "Jailhouse Rock" (O Prisioneiro do Rock, no Brasil) logo se torna um dos campeões de bilheteria do ano. Elvis interpreta Vince Everett, um presidiário que tenta se redimir em sua vida com a força da música. Richard Thorpe assinava a direção. Esse seria o primeiro de muitos filmes de Elvis na MGM. 

Novembro de 1957
A RCA Victor coloca no mercado o tão aguardado disco natalino de Elvis, intitulado "Elvis' Christmas Album". Apesar dos receios dos produtores e de um certo ceticismo da crítica da época, o disco explode em vendas, se tornando rapidamente o álbum mais vendido de Elvis até aquele momento. Esse disco teria várias reedições ao longo dos anos seguintes, se tornando um verdadeiro marco de vendas na já bem sucedida carreira de Elvis Presley.

Dezembro de 1957
Elvis encerra seu ano e vai passar o natal em Graceland, ao lado de seus pais. Foi o primeiro natal da família Presley na nova mansão comprada pelo cantor. 

Pablo Aluísio. 

sábado, 28 de março de 2026

Elvis Presley - Cronologia - 1957 - Parte 1

Janeiro de 1957
O ano de 1957 começa com Elvis Presley consolidado como o maior fenômeno musical dos Estados Unidos. Após o impacto explosivo de 1956, ele entra no novo ano como o principal artista da RCA Victor, com vendas extraordinárias de discos e enorme presença nas rádios. Canções como “Heartbreak Hotel”, “Hound Dog”, “Don’t Be Cruel” e “Love Me Tender” ainda circulam intensamente nas programações, demonstrando uma permanência incomum nas paradas para a época. Durante esse período, sua equipe — liderada pelo empresário Colonel Tom Parker — começa a planejar uma estratégia de longo prazo para manter sua popularidade. Isso inclui maior controle de sua imagem pública, evitando excessos e tentando suavizar sua reputação considerada “rebelde”. Elvis participa de sessões fotográficas, entrevistas e compromissos promocionais cuidadosamente organizados, visando expandir seu apelo para além do público adolescente, atingindo também famílias e espectadores mais conservadores.

Mesmo sem grandes turnês neste início de ano, sua influência cultural continua crescendo rapidamente. Jovens imitam seu estilo de vestir, seu penteado e sua atitude, enquanto a indústria do entretenimento passa a enxergá-lo como um modelo de estrela moderna. Janeiro de 1957 marca, portanto, não apenas continuidade, mas uma fase de profissionalização e consolidação estratégica de sua carreira.

Fevereiro de 1957
Em fevereiro ocorre um dos acontecimentos mais simbólicos da vida de Elvis: a compra da mansão Graceland, localizada em Memphis. A propriedade, adquirida por cerca de 100 mil dólares — uma quantia muito significativa para a época —, representa a ascensão meteórica de um jovem que poucos anos antes vivia em condições humildes. Graceland rapidamente se transforma em um centro da vida pessoal e profissional de Elvis. Ele muda-se para lá com seus pais, especialmente sua mãe, Gladys Presley, com quem mantinha uma ligação extremamente forte. A casa não era apenas uma residência de luxo, mas também um refúgio diante da pressão constante da fama.

Ao mesmo tempo, Elvis continua envolvido em compromissos profissionais, incluindo gravações e planejamento de novos projetos musicais e cinematográficos. Sua rotina começa a refletir uma mudança: menos improviso e mais organização, com uma equipe maior cuidando de cada aspecto de sua carreira. Fevereiro de 1957 simboliza, assim, a transição definitiva de Elvis para o status de astro estabelecido, com estabilidade financeira e estrutura profissional sólida.

Março de 1957
No mês de março, Elvis aprofunda sua incursão no cinema, dando continuidade aos trabalhos ligados ao filme Loving You. Este projeto é especialmente importante porque foi concebido para explorar diretamente sua imagem como cantor e ídolo juvenil, ao contrário de seu filme anterior, que ainda o apresentava de forma mais tradicional. As gravações e preparações para o filme demonstram uma evolução na maneira como Hollywood o enxerga: não apenas como um cantor popular, mas como uma marca comercial completa. O roteiro de “Loving You” incorpora elementos de sua própria trajetória, criando uma identificação direta com o público. Além disso, a trilha sonora do filme se torna uma ferramenta essencial de promoção, reforçando a conexão entre cinema e música.

