Foi justamente na época em que servia o exército americano na Alemanha que Elvis finalmente encontrou a mulher de seus sonhos. Era Priscilla Ann Beaulieu, filha de um oficial da força aérea que também cumpria seu serviço militar numa base próxima à que Elvis estava estacionado. Foi Currie Grant quem trouxe Priscilla para passar uma noite na casa de Elvis. Como se sabe o cantor gostava de relaxar após mais um dia no quartel, sentava ao piano, cantava algumas músicas ou então ficava ouvindo o rádio ou sua vitrola com os últimos lançamentos nos Estados Unidos.
No começo Priscilla viu o convite como algo curioso, uma noite diferente para contar para suas amigas que tinham ficado nos Estados Unidos, até porque não era todo dia que se podia conhecer uma celebridade como Elvis Presley. Ela inclusive achava que Elvis mal iria reparar em sua presença. Jovem como era, não iria chamar atenção. Afinal Priscilla não passava de uma adolescente sem grandes coisas a conversar com aquele que era considerado o maior cantor do mundo. Só havia uma coisa que ela não podia prever, a de que Elvis iria se interessar muito por ela!
Depois de pedir autorização aos pais dela, pois Priscilla ainda era menor de idade, Currie conseguiu levá-la finalmente para conhecer Elvis. A viagem curta entre as cidades de Weisbaden e Bad Nauheim foi realizado praticamente em silêncio. Priscilla era uma jovem introvertida. Era filha de um militar, essa era a explicação para o seu modo de agir. O primeiro encontro se deu de forma mais casual possível. Currie levou Priscilla para conhecer Elvis em sua casa em Bad Nauheim. Não era uma festa nem nada parecido, apenas mais uma reunião informal como tantas outras que Elvis promovia em sua casa todas as noites.
Ele estava bem à vontade quando Priscilla chegou. Ela já havia ficado surpresa quando finalmente parou em frente de sua casa. Ao invés de uma mansão de um astro de Hollywood, Priscilla se viu diante de uma casa comum, como todas as outras da rua. As casas alemãs eram velhas e tinham aquele estilo histórico em suas fachadas. Quando Priscilla entrou na casa de Elvis a primeira coisa que ela ouviu foi um disco de vinil com a cantora Brenda Lee. Elvis estava ouvindo as novidades, os lançamentos que tinham sido lançados nos Estados Unidos. Ele tinha, claro, de ficar atualizado.
Priscilla acreditava que Elvis nem iria perceber sua presença na sala, mas ela estava errada. Elvis, desde o primeiro momento em que colocou os olhos nela, ficou impressionado por sua beleza. Elvis se apresentou a ela, de forma até bastante formal, então Priscilla sentou e para sua surpresa viu que Elvis se aproximou dela para conversar. Ela pensou que isso nunca iria acontecer. Elvis foi logo perguntando sobre ela, se estava gostando da Alemanha. Uma pequena situação delicada aconteceu quando Elvis perguntou onde ela estudava, em que série estava. Quando Priscilla respondeu Elvis soltou uma frase de surpresa, dizendo "Mas você é apenas uma criança!". Ela não gostou. Fechou a cara. Elvis percebeu a besteira que havia dito e tentou consertar a situação. Acabou dando certo.
Havia uma diferença de idade entre Elvis e Priscilla. Ele estava com 24 anos na época. Priscilla tinha apenas 14 anos de idade. Era uma situação delicada. Depois disso Elvis conversou com outros convidados, mas Priscilla notou que ele estava sempre interessado nela, algo que definitivamente a surpreendeu. O primeiro encontro terminou assim, sem maiores expectativas. A jovem notou um singelo flerte por parte dele, mas foi só. De fato Priscilla acreditou que jamais iria ver Elvis novamente, uma vez que ele certamente era cercado de garotas bonitas por todos os lados. O fato porém é que o amor tem razões que a própria razão desconhece. Elvis ligou para Currie e lhe disse que trouxesse Priscilla mais uma vez em sua casa, pois havia pensado muito nela naquele fim de semana. Imagine o susto de Priscilla ao saber disso! Um novo encontro estava prestes a acontecer.
Pablo Aluísio.
quinta-feira, 8 de outubro de 2026
Elvis Presley na Alemanha - Parte 2
Após o falecimento de sua mãe, Elvis teve alguns dias de licença nos Estados Unidos para se recuperar do grande abalo emocional que havia sofrido. Após o fim da licença ele teve que voltar para o exército. A vida tinha que seguir em frente. Levou seu pai e sua avó para morar com ele na Alemanha. Ele havia prometido para a mãe que jamais iria se separar deles. Uma vez na Alemanha a vida voltou aos poucos ao normal. Elvis ainda tinha que conviver com a dor e a perda da mãe, mas ao mesmo tempo tinha que ser forte para levar sua vida adiante.
Na mesma época uma jovem adolescente americana chamada Priscilla Ann Beaulieu chegava para morar com seus pais em Wiesbaden, na Alemanha. A cidade ficava próxima de Bad Nauheim, onde Elvis passaria a viver. Priscilla estava muito chateada por morar na Alemanha. Ela havia sido eleita a garota mais bonita na escola onde estudava nos Estados Unidos. Tinha muitos amigos e finalmente parecia estar criando raízes. Seu pai, que era da força aérea, era constantemente transferido de uma cidade para outra e isso impedia muitas vezes a filha de criar amizades duradouras. Agora, que tudo parecia indo bem, Priscilla tinha que encarar uma nova mudança e dessa vez para um outro país.
Outro problema que ela tinha que enfrentar era o fato de que o homem que ela pensava ser o seu pai biológico era apenas o seu pai adotivo. Priscilla havia descoberto a verdade poucas semanas antes de ir para a Alemanha. O pai verdadeiro dela se chamava Paul e era piloto da força áerea dos Estados Unidos. Ele havia morrido de um acidente com seu avião quando Priscilla era apenas uma bebezinha de colo. A mãe viúva se casou novamente, com outro militar, mas nunca havia contado a história real para a filha. Só depois que ela achou uma foto de seu pai verdadeiro e pediu explicações para a mãe é que descobriu toda a verdade.
Na pequena cidade alemã onde Priscilla pasosu a morar com sua família havia uma lanchonete frequentada por militares americanos e seus familiares. O estabelecimento se chamava Eagles. Nesse lugar Priscilla ia pelas tardes para escrever cartas para suas amigas que tinham ficado nos Estados Unidos. Também aproveitava o tempo para ouvir suas músicas preferidas no jukebox. Foi no Eagles que a beleza de Priscilla chamou a atenção de um militar chamado Currie Grant. Ele era conhecido de Elvis.
Certa vez, em uma conversa animada entre amigos, Elvis havia dito que as mulheres mais bonitas que já tinha visto em sua vida eram aquelas que tinham olhos azuis e cabelos bem pretos. Essa combinação de beleza era a ideal para Elvis, tanto que ele próprio passou a pintar seus cabelos de uma cor bem escura, tudo para combinar com seus olhos azuis. Ele era na verdade loiro. Pois bem, em Priscilla o amigo Grant havia visto tudo aquilo que Elvis dizia admirar numa mulher. Ela era uma linda adolescente de olhos azuis e cabelos negros. Provavelmente Elvis gostaria de conhecê-la. Grant então resolveu se apresentar a ela, dizendo que conhecia Elvis Presley. Será que aquela garota teria interesse em conhecer o famoso astro da música?
Pablo Aluísio.
Na mesma época uma jovem adolescente americana chamada Priscilla Ann Beaulieu chegava para morar com seus pais em Wiesbaden, na Alemanha. A cidade ficava próxima de Bad Nauheim, onde Elvis passaria a viver. Priscilla estava muito chateada por morar na Alemanha. Ela havia sido eleita a garota mais bonita na escola onde estudava nos Estados Unidos. Tinha muitos amigos e finalmente parecia estar criando raízes. Seu pai, que era da força aérea, era constantemente transferido de uma cidade para outra e isso impedia muitas vezes a filha de criar amizades duradouras. Agora, que tudo parecia indo bem, Priscilla tinha que encarar uma nova mudança e dessa vez para um outro país.
Outro problema que ela tinha que enfrentar era o fato de que o homem que ela pensava ser o seu pai biológico era apenas o seu pai adotivo. Priscilla havia descoberto a verdade poucas semanas antes de ir para a Alemanha. O pai verdadeiro dela se chamava Paul e era piloto da força áerea dos Estados Unidos. Ele havia morrido de um acidente com seu avião quando Priscilla era apenas uma bebezinha de colo. A mãe viúva se casou novamente, com outro militar, mas nunca havia contado a história real para a filha. Só depois que ela achou uma foto de seu pai verdadeiro e pediu explicações para a mãe é que descobriu toda a verdade.
Na pequena cidade alemã onde Priscilla pasosu a morar com sua família havia uma lanchonete frequentada por militares americanos e seus familiares. O estabelecimento se chamava Eagles. Nesse lugar Priscilla ia pelas tardes para escrever cartas para suas amigas que tinham ficado nos Estados Unidos. Também aproveitava o tempo para ouvir suas músicas preferidas no jukebox. Foi no Eagles que a beleza de Priscilla chamou a atenção de um militar chamado Currie Grant. Ele era conhecido de Elvis.
Certa vez, em uma conversa animada entre amigos, Elvis havia dito que as mulheres mais bonitas que já tinha visto em sua vida eram aquelas que tinham olhos azuis e cabelos bem pretos. Essa combinação de beleza era a ideal para Elvis, tanto que ele próprio passou a pintar seus cabelos de uma cor bem escura, tudo para combinar com seus olhos azuis. Ele era na verdade loiro. Pois bem, em Priscilla o amigo Grant havia visto tudo aquilo que Elvis dizia admirar numa mulher. Ela era uma linda adolescente de olhos azuis e cabelos negros. Provavelmente Elvis gostaria de conhecê-la. Grant então resolveu se apresentar a ela, dizendo que conhecia Elvis Presley. Será que aquela garota teria interesse em conhecer o famoso astro da música?
Pablo Aluísio.
Elvis Presley na Alemanha - Parte 1
Depois de algum tempo de treinamento em um forte no Texas, o batalhão de Elvis foi enviado para a Alemanha Ocidental, bem na fronteira da cortina de ferro! Embora Elvis não falasse isso publicamente com a imprensa, ele começou a perceber que sua fase no exército havia sido uma grande perda de tempo. Elvis, na maioria dos dias, exercia a função de motorista de um jipe para oficiais do grupamento onde estava servindo na Alemanha. Seu pelotão era responsável pelos tanques do batalhão, então de vez em quando Elvis também participava de operações com essas pesadas máquinas de guerra. Porém fora disso ele não tinha muito o que fazer.
