quinta-feira, 19 de março de 2026

Elvis Presley - Entrevista no Canadá, 1957

Durante sua turnê pelo Canadá Elvis conversou com a imprensa Canadense (que será identificada pela sigla IC daqui em diante). A seguir trechos de perguntas e respostas realizadas durante entrevistas do cantor no país. E aí Elvis, o que foi que você disse mesmo?

IC: É a sua primeira vez no Canadá?

Elvis: Sim. É a minha primeira viagem para o Canadá.

IC: Qual é a sua primeira impressão de nosso país?

Elvis: Bom, eu estava me apresentando em Toronto na noite passada e fiquei realmente surpreso com a reação do público, o quão maravilhoso ele é. A platéia foi tão amigável, as pessoas dessa parte do Canadá realmente são ótimas.

IC: Elas certamente o esperavam há muito tempo.

Elvis: Eu estava querendo cantar aqui. Quando soube da minha nova turnê eu disse aos organizadores que eu queria ir até o Canadá. Na realidade venho tentando há mais de um ano mas eles achavam que eu ainda não era suficientemente conhecido por aqui. Um ano e meio atrás as pessoas não me conheciam o suficiente. 

IC: Isso parece inacreditável!

Elvis: Pois é, mas depois perceberam que eu poderia dar certo por aqui.

IC: Não há dúvida sobre isso agora! Elvis você certamente já é mais popular que Frank Sinatra em seu auge.

Elvis: ...

IC: Elvis você tem consciência de sua importância no show business?

Elvis: Sim, eu tenho. Só que eu não gosto de pensar muito sobre isso. Eu tenho medo de descobrir o tamanho que isso tudo tomou...

IC: Você recentemente construiu uma casa própria?

Elvis: Bem, eu não a construí, só a comprei. É uma bela propriedade (Elvis se refere a Graceland) Fica a cerca de dez Km de onde eu moro agora (em Audubon Drive). Tínhamos que encontrar um lugar maior já que eu tenho tanto lixo acumulado de todos esses anos! (risos). Eu já não sabia onde colocar aquilo tudo (risos)

IC: Você vai morar com seus pais lá?

Elvis: Sim.

IC: Você é apenas uma criança não é mesmo?

Elvis: Sim, senhor. (risos)

IC: Elvis você está namorando atualmente?

Elvis: Sim, mas não há nenhuma garota em especial. Quer dizer, quando estou em Memphis vejo algumas garotas por lá, mas nada sério ou especial.

IC: Você gostaria de casar um dia?

Elvis: Provavelmente sim, algum dia.

IC: Você acha que um casamento abalaria sua popularidade entre as fãs?

Elvis: Provavelmente sim. Mas não se preocupem com isso, eu não tenho qualquer plano de casamento. Eu ainda não conheci uma pessoa tão especial assim para pensar nisso.

IC: O que você acha de seu estilo de cantar? Você foi muito influenciado pela música country ou pop? Ou acredita que foi influenciado por ambos?

Elvis: Eu gosto de ambos mas eu gosto mais de Rock ´n´ Roll do que qualquer outra coisa. Rock é a música que eu coloco mais de mim mesmo.

IC: Você gostaria de deixar alguma mensagem para seus fãs canadenses?

Elvis: Claro. Eu gostaria de dizer que adorei profundamente o público canadense. Toronto, Ottawa, Montreal, recebi cartas maravilhosas de todos esses lugares e queria agradecer. Ultimamente tenho recebido mais mensagens desses locais do que em qualquer outro lugar dos Estados Unidos.

IC: Isso é Maravilhoso!

Elvis: Eu não estou dizendo isso apenas porque estou aqui no Canadá. É verdade, e essa foi uma das razões porque eu sempre quis vir aqui nesse país, para retribuir a todos que enviaram cartas e presentes. São tantas que mal posso contar.

IC: Isso deve fazer seus fãs felizes. Foi um prazer falar com você, Elvis.

Elvis: Muito obrigado.

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 13 de março de 2026

Elvis Presley - Entrevista, 1957 - Parte 2

Imprensa: O que é este lindo anel em sua mão esquerda?

