sábado, 18 de abril de 2026
Elvis Presley - Jailhouse Rock / Treat Me Nice
O nome Elvis Presley significava vendas certas, um nome de ouro para indústria fonográfica dos anos 1950. De fato, por essa época de sua carreira Elvis estava literalmente no topo do mundo. Seus discos vendiam como nunca, seus shows tinham lotação esgotada semanas antes da apresentação e ele emplacava uma carreira no cinema. Com tanto dinheiro entrando, Elvis resolveu sair de sua casa nos subúrbios de Memphis para comprar uma luxuosa mansão no mais puro estilo sulista de Graceland. Viver em sua residência anterior havia se tornado impossível pois não havia segurança nem para ele e nem para sua família. As fãs mais exaltadas estavam sempre pulando as cercanias da casa e procurando por privacidade Elvis resolveu então comprar a mansão Graceland por pouco mais de 100 mil dólares. Era uma forma de ter novamente privacidade.
Se Elvis estava ficando cada vez mais rico e famoso, o mesmo não se podia dizer de seu grupo musical. Scotty Moore e Bill Black estavam muito insatisfeitos com o que estava acontecendo. Embora estivessem no grupo musical mais famoso do mundo, o fato é que isso não significou uma melhora em seus padrões de vida. Eles ganhavam pouco e o Coronel Parker não parecia disposto a lhes dar um aumento de salário. Não havia retorno financeiro para eles e nem reconhecimento pelo trabalho que faziam. Bill Black, por exemplo, continuava a morar numa modesta casa de subúrbio em Memphis. Seu carro era de segunda mão e com família numerosa as contas não paravam de crescer.
Elvis havia sido leal com eles, mesmo com a pressão de Tom Parker para contratar outros músicos, mas a grana nunca chegava para os seus músicos. Elvis resolveu seguir com seu trio da época da Sun Records mas isso não significou uma melhoria de vida para todos eles. Para piorar os nomes deles sumiram dos discos. Na época da Sun os nomes de Scotty e Bill sempre eram creditados nos compactos, mas não na RCA. Apenas o grupo vocal de apoio The Jordanaires era creditado nas contracapas dos álbuns de Elvis. O resto era simplesmente ignorado. Em vista disso o ressentimento foi crescendo dentro do conjunto. O problema é que todas essas questões acabaram criando uma certa tensão entre todos eles. Os músicos liam no jornal que Elvis estava vendendo 10 milhões de cópias de um compacto como esse, mas suas vidas continuavam na mesma dureza de antes.
Elvis ficava cada vez mais milionário enquanto seus antigos colegas de banda continuavam com o mesmo salário dos tempos da Sun Records. Scotty Moore resumiu bem a situação: "Os vendedores de pipocas nos shows de Elvis ganhavam mais do que a gente. Era ridículo o nosso pagamento!". No fim das sessões de "Jailhouse Rock" Bill Black puxou Elvis de lado para expor os problemas. Elvis se mostrou surpreso com a situação e disse que falaria com o Coronel Parker sobre o que estava acontecendo com eles. O empresário tentou ainda escapar de um encontro direto com os rapazes o que adiou um pouco a saída deles, mas os Blue Moon Boys estavam mesmo com os dias contados. Bill Black participaria de apenas mais algumas sessões antes de abandonar definitivamente Elvis. Scotty Moore também estava prestes a desistir. Para piorar o serviço militar continuava no pé de Elvis e ele provavelmente não escaparia de servir o exército americano. Apesar de todo o sucesso e glória havia de fato muitas sombras no ar naquele momento. Porém o exército era uma realidade muito distante para Elvis e por isso ele seguia fazendo sucesso com seus discos e com seu novo filme a chegar nas telas, "Jailhouse Rock", que no Brasil recebeu o sugestivo título de "O Prisioneiro do Rock".
Pablo Aluísio.
quarta-feira, 15 de abril de 2026
Elvis Presley - Jailhouse Rock (EP)
terça-feira, 14 de abril de 2026
Elvis Presley - Jailhouse Rock - Parte 4
sexta-feira, 10 de abril de 2026
Elvis Presley - Jailhouse Rock - Parte 3
Nesse dia Elvis gravou diferentes versões de "Jailhouse Rock" para ser usada no filme e no vinil, no disco oficial. Nessa mesma ocasião ele ainda trabalhou nas primeiras versões de "Treat Me Nice". A intenção era gravar logo as duas músicas que iriam fazer parte do primeiro single do filme. Obviamente foi um dos discos mais vendidos de toda a carreira de Elvis. Um marco de sucesso na indústria fonográfica da época. Nunca se vira tantos pedidos antecipados de um artista na história. A RCA colocou suas fábricas empenhadas em produzir as cópias em ritmo acelerado. E quando chegou no mercado, em poucos dias, ultrapassou a marca de um milhão de cópias vendidas. Um sucesso absoluto.
Para finalizar esse dia Elvis se empenhou em terminar as diferentes versões de uma bela balada chamada "Young and Beautiful". É interessante salientar que esse tipo de coisa, de gravar versões diferentes para uma mesma música, sendo algumas usadas no filme e outras nos discos, iria ser abandonada por Elvis e banda. Dava muito trabaho. Era melhor gravar apenas uma versão definitiva e isso já estava de bom tamanho. Nas cenas dos filmes Elvis iria apenas fazer playback. De qualquer modo a versão oficial, a que foi lançada em vinil, era uma das mais bonitas músicas românticas dessa fase da carreira de Elvis.
E as diferentes versões também foram renomeadas pelo produtor da sessão. Por exemplo, "Young and Beautiful" foi chamada de "versão oficial", "solo version" e "Florita Club version". O mesmo aconteceu com as demais. O produtor Jeffrey Alexander era considerado um sujeito bem obcecado por organização. Por fim uma dúvida interessante: quem tocou guitarra em "Young and Beautiful"? O próprio Scotty Moore anos depois iria dizer que não havia sido ele, que ele não tinha tocado nessa faixa. Seria a única que ele não tocaria nessa trilha sonora. O único outro músico creditado nas sessões tocando guitarra e violão nessa sessão de gravação foi Elvis. Teria sido ele o guitarrista dessa gravação? Em minha opinião, sim. Tanto que anos depois Elvis voltaria a tocar guitarra numa versão improvisada (e bonita) dessa mesma música nas sessões de ensaio de 1972 para o filme "Elvis On Tour".
Pablo Aluísio.







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