O tempo no exército era basicamente de muito tédio. O pior acontecia quando Elvis era designado para trabalhar durante as madrugadas frias como sentinela em uma das guaridas laterais do quartel. Elvis odiava esse tipo de função. Era basicamente passar frio congelante durante a noite toda, sem poder dormir ou descansar. Ele que já tinha naturais problemas de insônia viu sua doença piorar a cada dia. Depois de uma noite inteira levando temperatura abaixo de zero, Elvis voltava para casa, mas não conseguia dormir. Ele tinha dificuldades de dormir de noite, então de dia isso era praticamente impossível.
E havia a depressão, sempre constante. Elvis passou por muitos momentos de depressão vestindo sua farda verde do exército americano. A morte da mãe o abalava demais. Ele estava sempre falando ou recordando de Gladys, lembrando dos tempos felizes e dos momentos que havia passado ao lado dela, desde a infância. Elvis não se conformava com a morte de sua mãe. Então por essa época ele basicamente levou uma vida muito dura. Psicologicamente estava arrasado.Tinha que lidar com a depressão e com a chatice sem fim do serviço militar.
A música, sempre ela, ajudava a passar o tempo. Elvis gostava de comprar discos de vinil, além de estar sempre ouvindo a estação de rádio das forças armadas. Era basicamente por esse caminho que ele ouvia as últimas novidades musicais na América, quem estava fazendo sucesso, quem estava em baixa. A religião também passou a ocupar mais espaço em sua vida. Elvis estava sempre lendo a Bíblia em seus momentos de folga. Também passou a ter o hábito de comprar livros para ler. Elvis passava muito tempo sentado em uma cadeira do lado de fora do QG, esperando que algum oficial fosse precisar dele como motorista. Algumas tardes ele ficava sem fazer nada. Assim ele passou a usar esse tempo à toa para ler. Era uma boa forma de matar o tédio do serviço militar.
Pablo Aluísio.
quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Elvis Presley - A Big Hunk O' Love / My Wish Came True
Finalmente, depois de três tentativas frustradas, Elvis Presley finalmente conseguiu chegar ao primeiro lugar da Billboard com seu novo single trazendo as músicas "A Big Hunk O' Love" no lado A e "My Wish Came True" no lado B. A canção principal havia sido gravada um ano antes em Nashville, só chegando ao mercado em junho de 1959. O sucesso de “A Big Hunk O´Love” vinha para fortalecer ainda mais o nome de Elvis dentro do mercado. Ele estava há pouco menos de um ano de dar baixa no exército e sua volta era considerada uma última esperança para os roqueiros dos anos 50.
Uma série incrível de eventos havia se abatido sobre os pioneiros do rock e agora Elvis parecia ser a última tábua de salvação do gênero. A verdade porém é que a própria música americana havia mudado. O que predominava nas paradas agora eram canções juvenis, falando de amores adolescentes, cantadas por ídolos que não tinham mais a postura de rebeldes como os roqueiros de meados da década de 1950. De certa forma Elvis iria embarcar nessa onda após seu retorno das forças armadas, porém esse single, gravado antes dele ir para a Alemanha, mantinha a chama acessa do verdadeiro Rock americano.
Enquanto Elvis estava no exército uma leva de ídolos adolescentes foi surgindo e dominando as paradas. Cantores e compositores como Neil Sedaka, Paul Anka, Frankie Avalon, Fabian, Pat Boone e Ricky Nelson eram os novos ídolos da juventude enquanto os roqueiros pioneiros iam sumindo do mapa. Eu gosto de chamar essa geração de "movimento algodão doce", porque de certa maneira eles se encaixavam bem nessa descrição. Os novos cantores juvenis eram bem diferentes de Elvis e dos roqueiros pioneiros. Todos surgiam impecavelmente bem vestidos, cabelos penteados, a imagem do genro que toda mãe de boa família da América queria ter. Não havia um pingo de rebeldia nesses novos artistas da música.
Enquanto eles subiam nas paradas, o pioneiros do rock afundavam cada vez mais. Jerry Lee Lewis escandalizou a sociedade ao se casar com uma prima de apenas 13 anos, que para piorar parecia ainda mais jovem! Chuck Berry foi preso por supostamente ter enviado uma prostituta branca além da fronteira do estado (o que configuraria tráfico de pessoas), Buddy Holly, Ritchie Valens e Big Booper tinham morrido em um acidente de avião sendo seus corpos encontrados em um milharal nevado, Johnny Cash abraçara a country music de forma definitiva e finalmente Little Richard havia decidido abandonar tudo para se tornar apenas um pastor evangélico.
Para ser bem sincero esse rock “A Big Hunk O' Love” só chegou ao topo da parada por causa da força do nome de Elvis. Essa era uma canção completamente diferente do que estava fazendo sucesso na época. Foi de fato o último rock genuíno a liderar a Billboard até a chegada de uma nova leva de roqueiros nos anos 60. O Pop romântico havia ocupado o espaço do rock pioneiro. O curioso é que Elvis ao sair do exército também seguiria de certa forma também por essa tendência. Mas essa é uma outra história que contaremos depois...
Pablo Aluísio.
Elvis Presley - A Fool Such As I / I Need Your Love Tonight
Um caso curioso na discografia de singles de Elvis, onde o Lado B do compacto acabou se tornando mais popular do que o próprio Lado A. Esse vinha com a faixa "A Fool Such As I", uma bela canção realmente, mas que não foi o principal hit desse single. A gravação original dessa música se deu em 1952 com Hank Snow, se tornando um sucesso na parada country. Depois ela foi sendo regravada por diversos outros artistas em especial Tommy Edwards e Jo Stafford pelo selo Columbia records. Elvis registrou sua versão em 1958, numa época em que sua vida se dividia entre Hollywood onde filmava seu novo filme "King Creole" e Nashville onde tentava gravar algo inédito para quando estivesse servindo o exército na Alemanha.
Essa sessão contou com um novo membro na banda de Elvis, nada menos do que o guitarrista e produtor Chet Atkins, um dos melhores instrumentistas e arranjadores de sua época. Com Atkins podemos notar uma melhora na sonoridade das gravações de Elvis, em especial nas guitarras, onde ele realmente caprichava com sua Gibson. Por isso uma das melhores coisas de se ouvir na versão de "(Now and Then There's) A Fool Such as I" na voz de Elvis Presley é o conjunto formado pelas linhas de melodia providenciadas por Atkins. Junte-se a isso um vocal inspirado de Elvis e você vai entender porque essa é uma das grandes gravações de Elvis em estúdio durante os anos 1950. Simplesmente impecável.
No Brasil as coisas vinham com atraso. Talvez por isso a música anterior não tenha feito qualquer sucesso por aqui. Porém o mesmo não poderia se dizer de "I Need Your Love Tonight". Essa caiu nas graças do público nacional (e americano também). Tanto que muitos anos depois foi incluída no famoso disco "Elvis - Disco de Ouro" que foi lançado em 1977 em nosso país e se tornou um dos LPs mais vendidos da carreira de Elvis Presley no Brasil. Não se pode negar que essa música tinha excelente ritmo e havia sido gravada numa sessão muito produtiva por parte de Elvis e banda. Eles estavam bem entrosados. É um pop / rock de excelente qualidade.
Pablo Aluísio.
quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Elvis Presley - One Night / I Got Stung
A música "One Night" deveria ter sido gravada com o título de "One Night of Sin" (Uma noite de pecado). Logo nas sessões a RCA Victor vetou essa versão envenenada com referências à religião. A razão foi simples de entender. A RCA já vinha sendo bombardeada pelos conservadores religiosos, em especial pastores evangélicos do cinturão bíblico dos Estados Unidos. Ninguém tinha mais paciência em receber cartas furiosas desses líderes religiosos na matriz da companhia em Nova Iorque.
Assim uma letra mais suavizada foi escrita às pressas. Ao invés de "One Night of Sin" (Uma Noite de Pecado) surgiu "One Night (with You)" (Uma noite com você). O interessante é que Elvis gravou as duas versões da letra. A do pecado ficaria décadas arquivada na sede da RCA Victor em NYC. Só depois da morte de Elvis é que os fãs finalmente tiveram a oportunidade de ouvi-la. Já a versão master foi lançada justamente nesse compacto que foi grande sucesso de vendas quando chegou nas lojas durante os anos 50.
O Lado B do single vinha com a música "I Got Stung". Essa sempre foi considerada uma das músicas de despedida de Elvis antes dele ir para a Alemanha, prestar o serviço militar. Também fez parte do disco muitas vezes premiado "Elvis Gold Records vol. 2" aquele que trazia várias fotos de Elvis em sua roupa dourada de shows nos anos 50, uma capa que virou ícone na indústria fonográfica dos Estados Unidos. É uma bela faixa, tecnicamente muito bem gravada. Eu diria que é um dos rocks "nervosinhos" de Elvis nessa época, que usa e abusa de sua técnica vocal de soluços em série. Embora tenha feito sucesso não se tornou um hit a ponto de Elvis a levar para os palcos nos anos seguintes. Acabou mesmo se tornando uma autêntico Lado B de sua vasta discografia de singles de sucesso.
Pablo Aluísio.
Elvis Presley - Wear My Ring Around Your Neck / Doncha Think It's Time
Quando Elvis Presley foi para o exército, ele acabou se convencendo de que muito provavelmente havia chegado no fim de sua carreira. Em sua forma de ver as coisas, ele seria substituído por qualquer outro cantor jovem que surgisse durante sua ausência. Fabian, Rick Nelson ou até mesmo Frankie Avalon. Todos eles tinham o potencial para roubar seu trono de Rei do Rock (segundo o próprio Elvis!). No exército Elvis não faria mais shows, nem filmes e nem muito menos gravaria material inédito. Afinal quem não é visto, não é lembrado.
O Coronel Parker sabia que a situação realmente não era boa e em conversação com a RCA planejou uma forma de manter o nome de Elvis sempre em evidência no mundo musical. O plano era relativamente simples. Lançar regulamente singles inéditos no mercado - geralmente a cada 4, 5 meses – para que Elvis não fosse completamente esquecido. Todo o material já havia sido gravado antes de Elvis ir para o serviço militar. Devidamente arquivado, seria lançado no mercado aos poucos, de forma gradual. Assim as canções certamente iriam se tornar sucesso, tocando nas rádios e criando uma falsa impressão nas fãs de que Elvis ainda estava na ativa, produzindo.