Elvis Presley: É uma estrela de safira. Uma garota me deu esse anel na Califórnia.

Imprensa: Elvis, você fuma maconha para ajudá-lo a entrar em transe, antes do show?

Elvis Presley: (Elvis dá uma risada debochada)

Imprensa: O que é mais difícil para você? Fazer filmes, TV ou colocar o pé na estrada para fazer shows?

Elvis Presley: Bem, viajar é a parte mais dura. É realmente difícil. Você está numa cidade, faz um show, sai de cena, entra no carro e vai para a próxima cidade e tudo se repete mais uma vez. É cansativo.

Imprensa: Após o show, como você gosta de relaxar?

Elvis Presley: Bem, vamos tomar por base o show que fiz na noite passada. Fizemos um show em Vancouver e não consegui dormir até por volta das dez horas de hoje. Você simplesmente fica ligado demais para poder conseguir dormir. Tudo estava acertado para que eu chegasse hoje em Los Angeles, mas tudo ficou atrasado por causa desse show da noite anterior.

Imprensa: O que você faz antes de um show para diminuir a carga de excitação e tensão?

Elvis Presley: Eu apenas ando de um lugar a outro, bem devagar...

Imprensa: Queria dar-lhe uma oportunidade para defender-se de uma série de boatos a seu respeito que têm sido publicados. Seu estilo de dançar enquanto canta tem sido selvagemente criticado, mesmo por críticos costumeiramente gentis. Você tem algo a dizer contra eles?

Elvis Presley: Não, não mesmo. É apenas seu trabalho e eles o fazem.

Imprensa: Como você sente a reação dos jovens em relação a você, especialmente garotas? Elas sabem quem você é e daí por diante?

Elvis Presley: Bem, (risos) esta é uma pergunta um tanto quanto difícil...

Imprensa: Isto é realmente uma pergunta difícil, Elvis, porque todos sabem que a platéia fica louca por você. Existe algum tipo de relacionamento entre você e suas fãs?

Elvis Presley: Sim, convivo realmente bem com elas. Com todos os meus fãs. Na realidade, quando termino meu trabalho e vou para casa, eles me acompanham... trazem suas famílias, acampam ao redor de Graceland, principalmente nos finais de semana... e tiram fotos comigo.

Imprensa: Deve ser algo bem excitante.

Elvis Presley: É, sim, muito excitante e legal. É uma coisa saudável.

Imprensa: Você acha que o rock'n'roll e sua popularidade vão diminuir enquanto você estiver no exército?

Elvis Presley: É difícil dizer. Tudo que posso dizer é que espero que não...

Imprensa: Para você será um alívio se ver livre de caçadores de autógrafos e garotas histéricas?

Elvis Presley: Não. Quando você se acostuma a isso e ninguém chega para pedir autógrafos ou se ninguém o incomoda, você começa a se preocupar. Conforme eles começam a chegar, você sabe que eles ainda gostam de você, e isso o faz sentir-se bem.

Imprensa: Tivemos conhecimento de que você chegou às vias de fato com algumas pessoas. O que lemos nos jornais é verdade?

Elvis Presley: Sim senhor, eu imagino.

Imprensa: O que aconteceu? Você perdeu a paciência?

Elvis Presley: Foi somente um caso de bater ou apanhar, você sabe.

Imprensa: O que quem começado esses incidentes na maioria das vezes?

Elvis Presley: Alguém me bate ou tenta me bater. Quero dizer, posso aceitar tentativas de me ridicularizarem ou me caluniarem, inventam nomes e os dizem na minha cara e por aí vai. Contudo, alguns caras chegam e tentam me atingir. Naturalmente não posso ficar parado.

Imprensa: Qual é o seu esporte favorito Elvis?

Elvis Presley: Football (logicamente Elvis se refere ao futebol americano)

Imprensa: Você gosta de jogar Football?

Elvis Presley: Sim.

Imprensa: Onde foram tiradas aquelas fotos suas jogando football e que foram publicadas na revista de um fã clube?

Elvis Presley: Elas foram tiradas num campo perto de casa.