Durante esse período, Elvis também continua gravando material para a RCA Victor, mantendo sua presença constante no mercado fonográfico. Março de 1957 evidencia o início de uma estratégia que marcaria toda a sua carreira: a integração entre discos e filmes, ampliando seu alcance e consolidando seu domínio na cultura popular.

Abril de 1957
Em abril, Elvis retorna com mais intensidade às apresentações ao vivo, reacendendo a histeria coletiva que se tornara sua marca registrada. Seus shows atraem multidões enormes, especialmente adolescentes, que frequentemente reagem com gritos e entusiasmo extremos, fenômeno que a imprensa da época descreve como algo quase inédito. Entretanto, esse sucesso também vem acompanhado de críticas. Setores conservadores da sociedade americana continuam atacando seu estilo de performance, especialmente seus movimentos de dança, considerados provocativos. Programas de televisão e organizadores de eventos frequentemente impõem restrições à forma como ele deve se comportar no palco, tentando “controlar” sua imagem.

Apesar disso — ou talvez justamente por causa disso —, sua popularidade só cresce. Elvis se torna um símbolo de mudança cultural, representando uma nova geração que desafia normas estabelecidas. Abril de 1957 reforça sua posição como o maior ícone juvenil da década, consolidando definitivamente o rock and roll como uma força dominante na música popular.

Maio de 1957
O mês de maio de 1957 é marcado pelo envolvimento direto de Elvis nas filmagens de Loving You, produzidas pela Paramount Pictures. Diferente de seu primeiro filme, este projeto foi pensado especificamente para explorar sua imagem como cantor, permitindo que ele interpretasse um personagem muito próximo de sua própria realidade: um jovem artista em ascensão meteórica. Isso facilitava sua atuação e reforçava a autenticidade de sua presença na tela. Durante as gravações, Elvis demonstra maior confiança diante das câmeras, embora ainda estivesse em processo de aprendizado como ator. A produção também evidencia o início de uma rotina exaustiva, dividida entre cinema, música e compromissos promocionais. Ao mesmo tempo, sua equipe, liderada por Colonel Tom Parker, aproveita a filmagem para gerar material publicitário, incluindo fotos, entrevistas e reportagens que mantêm Elvis constantemente em evidência.

Musicalmente, Elvis continua gravando para a RCA Victor, preparando novas canções que, em muitos casos, seriam utilizadas tanto no cinema quanto em lançamentos comerciais. Essa integração entre mídia audiovisual e música se torna uma das marcas mais fortes de sua carreira. Maio de 1957, portanto, representa um momento de transição importante: Elvis deixa de ser apenas um cantor de sucesso para se consolidar como uma estrela multimídia, com presença simultânea em várias frentes do entretenimento.

Junho de 1957
Em junho, Elvis mantém um ritmo intenso de trabalho, alternando entre gravações musicais e compromissos ligados à finalização de Loving You. Um dos destaques desse período é a consolidação de canções que fariam parte da trilha sonora do filme, incluindo “(Let Me Be Your) Teddy Bear”, que se tornaria um de seus grandes sucessos comerciais. A música evidencia uma faceta mais acessível e romântica de Elvis, ampliando ainda mais seu alcance entre diferentes públicos. No estúdio da RCA Victor, ele trabalha com músicos experientes, desenvolvendo gravações que combinam o rock and roll com elementos de pop tradicional e baladas. Essa mistura ajudava a suavizar sua imagem perante críticos mais conservadores, ao mesmo tempo em que mantinha sua base de fãs jovem engajada.