O primeiro single a seguir essa nova estratégia foi “Wear My Ring Around Your Neck / Doncha Think It's Time”. O lado A era composto por um dos melhores rocks gravados por Elvis na década de 50. Ótimo ritmo em performance inspirada do cantor. Curiosamente embora seja de excelente qualidade “Neck” não conseguiu se destacar nas paradas. O máximo que conseguiu foi alcançar um suado terceiro lugar por uma semana apenas (muito pouco em se tratando de single inédito de Elvis Presley). Para alguns analistas a culpa seria da letra considerada pouco significativa. Para outros o que pesou mesmo foi a falta da presença de Elvis na promoção da música.
O lado B não era menos interessante, “Doncha Think It's Time” tinha um ritmo próprio, sui generis, com uma vocalização muito singular por parte de Elvis. O ritmo soava nervoso, pausado, com explosões vocais em momentos chaves da canção! Infelizmente também não conseguiu chamar a atenção e foi solenemente ignorada na época. De forma injusta acabou virando um “Lado B obscuro” e nada mais. Aliás o próprio Elvis parece ter esquecido dessas músicas pois nos anos seguintes jamais as cantou ao vivo e nem as utilizou em qualquer outro projeto de sua carreira. Caíram realmente no esquecimento dentro da discografia de Elvis. A RCA Victor se esforçou bastante na divulgação do compacto, mas os resultados foram desanimadores, sendo o primeiro single de Elvis desde março de 1957 a não chegar ao topo da parada. O resultado comercial morno já indicava os problemas pelos quais a gravadora iria enfrentar, afinal vender canções inéditas de um soldado servindo à pátria na distante Alemanha não era nada fácil, nem mesmo para Elvis Presley!
Pablo Aluísio.
quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Elvis Presley - Don´t / I Beg Of You
Elvis Presley - Don´t / I Beg Of You
O primeiro material inédito lançado pela gravadora RCA em 1958 foi esse single de Elvis Presley com Don´t e I Beg Of You. “Don´t” foi composta especialmente para Elvis. Leiber e Stoller resolveram compor uma música romântica bem ao estilo dele, totalmente adequada para a sua característica vocal. Sem dúvida é um momento especial! Considerada pelos críticos e fãs como umas das melhores baladas românticas dos anos 50, ainda hoje consegue emocionar. Curiosamente a canção foi gravada na sessão que deu origem ao disco de natal "Elvis Christmas Album". Apesar de toda a gravação ter se concentrada no projeto natalino, Elvis conseguiu arranjar tempo para finalizá-la.
Esse fato vem demonstrar como Elvis era eficiente dentro dos estúdios nos anos 50. Em apenas 3 dias de gravação ele conseguiu emplacar 12 canções, que iam do gospel ao R&B de raíz. Certamente material não iria faltar para a RCA, muito pelo contrário, como bem demonstra a avalanche de lançamentos durante os primeiros anos da carreira de Elvis. Eram tantas as músicas disponíveis que muitas vezes os próprios singles do Rei competiam entre si. Apesar de toda essa correria e abundância de novos títulos o single não deixou de se tornar um grande sucesso alcançando o primeiro lugar da parada de singles logo no começo de 1958. Dessa forma o compacto "Don't / I Beg Of You" se tornava o sétimo single de Elvis a entrar no topo de sucessos da revista Billboard. Mais um disco de ouro para sua vasta coleção de prêmios.
Já o lado B do single vinha com outra canção que foi gravada na costa oeste em 1957 e que ficou bastante tempo arquivada, isso para os padrões dos anos 50 evidentemente! Tom Parker não gostou muito do resultado final e por isso seu lançamento foi sendo sistematicamente adiado até que ela foi finalmente colocada como lado B do single "Don't". Talvez para agradar Parker ou o próprio Elvis a música acabou tendo duas versões com arranjos diferenciados. Aquele que acabou prevalecendo e que se tornou oficial não é o melhor na minha opinião, pois a outra versão tem muito mais pique e energia. A mais rápida só iria chegar aos lançamentos da gravadora de Elvis muitos anos depois no CD "Essential Elvis - Stereo 57". Essa coleção acabou sendo a precursora do projeto "Follow That Dream" (FTD) que ao longo dos anos tem lançado vasto material inédito de Elvis, seja através de apresentações dos anos 70, seja pelo lançamento de edições revisionistas de seus álbuns clássicos, seja por meio de discos de takes alternativos. De qualquer forma "I Beg Of You" é um belo exemplo do melhor rock de Elvis Presley nos anos 50. Imperdível.
Pablo Aluísio.
Já o lado B do single vinha com outra canção que foi gravada na costa oeste em 1957 e que ficou bastante tempo arquivada, isso para os padrões dos anos 50 evidentemente! Tom Parker não gostou muito do resultado final e por isso seu lançamento foi sendo sistematicamente adiado até que ela foi finalmente colocada como lado B do single "Don't". Talvez para agradar Parker ou o próprio Elvis a música acabou tendo duas versões com arranjos diferenciados. Aquele que acabou prevalecendo e que se tornou oficial não é o melhor na minha opinião, pois a outra versão tem muito mais pique e energia. A mais rápida só iria chegar aos lançamentos da gravadora de Elvis muitos anos depois no CD "Essential Elvis - Stereo 57". Essa coleção acabou sendo a precursora do projeto "Follow That Dream" (FTD) que ao longo dos anos tem lançado vasto material inédito de Elvis, seja através de apresentações dos anos 70, seja pelo lançamento de edições revisionistas de seus álbuns clássicos, seja por meio de discos de takes alternativos. De qualquer forma "I Beg Of You" é um belo exemplo do melhor rock de Elvis Presley nos anos 50. Imperdível.
Pablo Aluísio.
Elvis Presley - G.I. Elvis
Em 1958 Elvis Presley teve finalmente a certeza de que iria prestar serviço militar no exército norte-americano. Muito já se escreveu sobre esse momento na vida de Elvis, mas a grande maioria das teorias são bobagens. O fato histórico real é simples de explicar: Elvis Presley era um cidadão americano e como tal tinha que cumprir suas obrigações militares para com o seu país. Em 1958 o serviço militar dos Estados Unidos ainda era obrigatório e se convocado, ele teria que servir. Era um dever, não uma opção. As forças armadas daquele país sempre necessitavam de um grande número de homens todos os anos pois havia bases americanas espalhadas por todo o mundo. Como Elvis era apto para o serviço militar, estava na idade e não tinha nenhum problema físico que o impedia de ser um soldado, não havia como escapar da convocação. É óbvio que ele tinha muito a perder com isso pois sua carreira ficaria em suspensão, não gravaria discos e nem faria filmes. Comercialmente falando era realmente desastroso mas o interesse cívico sempre falou mais alto e assim Elvis realmente seguiu em frente, cumprindo com suas obrigações.
O cantor já estava conformado, mas a Paramount acionou seu departamento jurídico para pedir mais alguns meses com o exército, uma vez que tudo já estava pronto para Elvis estrelar “King Creole” no estúdio. Caso Elvis entrasse em serviço de forma imediata, o prejuízo seria realmente enorme. Apelando para o bom senso, demonstrando o tamanho do prejuízo que sofreria pelo estúdio, o pedido foi finalmente aceito pelo alto comando do exército americano. Elvis teria mais algum tempo para terminar seu filme – o último antes de entrar em campo para treinamento militar. Exatamente no dia 24 de março de 1958 Elvis sob o número US53310761 se tornou oficialmente o mais novo recruta do exército dos Estados Unidos. Logo foi apelidado pela imprensa de “G.I. Elvis”, um trocadilho feito em torno de “G.I. Joe”, designação popular usada para identificar os soldados americanos no exterior. No mesmo dia seu famoso topete foi cortado e pela primeira vez em sua vida adulta Elvis Presley se viu sem suas famosas costeletas e topete. Nem é preciso dizer o rebuliço que isso causou na imprensa na época. A Life fez ampla cobertura, mostrando cada minuto da entrada de Presley nas forças armadas. Sua chegada ao posto militar, o recebimento de seu fardamento, o exame médico e finalmente o tão aguardado corte de cabelo no estilo “escovinha”. Foi um evento jornalístico e tanto! Afinal era uma notícia surpreendente – o maior roqueiro do mundo, símbolo da rebeldia dos jovens, sendo finalmente enquadrado pelo Tio Sam!
Assim que deu entrada no quartel, Elvis foi despachado junto de sua tropa para o complexo militar de Fort Hood no Texas, uma das maiores bases do exército americano. Uma vez lá foi designado para participar do treinamento com tanques, função que Elvis exerceria em grande parte de seu tempo no exército. Havia uma expectativa de que o cantor seria enviado para o exterior, para alguma base americana no Japão ou na Europa. Quando soube disso Gladys ficou apavorada! Pessoa simples, humilde, sem muita instrução e educação, ela logo associou esses lugares aos mesmos campos de batalha que ouvira falar durante a II Guerra Mundial. Para ela Japão e Alemanha significavam Guerra e ela ficou alarmada com a possibilidade de Elvis ir para países tão perigosos como esses – muito embora, como era óbvio, não havia guerra nenhuma em curso, sendo que os últimos conflitos armados nessas regiões se deram em 1945.
Mas ninguém conseguia acalmar a mãe de Elvis. Gladys ficou tão abatida com as notícias que sua saúde, que já não era boa, começou a declinar ainda mais. Elvis foi informado que sua mãe estava doente, muito abalada com sua convocação. Preocupado ele pediu licença para visitá-la. Uma verdadeira multidão esperava Elvis em Memphis. Ele surgiu sorridente no meio da confusão, devidamente fardado, procurando como sempre dar atenção aos seus fãs que o tinha esperado por horas. Sua nova imagem impressionou a muitos – com cabelos curtíssimos, bem magro e com a cor loira natural de volta ao seu penteado. Elvis visitou sua mãe e decidiu junto com Vernon que eles iriam segui-lo aonde quer que ele fosse. Se Elvis fosse para o Japão ou Alemanha, sua família iria junto também, não importando o quanto isso iria lhe custar. Seguiriam juntos até o fim. Gladys ficou muito feliz com essa decisão de Elvis pois isso a deixaria perto de seu amado filho. De volta a Graceland, Elvis conseguiu ainda passar mais alguns dias ao lado da mãe, até sua licença chegar finalmente ao fim. De volta a Fort Hood Elvis foi informado que sua unidade seria deslocada para a Alemanha, na fronteira da chamada Cortina de Ferro. Era uma premissa do que viria a seguir. Novas mudanças iriam acontecer na vida de Elvis em breve, algumas delas inclusive marcariam sua vida para sempre.
Pablo Aluísio.