Imprensa: Fora dos limites de Memphis?

Elvis Presley: Sim.

Imprensa: E quanto a sua famosa coleção de Teddy Bears?

Elvis Presley: Ah! Isso tudo começou por causa de um boato. Foi publicado um artigo segundo o qual eu colecionava ursinhos de pelúcia e então me vi em um mar de ursinhos dados pelos fãs, teddys de todos os tipos. Na verdade, eu os guardo porque as pessoas me dão de presente, mas nunca cheguei nem mesmo perto de pensar em colecioná-los, em nenhum momento de minha vida.

Imprensa: Você gosta deles agora porque os tem ou apenas os guarda?

Elvis Presley: Eu os guardo. Tenho todos espalhados pelas paredes e cadeiras em toda a casa.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 10 de março de 2026

Elvis Presley - Entrevista, 1957 - Parte 1

Entrevista do jovem cantor Elvis Presley durante sua turnê no Canadá em 1957. Na ocasião ninguém sabia mas aquela seria sua primeira e última turnê de shows internacionais, fora dos Estados Unidos.

Imprensa: Você lê tudo o que se publica sobre você na imprensa?

Elvis Presley: Não, se eu puder evitar.

Imprensa: Você costuma arquivar reportagens?

Elvis Presley: Somente as boas.

Imprensa: Que tipo de adolescente foi você? Você considera que foi bem comportado?

Elvis Presley: Sim. Fui criado num lar muito decente e tudo o mais. Meus pais sempre me ensinaram a comportar-me, quer eu quisesse ou não.

Imprensa: O que você faz com quatro cadillacs?

Elvis Presley: Não sei. Nunca tive uso para os quatro.

Imprensa: Você deu um deles a sua mãe, não é verdade?

Elvis Presley: Tudo o que é meu é deles. Planejo ter sete, quero dizer, desejo ter sete... Estive pensando num lote de carros usados Presley.

Imprensa: Sabemos que você comprou uma casa para seus pais e, embora seu pai tenha apenas 39 anos, você insistiu para que ele se aposentasse. Isto é verdade?

Elvis Presley: Sim, ele pode ajudar mais em casa, porque pode tomar conta dos meus negócios e olhar tudo, enquanto eu não estiver por perto.

Imprensa: Você causa uma histeria em seu jovem público. Quando você dança se movimenta de uma forma diferente, não é uma reação involuntária à reação da platéia?

Elvis Presley: Involuntária? Estou sempre ciente daquilo que faço, mas é apenas como me sinto.

Imprensa: Estávamos comparando a reação de seu público com, por exemplo, um jogador de futebol que atua melhor como resposta ao incentivo da torcida.

Elvis Presley: Está Certo. Acho que todo artista melhora seu desempenho quando percebe que está agradando.

Imprensa: Falando sobre canções religiosas, se você lançar um LP ou single, que música incluirá ? Você já pensou sobre isso ? Já conhece algum gospel?

Elvis Presley: Conheço praticamente cada canção religiosa já escrita.

Imprensa: O que você acha de Pat Boone ?

Elvis Presley: Acho que é, sem dúvida, a melhor voz do momento, especialmente em músicas românticas. Não estou dizendo isso só por dizer, mas realmente penso assim. Boone gravava antes de mim e compro seus discos desde então.

Imprensa: Que chances você acha que uma cantora teria de conseguir figurar entre as dez mais das paradas de sucesso ?

Elvis Presley: Você está se referindo a alguma cantora em especial ?

Imprensa: Não, de cantoras em geral.

Elvis Presley: Não sei. Ainda não vi nenhuma. Acredito que isso vai depender de tipo de músicas que elas cantem. Aquilo que você grava pode levantá-lo ou derrubá-lo. Se você canta uma boa música, ela vai vender, se apresentar um material ruim, não.

Imprensa: Qual é a sua cantora favorita no momento ?

Elvis Presley: Patti Page e Kay Star.

Imprensa: Qual é a sua canção favorita dentre todas que já gravou ?

Elvis Presley: Don't Be Cruel.