Além disso, Elvis continua fazendo apresentações ao vivo esporádicas, sempre acompanhadas de enorme entusiasmo do público. Sua presença nos palcos ainda provoca reações intensas, reforçando seu status de ídolo absoluto da juventude. Paralelamente, sua imagem pública segue sendo cuidadosamente administrada por Colonel Tom Parker, que equilibra controvérsia e popularidade com grande habilidade. Junho de 1957 mostra um Elvis no auge da produtividade, conseguindo conciliar cinema, música e apresentações com eficiência impressionante. Esse período consolida definitivamente o modelo de carreira que ele seguiria nos anos seguintes: lançamentos musicais associados a filmes, forte presença midiática e uma base de fãs cada vez maior e mais diversificada.

sexta-feira, 27 de março de 2026

Elvis Presley - Stereo 57 - Essential Elvis Volume 2

Na transição entre o vinil e o CD, a detentora dos direitos autorais de Elvis na época (a BMG da Alemanha) resolveu lançar uma nova coleção do cantor que pegou muitos fãs de surpresa. Para entender o impacto que esses discos tiveram (eles foram lançados tanto em versão vinil como Compact Disc) é interessante situar o leitor dentro do contexto histórico de seu lançamento. Estou falando de uma época particularmente ruim para quem gostava de Elvis, quando os discos em catálogo eram poucos e escassos, com raros LPs disponíveis aos fãs. Elvis parecia meio esquecido comercialmente, principalmente pela própria RCA que naquele momento deixava de existir, sendo incorporada por multinacionais estrangeiras.

No meio do limbo estava justamente a discografia de Elvis, sendo que ninguém ao certo sabia com quem iria parar os direitos de lançamento de seus títulos. Nesse meio termo realmente os álbuns de Elvis sumiram das lojas e isso em praticamente todo o mundo. Encontrar álbuns novos assim nas lojas, com tanto cuidado técnico, cheio de novidades e direção de arte de primeira qualidade, era algo realmente surpreendente. Eram certamente lançamentos caprichados, com capa dupla, bela direção de arte interna (que procurava capturar a essência dos discos originais de Elvis lançados na década de 1950), tudo embalado com tratamento sonoro de primeira linha. Várias gravações foram resgatadas dos velhos arquivos da RCA Victor em Nova Iorque. Eram takes realmente inéditos, algo que até aquele momento havia sido pouco explorado pela gravadora do cantor. Na realidade se formos pensar bem esses discos acabaram sendo se tornando o verdadeiro embrião da coleção FTD (Follow That Dream) que iria revolucionar a discografia de Elvis de maneira absoluta nos anos seguintes.

O vinil também tinha outra novidade interessante, mesclando faixas em Stereo com gravações Mono. Poucos sabem, mas quando essas gravações de Elvis chegaram pela primeira vez ao mercado (no ano de 1957) o Stereo era uma novidade absoluta no mercado fonográfico. O padrão era o Mono, pois esse sistema era o mais popular e difundido, principalmente por causa dos equipamentos de som que eram os mais comprados pelo consumidor médio. A experiência do Stereo exigia uma nova tecnologia de gravação, algo que a RCA já possuía naquela época porque afinal era uma das gravadoras mais ricas e dominantes do cenário comercial. Elvis realizou assim suas primeiras experiências no novo sistema justamente com essas faixas que estão no disco. A RCA para promover a novidade adotou o lema do "Living Stereo".

A seleção musical mistura várias canções que acabaram sendo usadas como bônus songs na trilha sonora do filme "Loving You" com canções gospel que fariam parte do compacto duplo "Peace In The Valley". Fora as músicas avulsas que foram lançadas como singles de grande sucesso - como o hit "All Shook Up" aqui em versão Mono, para que o ouvinte tivesse a exata sensação de como a música soava em seu lançamento, no compacto simples original. Para quem gostava de Elvis e boa música, não poderia mesmo haver nada melhor. Um grande lançamento que mudou para sempre a forma como as grandes gravadoras começariam a enxergar o legado de Elvis dentro do mercado atual.