O cantor já estava conformado, mas a Paramount acionou seu departamento jurídico para pedir mais alguns meses com o exército, uma vez que tudo já estava pronto para Elvis estrelar “King Creole” no estúdio. Caso Elvis entrasse em serviço de forma imediata, o prejuízo seria realmente enorme. Apelando para o bom senso, demonstrando o tamanho do prejuízo que sofreria pelo estúdio, o pedido foi finalmente aceito pelo alto comando do exército americano. Elvis teria mais algum tempo para terminar seu filme – o último antes de entrar em campo para treinamento militar. Exatamente no dia 24 de março de 1958 Elvis sob o número US53310761 se tornou oficialmente o mais novo recruta do exército dos Estados Unidos. Logo foi apelidado pela imprensa de “G.I. Elvis”, um trocadilho feito em torno de “G.I. Joe”, designação popular usada para identificar os soldados americanos no exterior. No mesmo dia seu famoso topete foi cortado e pela primeira vez em sua vida adulta Elvis Presley se viu sem suas famosas costeletas e topete. Nem é preciso dizer o rebuliço que isso causou na imprensa na época. A Life fez ampla cobertura, mostrando cada minuto da entrada de Presley nas forças armadas. Sua chegada ao posto militar, o recebimento de seu fardamento, o exame médico e finalmente o tão aguardado corte de cabelo no estilo “escovinha”. Foi um evento jornalístico e tanto! Afinal era uma notícia surpreendente – o maior roqueiro do mundo, símbolo da rebeldia dos jovens, sendo finalmente enquadrado pelo Tio Sam!
Assim que deu entrada no quartel, Elvis foi despachado junto de sua tropa para o complexo militar de Fort Hood no Texas, uma das maiores bases do exército americano. Uma vez lá foi designado para participar do treinamento com tanques, função que Elvis exerceria em grande parte de seu tempo no exército. Havia uma expectativa de que o cantor seria enviado para o exterior, para alguma base americana no Japão ou na Europa. Quando soube disso Gladys ficou apavorada! Pessoa simples, humilde, sem muita instrução e educação, ela logo associou esses lugares aos mesmos campos de batalha que ouvira falar durante a II Guerra Mundial. Para ela Japão e Alemanha significavam Guerra e ela ficou alarmada com a possibilidade de Elvis ir para países tão perigosos como esses – muito embora, como era óbvio, não havia guerra nenhuma em curso, sendo que os últimos conflitos armados nessas regiões se deram em 1945.
Mas ninguém conseguia acalmar a mãe de Elvis. Gladys ficou tão abatida com as notícias que sua saúde, que já não era boa, começou a declinar ainda mais. Elvis foi informado que sua mãe estava doente, muito abalada com sua convocação. Preocupado ele pediu licença para visitá-la. Uma verdadeira multidão esperava Elvis em Memphis. Ele surgiu sorridente no meio da confusão, devidamente fardado, procurando como sempre dar atenção aos seus fãs que o tinha esperado por horas. Sua nova imagem impressionou a muitos – com cabelos curtíssimos, bem magro e com a cor loira natural de volta ao seu penteado. Elvis visitou sua mãe e decidiu junto com Vernon que eles iriam segui-lo aonde quer que ele fosse. Se Elvis fosse para o Japão ou Alemanha, sua família iria junto também, não importando o quanto isso iria lhe custar. Seguiriam juntos até o fim. Gladys ficou muito feliz com essa decisão de Elvis pois isso a deixaria perto de seu amado filho. De volta a Graceland, Elvis conseguiu ainda passar mais alguns dias ao lado da mãe, até sua licença chegar finalmente ao fim. De volta a Fort Hood Elvis foi informado que sua unidade seria deslocada para a Alemanha, na fronteira da chamada Cortina de Ferro. Era uma premissa do que viria a seguir. Novas mudanças iriam acontecer na vida de Elvis em breve, algumas delas inclusive marcariam sua vida para sempre.
Pablo Aluísio.
Elvis Presley - A Morte de Gladys
Elvis Presley - A Morte de Gladys
Gladys Love Smith Presley, a mãe de Elvis Presley, faleceu no dia 24 de agosto de 1958, com apenas 46 anos de idade, muito nova para os padrões americanos. Essa foi sem dúvida a maior tragédia na vida de Elvis. Ele amava demais sua mãe e não estava preparado para o que havia acontecido. Ele sempre dizia que seu maior objetivo de vida era dar uma vida melhor para seus pais, em especial sua mãe. que a mansão Graceland era dela, não dele. Que tudo o que havia construído havia sido apenas para que querida mãe tivesse uma boa vida em sua velhice. Só que tudo ruiu naquele terrível dia de agosto. E a tormenta dele havia começado bem antes.
Elvis havia ficado por 72 horas ao lado do leito de sua mãe no Hospital Metodista em Memphis. Naquela madrugada ele não tinha conseguido dormir. Ficou em uma cadeira, ao lado da cama da mãe, esperando que seu quadro de saúde fosse melhorar. Quando o dia amanheceu Elvis foi aconselhado por seu pai para ir descansar um pouco em Graceland, afinal ele tinha passado em branco naquelas últimas noites, sempre preocupado com o estado de saúde de sua querida mãe. E ela não conseguia melhorar. A cada dia seu quadro médico ia ficando pior. Elvis estava extremamente preocupado. Não havia uma certeza sobre o que estava acontecendo com ela.
Mesmo receoso Elvis achou melhor ir mesmo para casa, descansar e dormir um pouco para recarregar suas energias. Durante todo o tempo Elvis contou com o apoio de amigos e parentes como Alan Fortas, Lamar Fike, George Klein, Billy Smith e Louis Harris, que lhe deram forças tanto em Graceland, como no hospital onde Gladys infelizmente vivia seus últimos momentos. Vernon, seu pai, ficaria ao lado de Gladys até que ele voltasse no dia seguinte. Em Graceland Elvis tentou dormir, mas suas crises de insônia voltaram. Quando estava estressado e preocupado ele não conseguia mesmo ter uma noite tranquila de sono.
Ao que tudo indicava a mãe de Elvis sofria de uma grave crise de hepatite e os médicos receavam pelo pior. Enquanto Elvis estava descansando no quarto em Graceland, o seu telefone tocou. Era pouco mais de duas da manhã. Era seu pai. Gladys havia entrado em coma profundo e os médicos estavam sem muitas esperanças. Elvis mal teve tempo de se levantar e correr para o Hospital pois quando chegou lá recebeu a terrível notícia: sua mãe não resistira ao quadro grave de saúde e havia falecido poucos minutos antes, de uma parada cardíaca.
Ao receber a notícia Elvis entrou em choque! Nada poderia ser tão terrível para ele como a morte de sua amada mãe. Elvis e Gladys tinham um relacionamento especial, eram extremamente próximos e quando a perdeu Elvis se viu diante da maior tragédia de sua vida. Gladys não era apenas sua mãe, mas também sua melhor amiga, confidente, confessora e guia moral. A sua morte causou um abalo tão grande em Elvis que muitos biógrafos afirmam que sua vida mudou para sempre depois daquela madrugada.
Elvis ficou devastado, completamente devastado emocionalmente. Ele não conseguia mais pensar ou agir corretamente. Em uma forte crise nervosa, teve que ser levado de volta para Graceland onde foi atendido por um médico que lhe passou uma série de calmantes. Mesmo assim, sedado, Elvis não conseguia parar de chorar. A notícia se espalhou rapidamente e em pouco tempo uma multidão formou-se nos portões de Graceland. Logo pela manhã a polícia de Memphis foi acionada para chegar ao local, com receios de que houvesse um tumulto por causa da enorme quantidade de pessoas presentes. Assim que soube da notícia o amigo Nick Adams veio de Hollywood. Vários figurões e astros famosos também mandaram suas condolências entre eles Marlon Brando, Cecil B. De Mille e Paul Newman. Elizabeth Taylor e Marilyn Monroe também enviaram telegramas lamentando a morte de sua mãe.
Vernon assumiu os preparativos do funeral uma vez que Elvis não tinha mais nenhuma condição emocional de tratar de algo assim. O corpo de Gladys chegou em Graceland às dez e meia da manhã. Elvis não teve condições de descer logo para ficar ao lado da mãe. Inconsolado ele repetia: “Oh meu Deus, meu Deus, por favor, leve tudo o que eu tenho e traga minha mãe de volta!” Abraçado a Vernon desabafou: “Tudo o que eu tinha de valioso em minha vida se foi”. Mesmo muito abalado Elvis mandou que as portas de Graceland fossem abertas aos seus fãs. “Minha mãe adorava meus fãs, quero que eles venham dizer adeus a ela!”. Aconselhado pelo Coronel Tom Parker porém os funerais foram transferidos para um local mais seguro.
Para a despedida de sua mãe, Elvis decidiu trazer o grupo gospel favorito de Gladys, o Blackwood Brothers, para cantar na cerimônia de corpo presente. Abraçado ao pai ou a Minnie Mae, Elvis mal conseguia se segurar em pé, tamanha a carga emocional que se abatera sobre ele. Na hora de finalmente dar o adeus final, Elvis se debruçou sobre o corpo de sua mãe e se despediu dizendo: “Adeus, minha querida... adeus! Eu te amo demais. Você sabe que tudo o que fiz em minha vida foi só por você...” Após falar essa frase a voz sumiu e Elvis não conseguiu dizer mais nada, sendo consolado por todos que estavam ao seu redor. As lágrimas o impedia de falar qualquer outra coisa. Depois das despedidas finais Gladys foi levada até o cemitério Forrest Hill onde foi finalmente sepultada. Seu caixão desceu exatamente às 15:30hs. Elvis foi retirado pois não conseguia mais suportar a dor pela qual estava passando. Na lápide ficou escrito: “Gladys Smith Presley – Esposa Querida de Vernon Presley, mãe de Elvis Presley – Ela foi o raio de sol de nosso lar”.
O sistema postal de Memphis estima que no total foram enviadas mais de 100 mil cartas para Graceland naquela semana, sendo 500 telegramas de condolências e 200 arranjos de flores. Elvis conseguiu mais uma semana de licença do exército para ficar em Memphis. Não havia cura para sua dor. Imediatamente mandou que o quarto de Gladys em Graceland fosse deixado completamente preservado em memória de sua mãe. Também providenciou para que uma pessoa ficasse responsável em depositar diariamente rosas em seu túmulo.
Durante muitos anos se especulou sobre as verdadeiras causas da morte de Gladys. Alguns autores mais sensacionalistas afirmaram que ela teria morrido de cirrose causada por excesso de bebidas alcoólicas, mas isso era obviamente uma indignidade com a memória da mãe de Elvis. De fato não houve qualquer acobertamento ou mudança nos documentos de sua causa mortis promovida por quem quer que seja.