Imprensa: Andaram dizendo que as únicas extravagâncias são seus carros. Isto é verdade ?

Elvis Presley: Sim, é verdade. Nunca pensei quanto extravagante isso é, porque tenho muitos carros, quero dizer, ninguém os dirige. Eles ficam parados lá até os pneus murcharem. Na verdade eu não preciso de quatro. Foi só uma loucura.

Imprensa: E quanto às suas camisas ?

Elvis Presley: Vou dizer-lhe o que fiz outro dia. Tenho um pequeno carro alemão, um Messerschmidt, e havia um cara que durante o ano passado quis muito esse carro. Ele tem uma loja de roupas, uma das melhores de Memphis. Hoje fui lá e disse-lhe: "Você tem desejado muito esse carro, não é? Pois vou oferecer-lhe um negócio. Deixe me pegar todas as roupas que quero" Assim fiquei por lá por cerca de duas horas e meia e esvaziei a loja em troca do carro.

Imprensa: Alguma coisa mais que queira nos dizer?

Elvis Presley: Bem, gostaria de dizer que agradeço toda a ajuda que vocês têm me dado e quero dizer o quanto adoro essas pessoas maravilhosas que têm escrito sobre mim, comprando meus discos, assistindo meus shows. Afinal, o que importa é o público. Ele o levanta ou o derruba. Quero entreter as pessoas. Por toda a vida - até meus últimos suspiros. Mais do que tudo, quero ser bom ator. Do tipo destes que estão por aí há tanto tempo. Mas, não quero parar de cantar nunca. Quando a música começa, eu tenho que me movimentar.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 6 de março de 2026

Uma Carta do Elvis

O Rock'n'Roll está por aí há muitos anos. Era chamado de Rhynthm and Blues e tanto quanto possa me lembrar sempre foi grande, embora nos últimos cinco anos tenha se tornado ainda maior. Na verdade o Rock é a fusão de outros estilos como Country, Gospel e Blues. Não acho que o Rock vá morrer completamente porque terão que apresentar algo ainda melhor para tomar seu lugar. Se você sente e gosta de Rock'n'Roll, não pode evitá-lo e sim, dançar com ele. Isto é o que acontece comigo, não posso evitá-lo. Não vejo como qualquer tipo de música possa causar má influência nas pessoas. É somente música.

Não posso conceber essa idéia. Muitos jornais dizem que o Rock é um grande fator de influência no aumento da delinqüência juvenil, mas não vejo como a música possa ter algo a ver com isso. Quero dizer, como o Rock'n'Roll pode fazer alguém se rebelar contra os pais? Tenho sido o culpado por tudo o que acontece de errado neste país, de que tenho dado idéias aos jovens, seja lá o que for que queiram dizer com isso. Dizem que sou vulgar. Não faria nada de vulgar na frente de quem quer que seja, principalmente de adolescentes e crianças. Meus amigos não falam de mim assim.

Não faço nada de mais em meu trabalho. Apenas me movimento de acordo com o ritmo, de acordo com o tempo da música. Se ouço um boa música eu tenho de me movimentar. Se algum dia eu ficar parado em um palco, será porque estou morto. Sinatra atacou a música jovem há alguns dias atrás. Disse que "os entusiastas do Rock'n'Roll são simplesmente um bando de valentões cretinos e o rock era a música marcial de todo delinqüente com costeletas na face da terra". Ele tem o direito de pensar o que quer, mas não posso permitir-lhe que vá ofendendo Deus e todo o mundo, sem razão plausível. Eu não malharia Frank Sinatra. Gosto muito dele. Se bem me lembro, também ele fazia parte de uma certa tendência que se parecia exatamente com o Rock'n'Roll. Acho que o Rock'n'Roll é uma música fantástica. Não consigo entender isso.

Para mim, delinqüência juvenil significa roubar, apunhalar e assim por diante. Não fiz nada para que me acusassem disso e jamais incentivarei um estilo de vida como esse para que os outros o seguissem. Sempre procuro levar uma vida pessoal digna que lhes dê um bom exemplo. Sempre penso nisso. É difícil explicar o Rock'n'Roll, a energia dessa música. Não é o que se chama de música folk. É a batida que leva você, você a sente. Esse sentimento vem desde os meus primeiros shows e espero nunca perdê-lo. Quando você se apresenta tem que mostrar algo para o público. As pessoas podem comprar seus discos e ouvi-los cantar e não têm que sair de casa para isso.