Elvis Presley - Stereo 57 Essential Elvis Volume 2
1. I Beg Of You (Take 1)
2. Is It So Strange (Take 1)
3. Have I Told You Lately That I Love (Take 2)
4. It Is No Secret (What God Can Do) (Takes 1,2,3)
5. Blueberry Hill (Take 2)
6. Mean Woman Blues (Take 14)
7. There'll Be Peace In The Valley (Takes 2,3)
8. Have I Told You Lately I Love You (Take 6)
9. Blueberry Hill (Take 7)
10. That's When Your Heartaches Begin (Takes 4,5,6)
11. Is It So Strange (Takes 7,11)
12. I Beg Of You (Takes 6,8)
13. Peace In The Valley (Take 7)
14. Have I Told You Lately That I Love You (Takes 12,13)
15. I Beg Of You (Take 12)
16. I Believe (Take 4) (Bonus Mono Track)
17. Tell Me Why (Take 5) (Bonus Mono Track)
18. Got A Lot O' Livin' To Do! (Take 9) (Bonus Mono Track)
19. All Shook Up (Take 10) (Bonus Mono Track)
20. Take My Hand, Precious Lord (Take 14) (Bonus Mono Track)

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - Just For You - Letras

I Need You So (Ivory Joe Hunter) - I need you so / To keep me happy / If I can't have you / I cannot go on / I need your arms / Around me tightly / Yes, I miss them nightly / When you're not at home / When the day is done / I miss you so / I lie and wait / To hear you knock on the door / When you leave me / I try not to worry / Come back in a hurry / 'Cause I need you so / When the day is done / I miss you so / I lie and wait / To hear you knock on the door / When you leave me / I try not to worry / Come back in a hurry / 'Cause I need you so / (ASCAP) 2:37 - Data de gravação: 23 de fevereiro de 1957 - Local: Radio Recorders - Hollywood.

Have I Told You Lately That I Love You? (Scott Wiseman) - Have I told you lately that I love you? / Could I tell you once again somehow? / Have I told with all my heart and soul how I adore you? / Well darling I’m telling you now / Have I told you lately when I’m sleeping / Every dream I dream is you somehow? / Have I told you why the nights are long / When you're not with me? / Well darling I’m telling you now / My heart would break in two if I should lose you / I’m no good without you anyhow / And have I told you lately that I love you / Well darling I’m telling you now / My heart would break in two if I should lose you / I’m no good without you anyhow / And have I told you lately that I love you / Well darling I’m telling you now / My heart would break in two if I should lose you / I’m no good without you anyhow / And have I told you lately that I love you / Well darling I’m telling you now / Well darling I’m telling you now / (ASCAP) 2:31 - Data de gravação: 19 de janeiro de 1957 - Local: Radio Recorders - Hollywood.

Blueberry Hill (Lewis / Stock / Rose) - I found my thrill on blueberry hill / On blueberry hill when I found you / The moon stood still on blueberry hill / And lingered until my dreams came true / The wind in the willow played / Love's sweet melody / But all of those vows we made / Were never to be / Tho' we're apart, you're part of me still / For you were my thrill on blueberry hill / The wind in the willow played / Love's sweet melody / But all of those vows we made / Were never to be / Tho' we're apart, you're part of me still / For you were my thrill on blueberry hill / (ASCAP) 2:39 - Data de gravação: 19 de janeiro de 1957 - Local: Radio Recorders - Hollywood.

Is It So Strange (Faron Young) - Oh, if you tell a lie / You know that I'll forgive you / Though you say our love is just a game / And when you hear my name / You'll say I'm from a strange world / But is it so strange to be in love with you / Is it so strange / That I love you more than all the world / Is it so strange / I have no eyes for another girl / Oh won't you take me back / And say that you still love me / To waste a love like ours would be a sin / Let us kiss again / Let me hold you near / And take me from this strange world / That I'm living in / (Elvis Presley Music, BMI) 2:28 - Data de gravação: 19 de janeiro de 1957 - Local: Radio Recorders, Hollywood.

Elvis Presley – Just For You (1957) / Elvis Presley (voz e violão) / Scotty Moore (guitarra) / Bill Black (baixo) / D.J.Fontana (bateria) / Gordon Stoker (piano) / Dudley Brooks (piano) / Hoyt Hawkins (órgão) / Jordanaires (acompanhamento vocal) / Produzido por Steve Sholes / Arranjado por Elvis Presley e Steve Sholes / Gravado nos estúdios Radio Recorders - Hollywood / Data de Gravação: 18 e 19 de janeiro de 1957 / Data de Lançamento: abril de 1957 / Melhor posição nas charts: #2 (EUA) # - (UK).

Pablo Aluísio.