Depois da morte de sua mãe, Elvis Presley se transformou. As coisas começaram a ter um novo ângulo, uma nova perspectiva. Ele entrou em sucessivas crises depressivas que jamais o abandonariam. Não se importava mais em ler contratos, saber quanto ganhava em discos, filmes, etc. A carreira tão amada acabou virando apenas um trabalho a se fazer. Elvis também deixou definitivamente de se importar com coisas materiais, se tornando uma pessoa mais do que generosa, dando praticamente tudo o que ganhava para amigos, parentes e quem quer mais que caísse em suas graças. Para muitos o seu longo declínio como pessoa e como artista começou com a morte de sua amada mãe. A afirmação não deixa de ter um grande fundo de verdade. As coisas definitivamente jamais seriam como antes. Não há como negar que naquele dia morreu não apenas Gladys, sua idolatrada mãe, mas também uma parte importante do próprio Elvis Presley.
Pablo Aluísio.
Gladys Love Smith Presley, a mãe de Elvis Presley, faleceu no dia 24 de agosto de 1958, com apenas 46 anos de idade, muito nova para os padrões americanos. Essa foi sem dúvida a maior tragédia na vida de Elvis. Ele amava demais sua mãe e não estava preparado para o que havia acontecido. Ele sempre dizia que seu maior objetivo de vida era dar uma vida melhor para seus pais, em especial sua mãe. que a mansão Graceland era dela, não dele. Que tudo o que havia construído havia sido apenas para que querida mãe tivesse uma boa vida em sua velhice. Só que tudo ruiu naquele terrível dia de agosto. E a tormenta dele havia começado bem antes.
Elvis havia ficado por 72 horas ao lado do leito de sua mãe no Hospital Metodista em Memphis. Naquela madrugada ele não tinha conseguido dormir. Ficou em uma cadeira, ao lado da cama da mãe, esperando que seu quadro de saúde fosse melhorar. Quando o dia amanheceu Elvis foi aconselhado por seu pai para ir descansar um pouco em Graceland, afinal ele tinha passado em branco naquelas últimas noites, sempre preocupado com o estado de saúde de sua querida mãe. E ela não conseguia melhorar. A cada dia seu quadro médico ia ficando pior. Elvis estava extremamente preocupado. Não havia uma certeza sobre o que estava acontecendo com ela.
Mesmo receoso Elvis achou melhor ir mesmo para casa, descansar e dormir um pouco para recarregar suas energias. Durante todo o tempo Elvis contou com o apoio de amigos e parentes como Alan Fortas, Lamar Fike, George Klein, Billy Smith e Louis Harris, que lhe deram forças tanto em Graceland, como no hospital onde Gladys infelizmente vivia seus últimos momentos. Vernon, seu pai, ficaria ao lado de Gladys até que ele voltasse no dia seguinte. Em Graceland Elvis tentou dormir, mas suas crises de insônia voltaram. Quando estava estressado e preocupado ele não conseguia mesmo ter uma noite tranquila de sono.
Ao que tudo indicava a mãe de Elvis sofria de uma grave crise de hepatite e os médicos receavam pelo pior. Enquanto Elvis estava descansando no quarto em Graceland, o seu telefone tocou. Era pouco mais de duas da manhã. Era seu pai. Gladys havia entrado em coma profundo e os médicos estavam sem muitas esperanças. Elvis mal teve tempo de se levantar e correr para o Hospital pois quando chegou lá recebeu a terrível notícia: sua mãe não resistira ao quadro grave de saúde e havia falecido poucos minutos antes, de uma parada cardíaca.
Ao receber a notícia Elvis entrou em choque! Nada poderia ser tão terrível para ele como a morte de sua amada mãe. Elvis e Gladys tinham um relacionamento especial, eram extremamente próximos e quando a perdeu Elvis se viu diante da maior tragédia de sua vida. Gladys não era apenas sua mãe, mas também sua melhor amiga, confidente, confessora e guia moral. A sua morte causou um abalo tão grande em Elvis que muitos biógrafos afirmam que sua vida mudou para sempre depois daquela madrugada.
Elvis ficou devastado, completamente devastado emocionalmente. Ele não conseguia mais pensar ou agir corretamente. Em uma forte crise nervosa, teve que ser levado de volta para Graceland onde foi atendido por um médico que lhe passou uma série de calmantes. Mesmo assim, sedado, Elvis não conseguia parar de chorar. A notícia se espalhou rapidamente e em pouco tempo uma multidão formou-se nos portões de Graceland. Logo pela manhã a polícia de Memphis foi acionada para chegar ao local, com receios de que houvesse um tumulto por causa da enorme quantidade de pessoas presentes. Assim que soube da notícia o amigo Nick Adams veio de Hollywood. Vários figurões e astros famosos também mandaram suas condolências entre eles Marlon Brando, Cecil B. De Mille e Paul Newman. Elizabeth Taylor e Marilyn Monroe também enviaram telegramas lamentando a morte de sua mãe.
Vernon assumiu os preparativos do funeral uma vez que Elvis não tinha mais nenhuma condição emocional de tratar de algo assim. O corpo de Gladys chegou em Graceland às dez e meia da manhã. Elvis não teve condições de descer logo para ficar ao lado da mãe. Inconsolado ele repetia: “Oh meu Deus, meu Deus, por favor, leve tudo o que eu tenho e traga minha mãe de volta!” Abraçado a Vernon desabafou: “Tudo o que eu tinha de valioso em minha vida se foi”. Mesmo muito abalado Elvis mandou que as portas de Graceland fossem abertas aos seus fãs. “Minha mãe adorava meus fãs, quero que eles venham dizer adeus a ela!”. Aconselhado pelo Coronel Tom Parker porém os funerais foram transferidos para um local mais seguro.
Para a despedida de sua mãe, Elvis decidiu trazer o grupo gospel favorito de Gladys, o Blackwood Brothers, para cantar na cerimônia de corpo presente. Abraçado ao pai ou a Minnie Mae, Elvis mal conseguia se segurar em pé, tamanha a carga emocional que se abatera sobre ele. Na hora de finalmente dar o adeus final, Elvis se debruçou sobre o corpo de sua mãe e se despediu dizendo: “Adeus, minha querida... adeus! Eu te amo demais. Você sabe que tudo o que fiz em minha vida foi só por você...” Após falar essa frase a voz sumiu e Elvis não conseguiu dizer mais nada, sendo consolado por todos que estavam ao seu redor. As lágrimas o impedia de falar qualquer outra coisa. Depois das despedidas finais Gladys foi levada até o cemitério Forrest Hill onde foi finalmente sepultada. Seu caixão desceu exatamente às 15:30hs. Elvis foi retirado pois não conseguia mais suportar a dor pela qual estava passando. Na lápide ficou escrito: “Gladys Smith Presley – Esposa Querida de Vernon Presley, mãe de Elvis Presley – Ela foi o raio de sol de nosso lar”.
O sistema postal de Memphis estima que no total foram enviadas mais de 100 mil cartas para Graceland naquela semana, sendo 500 telegramas de condolências e 200 arranjos de flores. Elvis conseguiu mais uma semana de licença do exército para ficar em Memphis. Não havia cura para sua dor. Imediatamente mandou que o quarto de Gladys em Graceland fosse deixado completamente preservado em memória de sua mãe. Também providenciou para que uma pessoa ficasse responsável em depositar diariamente rosas em seu túmulo.
Durante muitos anos se especulou sobre as verdadeiras causas da morte de Gladys. Alguns autores mais sensacionalistas afirmaram que ela teria morrido de cirrose causada por excesso de bebidas alcoólicas, mas isso era obviamente uma indignidade com a memória da mãe de Elvis. De fato não houve qualquer acobertamento ou mudança nos documentos de sua causa mortis promovida por quem quer que seja.
Depois da morte de sua mãe, Elvis Presley se transformou. As coisas começaram a ter um novo ângulo, uma nova perspectiva. Ele entrou em sucessivas crises depressivas que jamais o abandonariam. Não se importava mais em ler contratos, saber quanto ganhava em discos, filmes, etc. A carreira tão amada acabou virando apenas um trabalho a se fazer. Elvis também deixou definitivamente de se importar com coisas materiais, se tornando uma pessoa mais do que generosa, dando praticamente tudo o que ganhava para amigos, parentes e quem quer mais que caísse em suas graças. Para muitos o seu longo declínio como pessoa e como artista começou com a morte de sua amada mãe. A afirmação não deixa de ter um grande fundo de verdade. As coisas definitivamente jamais seriam como antes. Não há como negar que naquele dia morreu não apenas Gladys, sua idolatrada mãe, mas também uma parte importante do próprio Elvis Presley.
Pablo Aluísio.
quinta-feira, 10 de setembro de 2026
Elvis Presley - Elvis' Golden Records - Parte 5
Treat Me Nice (Leiber / Stoller) - Outra canção deliciosa de Leiber e Stoller sendo lançada como lado B de "Jailhouse Rock". Para essa canção Elvis resolveu gravar duas versões: uma no dia 30 de abril durante as gravações do filme e outra no dia 5 de setembro que acabou se tornando a definitiva e oficial. A primeira foi utilizada durante o filme e curiosamente é considerada por muitos como a melhor. Isso se deve principalmente porque o arranjo da primeira versão é bem mais soft e leve do que a da versão original, mais excessivamente produzida.
De qualquer forma as duas são ótimas e podem ser conferidas sem nenhum receio. No filme Elvis fez questão de chamar um dos compositores para participar da cena em que ele a apresenta. Lá está Mike Stoller, atrás de Elvis, fazendo figuração como um dos membros da banda do cantor. Aliás é bom frisar que ele também participou das gravações da trilha sonora em estúdio. Outro grande momento da trilha sonora que é reconhecida, de forma merecida aliás, como uma das melhores de Elvis.
Anyway You Want Me (Schroder / Owens) - Lado B do single "Love me Tender". Não faz parte da trilha do filme sendo gravada nas mesmas sessões que deram origem as canções "Dont be Cruel" e "Hound Dog" em julho de 1956. Possui um toque de guitarra típica de algumas músicas dos anos cinquenta. Nota-se até mesmo uma certa estafa na voz de Elvis. Também não poderia ser diferente pois nessa mesma noite ele tinham trabalhado duro para chegar nas versões definitivas de "Don't Be Cruel" e "Hound Dog" (sendo que essa última teve mais de 30 takes gravados!). Sem ter mais fôlego Elvis registrou essa balada e deu por encerrada a sessão.
I Want You, I Need You, I Love You (Mysels / Kosloff) - Na véspera da gravação desta música o avião de Elvis havia sofrido um pane e se eles estavam ali era por um verdadeiro milagre. Elvis ficou tão nervoso com o acontecimento que só conseguiu gravar esta música durante a sessão. Ela foi gravada em 11 de Abril de 1956 nos estúdios da RCA em Nashville. Foi lançada como single em maio de 1956 junto com "My Baby Left Me" no lado B alcançando o terceiro lugar na parada da revista Billboard. Elvis a apresentou de fraque e cartola no programa de Steve Allen em 1956. Curiosidade: Era uma das preferidas de John Lennon.