Você tem que fazer um show que movimente a platéia. Se eu simplesmente subisse no palco e cantasse sem mover-me, as pessoas diriam: - "posso ficar em casa e ouvir seus discos" Você tem que lhes dar um show, algo que possam comentar: - "Uau, Demais!" Tive realmente muita sorte, muita sorte mesmo. Acontece que apareci numa época em que a música e o seu ramo de negócios estavam sem rumo ou tendência. Tive muita sorte. As pessoas procuravam por algo diferente e eu tive sorte de chegar na hora certa. Hoje a música já tem um rumo certo e ele se chama "Rock'n'Roll".

Elvis A. Presley.

terça-feira, 3 de março de 2026

Elvis Presley - All Shook Up / That's When Your Heartaches Begin

Como a RCA Victor estava sem material para lançamentos, Elvis entrou em estúdio logo em janeiro de 1957 para novas sessões. As gravações aconteceram no Radio Recorders, o preferido de Elvis na costa oeste. Desde quando começou a trabalhar na RCA, Elvis sempre escolhia o local por ter bom equipamento de gravação e acomodações acolhedoras. Dessa vez o principal objetivo era gravar novas músicas para um single a ser lançado o mais rapidamente possível. Elvis chegou com sua turma e começou a ouvir as sugestões do produtor. As músicas de demonstração eram passadas para ele escolher as que mais lhe agradava. 

Essa acabaria sendo a sua forma de trabalhar até o fim de sua carreira. As músicas eram reproduzidas para sua audição, caso Elvis gostasse de alguma, mandava separar e ao final com seis ou oito canções escolhidas ele se dirigia ao microfone e dava seu sinal de OK. Os microfones eram ligados e as sessões começavam de fato. Geralmente Elvis ouvia as demos sentado em uma confortável cadeira no centro do estúdio com um refrigerante em mãos, geralmente uma Pepsi, sua marca preferida. Nesse dia em particular Elvis resolveu tentar algo diferente. Iniciou com a canção gospel “I Believe”. Depois tentou a balada "Tell Me Why". Só no final da sessão é que se mostrou disposto a gravar a canção "All Shook Up". Era o que os produtores da RCA queriam.

A música escrita por Otis Blackwell caía como uma luva para o gosto dos jovens da época. Tinha um excelente ritmo, com muito swing, e uma letra que certamente criaria uma identificação imediata com a juventude. Era praticamente uma gíria que logo cairia na boca dos fãs de Elvis. Embora o cantor fosse creditado depois como um dos autores da música, a verdade é que novamente pouco participou da criação da canção. Apenas deu uma ideia para o que seria um bom refrão, daqueles bem pegajosos, que grudam na cabeça do ouvinte. Sugeriu a expressão “All Shook Up” se referindo obviamente a um estado de excitação, movimento, inquietação. O próprio cantor inclusive explicou depois em uma entrevista que só havia dado ideia para uma única música em toda sua vida e era justamente essa, “All Shook Up”. Ele havia tido um sonho estranho, onde não parava quieto e quando acordou imaginou que poderia sair uma música dali. Alguns historiadores porém acham que embora não estivesse mentindo a música já existia desde 1956 e tinha apenas sido retocada por Blackwell para que Elvis a gravasse depois.

Um fato curioso é que "All Shook Up" iria mudar com os anos. A versão original do compacto tem uma melodia com levada de jazz e swing, mas quando Elvis a levou para os palcos a partir de 1969 ela ganharia muito mais velocidade, se transformando em um rock vibrante, com pouca identidade com a gravação original. O lado B do single veio com a baladona “That's When Your Heartaches Begin”. A canção foi incluída praticamente como “tapa buraco” pois a RCA não tinha a menor intenção de trabalhar em cima dela. Era uma velha balada romântica, sem muito potencial comercial, que só foi gravada por Elvis porque ele a tentava gravar adequadamente desde os tempos da Sun. Como lado B de All Shook Up já estava bem posicionada. All Shook Up virou um tremendo sucesso em seu lançamento e seria o primeiro de quatro singles campeões nas paradas que Elvis iria emplacar de forma consecutiva. De fato esse foi um de seus períodos mais bem sucedidos em termos comerciais. Seus singles eram dados como certos no topo das paradas e tinham pré vendas de mais de um milhão de exemplares. Algo inédito para a RCA. All Shook Up chegou ao primeiro lugar na Billboard Top 100 em abril de 1957 tirando a canção “Round and Round” de Perry Como da primeira posição. No saldo final deu a Elvis Presley mais dois discos de platina. Um êxito comercial absoluto. Nada mal para o que era apenas um sonho agitado de fim de noite.

Pablo Aluísio.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Elvis Presley - Elvis e Yvonne Lime

Elvis conheceu Yvonne Lime no set de filmagens de Loving You. Filmes assim, com muitos jovens em cena, exigiam uma quantidade extra de “gatinhas” para figuração. Yvonne era uma delas. Ao contrário das demais não ficou se atirando em cima de Elvis o tempo todo durante as gravações o que talvez tenha chamado sua atenção. Após alguns desencontros entre uma cena e outra Elvis finalmente conseguiu ficar a sós com ela. Começou aí um dos milhares de “namoricos” que Elvis teria com tietes e atrizinhas nos estúdios de Hollywood, onde passaria grande parte de seu tempo a partir de agora. O curioso em relação a Yvonne é que Elvis parece ter se afeiçoado bem a ela, ao ponto inclusive de levá-la para Memphis na Páscoa de 1957 para que ela conhecesse seus pais – e tudo isso bem debaixo do nariz de Anita Wood!

Logo ambos estavam em um namorinho do tipo “chove não molha”. Ela vinha e ia de acordo com a vontade de Elvis. Yvonne por sua vez não deixou de reparar algumas coisas curiosas no modo de ser do namorado. Ao contrário de todo jovem americano que assim que entra na maioridade fica louco para ir embora morar sozinho, Elvis não tinha qualquer plano nesse sentido. Ele adorava seus pais e não tinha a menor intenção de ir morar longe de sua mãe Gladys. Outro detalhe que chamou atenção em Yvonne era o gosto musical do namorado. Na época em que Elvis era considerado o roqueiro número 1 do mundo ele simplesmente não ouvia nada do gênero em casa. Na coleção de LPs de vinil do Rei do Rock simplesmente não havia discos de rock. Ao invés disso Elvis passava horas ouvindo música gospel em sua recente vitrola (ou victrola), dada de presente por sua gravadora, a RCA Victor. Quando dava um tempo nas músicas religiosas Elvis sintonizava a estação country de Memphis.

O cantor também tinha criado fascinação por motos e cinema. De fato seu programa preferido nas horas de lazer era assistir algum filme no cinema local durante as madrugadas – Elvis invariavelmente tinha que pagar do próprio bolso o projetista pois poucos topavam passar a noite trabalhando para um único espectador. A grande quantidade de caras ao redor de Elvis também deixou a atriz surpresa. Onde quer que ia Elvis se via acompanhado por seis, dez, algumas vezes até doze amigos a tiracolo. Nessas ocasiões tudo era pago pelo cantor – da entrada do cinema ao refrigerante consumido por seus amigos. Se Elvis ria, todo mundo ria, se ele ficava sério, todo mundo ficava em silêncio. Se pedisse um refrigerante os caras se atropelavam entre si para ver quem pegava a garrafa primeiro. Yvonne logo percebeu que a maioria deles eram simples puxa-sacos. Era o começo daquilo que anos depois ele iria chamar de Máfia de Memphis.