Pablo Aluísio.
Elvis Presley - Elvis' Golden Records - Parte 4
(Let Me Be Your) Teddy Bear (Kall Mann / Bernie Lowe) - No auge do sucesso de Elvis correu um boato que ele adorava ursinhos de pelúcia. Apesar de não ser verdade o boato ganhou força e de um momento para o outro o cantor se viu num mar de bichinhos dados pelos seus fãs. Em uma entrevista Elvis afirmou que tinha guardado todos em sua casa! Para aproveitar esta história foi composto este grande sucesso, que alcançou o primeiro lugar da parada de singles da revista Billboard com "Loving You" no lado B. O single foi um campeão absoluto de vendas quando foi lançado em junho de 1957. Assim como "Mean Woman Blues", "Teddy Bear" também não fez parte das sessões de gravação da trilha sonora do filme "Loving You". Ela foi registrada dias depois em uma sessão que só foi realizada para Elvis gravá-la. Nesse mesmo dia Presley ainda gravou uma versão "envenenada e maldita" de "One Night" chamada "One Night Of Sin". Esse take alternativo acabou se tornando bem badalado após a morte do cantor. Curiosidade: o "Teddy", nome dado ao ursinho é uma homenagem ao presidente americano Theodore Roosevelt, conhecido por suas caçadas e espírito aventureiro.
Love Me Tender (Presley / Matson) - Música título do primeiro filme de Elvis Presley, que no Brasil recebeu o nome de "Ama-me com Ternura" (Love Me Tender, 1956). O titulo original do filme era "The Reno Brothers", faroeste sem grande importância, estilo B da Fox, que nunca teria entrado na história se não fosse pela primeira participação de Elvis Presley no cinema. A história se passava durante o final da guerra civil norte americana e tratava da delicada disputa de uma mulher por dois irmãos. Um deles (Richard Egan) voltava do campo de batalha e descobria, estarrecido, que sua antiga namorada (Debra Paget) estava agora casada com seu irmão mais novo (Elvis). E isso só havia acontecido porque todos estavam convencidos que ele havia morrido no campos de algodão do sul, lutando contra os exércitos da União. Já imaginou a confusão?
O roteiro gira em torno desse triângulo amoroso familiar. Elvis, muito novo e com os cabelos ainda bem próximos de sua tonalidade natural, não compromete em nenhum momento, mesmo sendo sua estreia como ator. Quando lançado em 1956, "Love Me Tender" se tornou um tremendo sucesso de bilheteria. Elvis mostrou que era um nome quente não só no mundo musical, como também na tela grande. Muitos fãs inclusive foram em peso na semana anterior ao lançamento oficial do filme apenas para assistir ao trailer que mostrava pequenos trechos de Elvis cantando! O disco acompanhou o sucesso do filme. A trilha foi lançada em um compacto duplo com "We're Gonna Move", "Let Me" e "Poor Boy" todas de autoria de Elvis Presley e Vera Matson. Era o inicio de uma carreira cinematográfica que iria contar com mais de trinta filmes. A canção "Love Me Tender", por sua vez, foi gravada em agosto de 1956 nos estúdios I da 20th Century Fox em Hollywood e lançada um mês depois em single com "Any Way You Want Me" no lado B, chegando ao primeiro lugar da Billboard na primeira semana. Elvis não contou com sua banda tradicional, os Blue Moon Boys, pois o estúdio não tinha contrato com eles e sim com músicos determinados pelo estúdio cinematográfico da Fox. Músicos profissionais do cast fixo da companhia.
Mesmo um pouco fora do ambiente que lhe era familiar, Elvis, ao lado de Darby, produziu "Love me Tender" e lhe deu um arranjo bastante simples, porém muito eficiente, sentimental e belo. Depois de registrar sua participação no estúdio Elvis aproveitou a oportunidade de se apresentar no The Ed Sullivan Show em 9 de setembro para promover a música e o filme. O sucesso foi imediato e Elvis foi assistido por mais de 50 milhões de americanos. 82,6% dos televisores dos EUA estavam sintonizados nele naquela noite. A nação parou para assistir Elvis interpretar "Love Me Tender", um recorde que só foi quebrado depois pelo assassinato do presidente Kennedy e pela apresentação em 1964 dos Beatles no mesmo programa. Tamanha repercussão levou rapidamente o disco a se tornar o primeiro da história a ter 1 milhão de cópias pré vendidas, graças à expectativa gerada em torno de seu lançamento. Um marco na carreira de Elvis e uma das canções mais identificadas com sua imagem. Um ícone romântico da cultura musical dos Estados Unidos, baseada na velha música "Aura Lee" em adaptação do maestro Ken Darby.
Pablo Aluísio.
quinta-feira, 3 de setembro de 2026
Elvis Presley - Elvis' Golden Records - Parte 3
"Treat Me Nice" está nesse disco porque foi o lado B do single de grande sucesso "Jailhouse Rock". É uma música do terceiro filme de Elvis, o primeiro na MGM. Eu gosto muito dessa música, mas não da sua versão oficial. Eu gosto mesmo da versão que foi gravada para fazer parte de uma das cenas do filme, onde Elvis a canta em um velho microfone RCA, ao lado de seu guitar player Scotty Moore. Uma versão mais simples, com arranjo mais limpo. Eu penso que certas músicas pedem mesmo por arranjos mais simplificados.
E por falar em arranjos simples, é justamente isso o que encontramos na versão oficial de "Love Me Tender". Nos anos 70 Elvis iria trazer essa música de volta, a cantando nos palcos de Las Vegas. Nesses momentos ele até mesmo descia do palco, indo andar no meio do público, onde beijava várias mulheres na boca! Algo que hoje em dia não mais seria possível. Essas versões Live de Vegas tinham um arranjo bem grandioso, com muita orquestra. Na boa, prefiro a versão voz e violão do single dos anos 50.
"Loving You" que deu nome ao segundo filme de Elvis também era uma música romântica de arranjo simples. A única diferença mais notável é que Elvis encorpou a sua voz, tentando seguir o estilo do grande Bing Crosby. E as coincidências curiosas não paravam por aí. Na trilha sonora do filme, no Lado B, tínhamos uma versão de um sucesso de Crosby na voz de Elvis. Era a música "True Love" do grande sucesso musical "Alta Sociedade" que trazia em seu elenco nada mais, nada menos, do que Grace Kelly e Frank Sinatra.
E para completar o quadro dessas belas baladas românticas presentes nessa coletânea, os executivos da RCA Victor ainda colocaram "Love Me" que havia sido lançada no segundo LP de Elvis pela gravadora. É curioso essa música ter sido colocada nesse álbum, porque ela nunca foi lançada em single. Penso que foi encaixada por aqui como uma representante do segundo álbum de Elvis, esse sim um grande sucesso de vendas nas lojas de discos da época.
Pablo Aluísio.
Elvis Presley - Elvis' Golden Records - Parte 2
Essa foi a primeira coletânea da carreira de Elvis. Como ele iria servir o exército americano por um longo período a RCA Victor correu para colocar no mercado esse álbum que nada mais era do que uma coletânea de seus singles premiados com discos de ouro. E como Elvis estava na sua fase de maior sucesso comercial, material dourado é o que não lhe faltava. Só hits, com uma ou duas exceções. Era a consagração daquele jovem que apenas dois anos antes havia chegado na gravadora com muitas incertezas sobre seu futuro, se ia fazer sucesso ou não. A quantidade de discos de ouro vinha para confirmar que ele era realmente um campeão de vendas de discos.
E o álbum não poderia abrir com outra música. "Hound Dog" havia se tornado conhecida nacionalmente por causa da escandalosa apresentação de Elvis na TV. Nunca havia se visto nada parecido com aquilo. Elvis rebolando escandalosamente em rede nacional, chegando nos lares de toda a América. Os jovens amaram, os mais velhos odiaram. Elvis foi chamado de delinquente, selvagem, comunista, corrompidor dos jovens e tudo o mais que se possa imaginar. Quem poderia imaginar ver na TV um branco cantando música de negros, rebolando lascivamente daquela forma? Chamem o FBI e prendam esse marginal! - Gritavam os pais indignados! Foi um choque cultural como há muito não se poderia prever. Elvis abalou as estruturas mesmo, virou notícia por todo o mundo.
Aproveitando o embalo da polêmica, a RCA colocou no mercado Hound Dog com outro grande sucesso "Don't Be Cruel (To A Heart That's True)". Essa segunda canção era mais comportada, nada da selvageria lasciva de "Hound Dog". Na realidade poderíamos até mesmo qualificar "Don't Be Cruel" como juvenil, uma música mais palatável, bem na linha Family Friendly. Só que como Elvis estava sendo muito atacado naqueles tempos sobrou para ela também. Os mais velhos ficaram dizendo que era indecoroso um sujeito ligar para uma garota jovem, se insinuando, perguntando se ela estava sozinha naquela noite e tudo mais. Essa gente conservadora dos anos 50 via sexo em tudo mesmo! Paranoicos reprimidos!
"Jailhouse Rock" também foi acusada de selvageria. Esse é mesmo um rock visceral, talvez o melhor rock da carreira de Elvis. Título de seu terceiro filme, o primeiro no estúdio da MGM, até mesmo ironizava as críticas de que Elvis era um marginal. Assim nada melhor do que colocar o jovem cantor interpretando um presidiário nas telas. Nem preciso dizer que muitos pais proibiram seus filhos de irem ao cinema ver aquela coisa ultrajante! Queriam mesmo corromper os valores sagrados das famílias norte-americanas e blá, blá, blá... Não adiantou, os jovens compraram todos os discos e foram ao cinema, lotando as sessões do filme. "Falem mal de mim, mas falem de mim", diria o Coronel Parker com toda aquela polêmica se transformando em divulgação gratuita para seu pupilo.
Pablo Aluísio.
Elvis Presley - Elvis' Golden Records - Parte 1
Nos anos 50 os singles (compactos simples com duas canções, uma no lado A e outra no lado B) eram a verdadeiras estrelas do mundo musical. Ter um disco de sucesso significava antes de tudo ter uma música tocando nas rádios e um single nas primeiras posições da parada. Geralmente esses singles tinham que contar com um grande sucesso para o lado principal e uma canção menos conhecida, mas que fosse boa o suficiente para prender a atenção do consumidor nos famosos "Lados B". Elvis Presley viveu intensamente a "era dos grandes singles". Seus maiores sucessos nunca foram lançados em álbuns e sim em singles, que geralmente ficavam de fora dos LPs. Por quê os singles eram tão importantes nesse tempo? Simplesmente porque eram baratos (custavam menos do que 1 dólar), vendiam muito e caiam como uma luva para as emissoras de rádio, que os usavam como o melhor meio de divulgação para os artistas.