O breve romance de Yvonne e Elvis terminou de forma abrupta depois que ela de volta a Hollywood confessou a uma revista de fofocas que estava namorando ele. Elvis sentiu-se traído e em sua concepção Yvonne havia ultrapassado uma linha que ele não admitia ser transposta – aquela que revelava algum aspecto de sua vida pessoal para a grande imprensa. Quando Elvis “descurtia” alguém não tinha mais volta e assim Yvonne deixou de fazer parte de seu círculo íntimo. Foi descartada.

Yvonne só veria Elvis pessoalmente novamente na década de 70. Em 1975 ela e o seu segundo marido foram a Las Vegas assistir a uma apresentação do cantor. Depois  usando de sua influência como atriz de cinema conseguiu encontrar Elvis nos bastidores. Ela não gostou nada do que viu. Elvis estava muito acima do peso e parecia meio desnorteado, sem saber direito quem ela era. Só depois de apresentados é que ele finalmente se lembrou: “Ah, é você! Como tem passado querida?”. Cordial e educado Elvis procurou ser, como sempre, um exemplo da velha educação sulista. Perguntou como estavam as coisas e depois se desculpando disse que teria que ir embora pois tinha “compromissos demais para uma só pessoa”. Essa seria a última vez que Yvonne veria Elvis Presley pessoalmente. Em 1977 ela soube da morte de Elvis pois na TV não se falava de outra coisa. Ficou obviamente chocada mas não muito surpresa pois o estado de saúde de Elvis era sempre comentado no meio artístico de Los Angeles. Muitos anos depois ainda tencionou visitar Graceland que agora tinha visitação pública aberta mas desistiu de última hora. Para quem teve o privilégio de ser uma pessoa tão próxima dele em vida não havia muito sentido em visitar agora a velha e solitária mansão.

Pablo Aluísio.

Elvis e sua Roupa Dourada

Após terminar seu filme "Loving You" (a mulher que eu amo, 1957), Elvis fez uma apresentação no International Amphitheater em Chicago no dia 24 de março de 1957. Na ocasião o cantor usou a famosa "Gold Leaf" pela primeira vez. A roupa toda dourada foi uma criação do estilista Nudie Cohen. Seu nome, folha dourada ou folha de ouro, aliás era bem adequada para o momento de Elvis em sua carreira pois ele estava mesmo colecionando discos de ouro, um atrás do outro! Cinco dias depois o cantor voltava ao palco no Kiel Auditorium em St. Louis, no repertório seus maiores hits no momento, "All Shook Up", "Don't be Cruel" entre outras. E novamente lá estava ele, todo dourado, diante de suas fãs histéricas.

Esta famosa roupa, a "Gold Leaf", apareceu na capa do disco "Elvis Golden Records vol 2". Este é um disco que reúne os principais singles de sucesso de Elvis Presley no período em que ele estava servindo o exército na Alemanha. Na minha modesta opinião é o melhor trabalho musical roqueiro de toda a carreira do cantor. As canções aqui presentes são simplesmente o melhor exemplo do Rock'n'Roll de Elvis nos anos 50. Foi lançado em dezembro de 1959 marcando a despedida do rei aos melhores anos de sua trajetória artística. E pra (não) variar foi também premiado com disco de ouro poucos dias depois de chegar nas lojas. 

Imortalizada na capa do disco, a roupa não iria muito longe nos concertos ao vivo. O figurino iria ser usado poucas vezes por Elvis. Ele ainda a usaria nos shows no Canadá em 1957, mas nessas ocasiões Elvis reclamaria que tinha literalmente torrado dentro dela. Era uma roupa de show muito bonita, mas muito quente. E quando Elvis surgia embaixo de fortes holofotes, a temperatura se tornava insuportável para ele. Depois disso Elvis meio que a abandonaria para sempre, a levando para Graceland, onde foi devidamente guardada por anos e anos, só reaparecendo para os fãs em momentos de exposições, etc. Afinal apesar de Elvis ter usado a vestimenta por pouco tempo, ela ficaria para sempre guardada na memória dos fãs, ainda mais por aparecer na capa de um de seus mais populares e famosos álbuns de rock dos anos 50. Hoje a peça se encontra permanentemente em exposição em Graceland, para deleite dos fãs de roupas icônicas da história do rock.

Pablo Aluísio.