Além disso a produção de singles era relativamente barata, tanto que muitas gravadoras de fundo de quintal surgiram nos EUA por essa época, entre elas a própria Sun Records de Sam Phillips. Como os custos eram baixos não havia tanto risco para um pequeno empresário montar seu próprio selo e arriscar a sorte na esperança de conseguir um grande sucesso nacional. Foi nesse ambiente que Elvis surgiu e despontou. Todos poderiam ter uma chance assim, até mesmo um caminhoneiro de Cia Elétrica, caso tivesse uma boa voz. Nesse mundo dominado pelos singles Elvis reinou absoluto. Nenhum artista conseguiu vender o número de singles que ele vendeu nos anos 50 (nem mesmo os Beatles na década seguinte). Raramente um grande single de sucesso de Elvis vendia menos do que 5 milhões de cópias! Se esse é um grande número ainda hoje imagine há 50 anos atrás! Era uma sucesso enorme, que espantou até mesmo a RCA Victor, que pressionada pela enorme demanda chegou a colocar fábricas inteiras de sua propriedade apenas para produzir singles de Elvis Presley.
Nesse ínterim os LPs (álbuns com 10 ou 12 músicas) eram considerados secundários pela indústria, pois ao contrário dos singles eram caros e não estavam ao acesso de qualquer um, principalmente de um adolescente cheio de espinhas na cara vivendo da mesada do pai. Os álbuns geralmente eram utilizados para as gravações de maior duração como óperas! Não era o meio ideal para um cantor de público jovem, pois muitas vezes esses nem tinham dinheiro suficiente para comprar um Long Playing. A série Golden Records foi bolada pelo Coronel como uma forma de reunir os maiores singles de Elvis em um álbum. Provavelmente se você fosse um adolescente dos anos 50 nem iria comprar esse disco, pois já teria todos os singles de Elvis que foram reeditados aqui. Mas como todos sabemos o Coronel sempre procurava ganhar mais e aproveitar o produto até o esgotamento dele. Então Parker simplesmente uniu todos os compactos campeões em um só álbum.
Além disso Elvis estava para passar por uma grande reviravolta em sua vida pessoal e o Coronel procurava se precaver levantando alguns trocados a mais. Por isso é importante analisar o que estava ocorrendo com Elvis nesta época. No mesmo mês que este LP era lançado (março de 1958) Elvis começava seu serviço militar nas forças armadas norte americanas. Foi o acontecimento mais comentado pela imprensa no período trazendo enorme publicidade para o cantor. De inicio Elvis foi despachado para Fort Hood no Texas e depois completou seu serviço na Alemanha. Ele iria ficar um longo tempo sem gravar e fazer filmes e por isso a RCA resolveu lançar esta reunião de seus principais sucessos. E assim nasceu o disco "Elvis Golden Records". A primeira coletânea dos sucessos da carreira de Elvis Presley reúne músicas que fizeram parte de singles que atingiram enorme sucesso quando lançadas.
Este é o primeiro da série "Golden Records" que iriam contar com mais três discos que seguiam a mesma filosofia. Com a consolidação do LP foi necessário reunir os principais hits da carreira de Elvis neste formato, pois a maioria delas só havia sido lançadas antes como singles. Desta forma estão reunidas aqui verdadeiras pérolas do inicio do Rock'n'Roll e as mais conhecidas músicas do anos cinquenta, pois sem nenhuma sombra de dúvida esta foi a década de ouro da carreira de Elvis. Aqui esta a nata do período antes dele servir o exército, em que o Rei virou a história da música popular pelo avesso O disco "Elvis Golden Records" chegou ao terceiro lugar nas paradas, uma posição muito boa pois o LP só apresentava músicas já lançadas anteriormente.
Pablo Aluísio.
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
Elvis Presley - King Creole - The End
Finalizando os textos sobre o filme Balada Sangrenta vamos tecer alguns comentários sobre os resultados comerciais desse momento da carreira de Elvis. Pois bem, o filme e sua trilha sonora fizeram bastante sucesso comercial. O disco logo recebeu o disco de ouro. A RCA Victor fez um belo serviço de marketing nas lojas de discos da época, com posters e material promocional. Como Elvis, naquele momento, era o cantor mais popular dos Estados Unidos, não foi tão complicado assim fazer essa divulgação. Os vários fãs clubes de Elvis por todo o mundo também ajudaram muito nessa promoção.
Curiosamente a trilha sonora tinha uma sonoridade que procurava soar como o jazz de New Orleans e esse tipo de gênero musical já não era o mais popular naquela época. Fazer as músicas se tornarem hits das rádios jã não foi tão fácil. Ainda assim Trouble e até mesmo a música título King Creole se destacaram nas emissoras da época. A música do single Hard Headed Woman também tocou, mas teve vida curta. De maneira em geral não agradou tanto, apesar dos esforços da gravadora.
O filme foi igualmente bem sucedido. Quando chegou nos cinemas o diretor Michael Curtiz enviou um telegrama para Elvis felicitando por seu trabalho. Curtiz havia ficado muito preocupado durante as filmagens pois afinal Elvis não era um ator profissional. Assim o cineasta teve que trabalhar bem de perto ao lado de Elvis nas cenas. Afinal ele estava assinando aquela obra cinematográfica e as coisas tinham que ser bem feitas. No final, para seu alívio, tudo deu certo.
Elvis, por sua vez, nem teve tempo de celebrar o sucesso duplo de King Creole porque ele estava atarefado com os preparativos do serviço militar. Seus dias de James Dean estavam acabados e agora ele seria um recruta como outro qualquer do exército americano. De astro de cinema para recruta Zero. Sem dúvida não foi fácil para Elvis fazer essa complicada transição em sua vida pessoal e profissional.
Pablo Aluísio.
Elvis Presley - King Creole - Outros Lançamentos
Depois da exibição nos cinemas em 1958 o filme King Creole (Balada Sangrenta) só voltaria a ser exibido na TV americana, no canal CBS em 1966. Depois disso o filme ainda foi reprisado algumas vezes, principalmente pelo canal ABC, mas em horários alternativos. Como a TV colorida estava chegando no mercado dos Estados Unidos as emissoras programavam os filmes em preto e branco para as madrugadas. No Brasil o filme foi exibido pela primeira vez pela TV Tupi, em 1968, dez anos depois que foi exibido nos cinemas.
Com a popularização dos videocassetes na década de 1980 vários filmes antigos também ganharam suas versões nesse novo formato. Os filmes de Elvis eram lançados em grandes pacotes contendo vários títulos, inclusive em preços promocionais para locadoras de vídeo e também como venda direta ao colecionador. Nos Estados Unidos praticamente todos os filmes de Elvis foram lançados em VHS. Dois pacotes se destacavam, um com os filmes da MGM e outro com os filmes da Paramount.
Quando o DVD tomou o lugar do VHS os mesmos filmes foram relançados nesse formato nos Estados Unidos. Agora com capas mais bem trabalhadas, de acordo com a época, onde os posters oficiais originais foram devidamente deixados de lado por sem antigos e pouco comerciais para esse novo mercado. Novamente a MGM saiu na frente, colocando à venda todos os filmes de Elvis nesse estúdio. A Paramount lançou logo depois seu pacote, com King Creole entre os títulos disponíveis.
No Brasil os filme de Elvis da MGM e da Paramount foram comprados pela Rede Globo na década de 1970. E foram exibidos muitas vezes na Sessão da Tarde, algo que continuou nos anos 80. Como King Creole era um filme em preto e branco não era exibido nessa sessão vespertina, mas em 1988 quando o filme completou 40 anos de seu lançamento original ele foi exibido na Globo na Sessão Classe A que passava nas madrugadas de quarte-feira. Era uma sessão especial apenas com filmes clássicos em preto e branco. O filme também chegou a ser exibido no canal Telecine Cult, já na era dos canais pagos. Por fim o filme também ganharia uma versão em VHS quando foi lançado no Brasil ao lado de outros títulos da Paramount como Feitiço Havaiano, Saudades de um Pracinha, Garotas e Mais Garotas, O Seresteiro de Acapulco e No Paraíso do Havaí.
Pablo Aluísio.
quinta-feira, 20 de agosto de 2026
Elvis Presley - Balada Sangrenta
É considerado o melhor filme da carreira de Elvis Presley. De fato é um dos melhores momentos de Elvis em sua carreira como ator. Realmente “King Creole” é cinema de altíssima qualidade. Do roteiro às atuações, do argumento à trilha sonora, tudo é muito bem realizado, caprichado, de primeiríssima linha. Isso era de se esperar, pois se trata de uma direção assinada por Michael Curtiz, o diretor de “Casablanca” e tantos outros clássicos, como os filmes que dirigiu com o astro Errol Flynn na Warner, durante as décadas de 1930 e 1940, por exemplo. Então não é nenhuma surpresa o excelente nível técnico do filme como um todo.
A trama se passa numa New Orleans com muita música no ar, mas também com muita criminalidade pelos becos escuros da cidade. É nesse cenário que vive o jovem Danny Fisher (Elvis Presley). Após a morte de sua mãe em um acidente automobilístico, a outrora família feliz de Danny entra em crise. Seu pai (interpretado pelo ator Dean Jagger), um homem honesto e digno, não consegue mais se firmar em nenhum emprego. Já sua irmã Mimi (Jan Shepard) tenta de alguma forma ajudar em casa, ocupando a posição que era exercida por sua mãe falecida. Uma pessoa que logo se torna o equilíbrio emocional da família Fisher.
O sonho de todos eles é que Danny se forme, construa assim um futuro melhor para si e venha a ter um dia uma profissão que lhe dê segurança e estabilidade na vida. A escola se torna a única esperança de toda a família. E é justamente no último dia de aula, quando está prestes a receber seu diploma, que Danny acaba se envolvendo em uma confusão que irá alterar todo o seu destino. Ele briga com alguns colegas na porta da escola e por isso não consegue mais se formar. Desiludido, decide ir atrás de algum trabalho melhor na Bourbon Street, a principal e mais famosa rua de New Orleans. Cheia de boates e cabarets, a Bourbon é uma opção para quem não tem um diploma como Danny. É lá que Maxie Fields (Walter Matthau) impera, controlando tudo menos a pequena casa noturna chamada “King Creole”, onde Danny acaba encontrando um emprego como cantor fixo. E justamente nesse meio cheio de violência e crimes, disputas e concorrências desleais que Danny irá tentar finalmente abrir os caminhos de sua vida.
“Balada Sangrenta” tem um excelente roteiro que procura desenvolver todos os personagens. Apesar das músicas suavizarem um pouco o clima barra pesada da estória, Michael Curtiz conseguiu manter a densidade dramática dos acontecimentos. O Danny Fisher de Elvis é um cara durão, tenaz, que não aceita desaforos, bem ao contrário de seu pai, que muitas vezes se coloca em situações humilhantes apenas para garantir um suado e minguado salário em um emprego como assistente numa farmácia local. Isso é tudo o que Danny não deseja em seu futuro. Para piorar ele começa a andar com a turma de Shark (Vic Morrow de “Sementes da Violência”). Por falar nisso, o elenco coadjuvante de “Balada Sangrenta” é realmente excepcional.
O personagem de Elvis fica dividido entre o amor inocente e puro de Nellie (interpretada por Dolores Hart, mais uma vez contracenando com Elvis) e a paixão pela desiludida Ronnie (Carolyn Jones), uma garota de boate e amante casual do gangster Maxie. E por falar nesse personagem não deixa de ser muito interessante ver Walter Matthau interpretando um gangster que tenta controlar a tudo e a todos com violência, chantagens e poder econômico. Suas cenas ao lado de Elvis são excelentes. Curiosamente aqui Matthau deixou de lado seus personagens cômicos, em divertidos filmes ao lado de Jack Lemmon, para atuar em uma papel bem sério, diria até mesmo sinistro. Foi uma exceção em sua longa carreira no cinema.
E o Rei do Rock, como se sai com tanta responsabilidade ao ter que atuar no meio de tantos atores talentosos? Muito bem. A crítica da época elogiou Presley por sua capacidade de segurar um filme desse porte! Embora não fosse um ator com formação dramática, não há como deixar de elogiar o cantor em sua caracterização aqui. Obviamente que sua atuação não pode ser comparada aos grandes atores da época, mas dentro de suas possibilidades Elvis se saiu excepcionalmente bem. E ele tem muitas cenas complicadas ao longo do filme, seja sofrendo ao saber que seu pai foi apunhalado, seja tentando transmitir a dor pela perda de uma pessoa querida.
Embora tivesse a opção de realizar o filme em cores, o diretor Michael Curtiz se decidiu pelo Preto e Branco. A decisão foi baseada no próprio enredo do filme que pedia por um clima mais sórdido, noir, sombrio, ideal para o P&B. Outra decisão do diretor foi filmar grande parte do filme nos estúdios da Paramount em Los Angeles. Apenas algumas cenas seriam realizadas em locação na cidade de New Orleans, como a seqüência final no píer. Dentro dos confortáveis estúdios era bem mais fácil controlar as filmagens. Assim uma Bourbon Street foi recriada dentro do estúdio, o mesmo acontecendo com as boates de Maxie Fields e o próprio King Creole.
Em conclusão, “Balada Sangrenta” é um pequeno clássico da década de 1950 que merecia inclusive ter mais reconhecimento. Há uma mistura de elementos e gêneros que vão do drama ao suspense, do musical ao romance, que não pode ser subestimada. Pena que Michael Curtiz já estava com a idade muito avançada, perto de se aposentar definitivamente. Ele nunca mais trabalharia com Elvis. A lamentar também os rumos que a vida do próprio Elvis tomou após terminar o filme, ao ser convocado para o exército americano, interrompendo sua carreira em Hollywood, logo no melhor momento e na melhor fase de toda a sua vida artistica. De qualquer modo ficou para a posteridade essa obra cinematográfica, que resistiu excepcionalmente bem ao tempo. Uma preciosidade que merece ser redescoberta não apenas por fãs de Elvis Presley ou admirados de Michael Curtiz, mas principalmente pelos cinéfilos em geral. “Balada Sangrenta” é sem dúvida um exemplo do que de melhor Hollywood produzia naquela época.
Balada Sangrenta (King Creole, Estados Unidos, 1958) Direção: Michael Curtiz / Roteiro: Herbert Baker, Michael V. Gazzo baseados na obra "A Stone for Danny Fisher" de Harold Robbins / Elenco: Elvis Presley, Carolyn Jones, Walter Matthau, Dolores Hart, Dean Jagger, Vic Morrow, Paul Stewart, Jan Shepard, Liliane Montevecchi / Sinopse: Danny Fisher (Elvis Presley) se vira como é possível para ajudar sua família. Após as aulas ganha uns trocados limpando mesas e arrumando os salões de bares e casas noturnas em New Orleans. É justamente aí que descobre ter um talento especial, o de cantor. Disputado por duas casas noturnas da Bourbon Street, ele terá que ser forte para sobreviver ao jogo de gangsters e criminosos de todos os tipos.
Pablo Aluísio.
A trama se passa numa New Orleans com muita música no ar, mas também com muita criminalidade pelos becos escuros da cidade. É nesse cenário que vive o jovem Danny Fisher (Elvis Presley). Após a morte de sua mãe em um acidente automobilístico, a outrora família feliz de Danny entra em crise. Seu pai (interpretado pelo ator Dean Jagger), um homem honesto e digno, não consegue mais se firmar em nenhum emprego. Já sua irmã Mimi (Jan Shepard) tenta de alguma forma ajudar em casa, ocupando a posição que era exercida por sua mãe falecida. Uma pessoa que logo se torna o equilíbrio emocional da família Fisher.
O sonho de todos eles é que Danny se forme, construa assim um futuro melhor para si e venha a ter um dia uma profissão que lhe dê segurança e estabilidade na vida. A escola se torna a única esperança de toda a família. E é justamente no último dia de aula, quando está prestes a receber seu diploma, que Danny acaba se envolvendo em uma confusão que irá alterar todo o seu destino. Ele briga com alguns colegas na porta da escola e por isso não consegue mais se formar. Desiludido, decide ir atrás de algum trabalho melhor na Bourbon Street, a principal e mais famosa rua de New Orleans. Cheia de boates e cabarets, a Bourbon é uma opção para quem não tem um diploma como Danny. É lá que Maxie Fields (Walter Matthau) impera, controlando tudo menos a pequena casa noturna chamada “King Creole”, onde Danny acaba encontrando um emprego como cantor fixo. E justamente nesse meio cheio de violência e crimes, disputas e concorrências desleais que Danny irá tentar finalmente abrir os caminhos de sua vida.
“Balada Sangrenta” tem um excelente roteiro que procura desenvolver todos os personagens. Apesar das músicas suavizarem um pouco o clima barra pesada da estória, Michael Curtiz conseguiu manter a densidade dramática dos acontecimentos. O Danny Fisher de Elvis é um cara durão, tenaz, que não aceita desaforos, bem ao contrário de seu pai, que muitas vezes se coloca em situações humilhantes apenas para garantir um suado e minguado salário em um emprego como assistente numa farmácia local. Isso é tudo o que Danny não deseja em seu futuro. Para piorar ele começa a andar com a turma de Shark (Vic Morrow de “Sementes da Violência”). Por falar nisso, o elenco coadjuvante de “Balada Sangrenta” é realmente excepcional.
O personagem de Elvis fica dividido entre o amor inocente e puro de Nellie (interpretada por Dolores Hart, mais uma vez contracenando com Elvis) e a paixão pela desiludida Ronnie (Carolyn Jones), uma garota de boate e amante casual do gangster Maxie. E por falar nesse personagem não deixa de ser muito interessante ver Walter Matthau interpretando um gangster que tenta controlar a tudo e a todos com violência, chantagens e poder econômico. Suas cenas ao lado de Elvis são excelentes. Curiosamente aqui Matthau deixou de lado seus personagens cômicos, em divertidos filmes ao lado de Jack Lemmon, para atuar em uma papel bem sério, diria até mesmo sinistro. Foi uma exceção em sua longa carreira no cinema.
E o Rei do Rock, como se sai com tanta responsabilidade ao ter que atuar no meio de tantos atores talentosos? Muito bem. A crítica da época elogiou Presley por sua capacidade de segurar um filme desse porte! Embora não fosse um ator com formação dramática, não há como deixar de elogiar o cantor em sua caracterização aqui. Obviamente que sua atuação não pode ser comparada aos grandes atores da época, mas dentro de suas possibilidades Elvis se saiu excepcionalmente bem. E ele tem muitas cenas complicadas ao longo do filme, seja sofrendo ao saber que seu pai foi apunhalado, seja tentando transmitir a dor pela perda de uma pessoa querida.
Embora tivesse a opção de realizar o filme em cores, o diretor Michael Curtiz se decidiu pelo Preto e Branco. A decisão foi baseada no próprio enredo do filme que pedia por um clima mais sórdido, noir, sombrio, ideal para o P&B. Outra decisão do diretor foi filmar grande parte do filme nos estúdios da Paramount em Los Angeles. Apenas algumas cenas seriam realizadas em locação na cidade de New Orleans, como a seqüência final no píer. Dentro dos confortáveis estúdios era bem mais fácil controlar as filmagens. Assim uma Bourbon Street foi recriada dentro do estúdio, o mesmo acontecendo com as boates de Maxie Fields e o próprio King Creole.
Em conclusão, “Balada Sangrenta” é um pequeno clássico da década de 1950 que merecia inclusive ter mais reconhecimento. Há uma mistura de elementos e gêneros que vão do drama ao suspense, do musical ao romance, que não pode ser subestimada. Pena que Michael Curtiz já estava com a idade muito avançada, perto de se aposentar definitivamente. Ele nunca mais trabalharia com Elvis. A lamentar também os rumos que a vida do próprio Elvis tomou após terminar o filme, ao ser convocado para o exército americano, interrompendo sua carreira em Hollywood, logo no melhor momento e na melhor fase de toda a sua vida artistica. De qualquer modo ficou para a posteridade essa obra cinematográfica, que resistiu excepcionalmente bem ao tempo. Uma preciosidade que merece ser redescoberta não apenas por fãs de Elvis Presley ou admirados de Michael Curtiz, mas principalmente pelos cinéfilos em geral. “Balada Sangrenta” é sem dúvida um exemplo do que de melhor Hollywood produzia naquela época.
Balada Sangrenta (King Creole, Estados Unidos, 1958) Direção: Michael Curtiz / Roteiro: Herbert Baker, Michael V. Gazzo baseados na obra "A Stone for Danny Fisher" de Harold Robbins / Elenco: Elvis Presley, Carolyn Jones, Walter Matthau, Dolores Hart, Dean Jagger, Vic Morrow, Paul Stewart, Jan Shepard, Liliane Montevecchi / Sinopse: Danny Fisher (Elvis Presley) se vira como é possível para ajudar sua família. Após as aulas ganha uns trocados limpando mesas e arrumando os salões de bares e casas noturnas em New Orleans. É justamente aí que descobre ter um talento especial, o de cantor. Disputado por duas casas noturnas da Bourbon Street, ele terá que ser forte para sobreviver ao jogo de gangsters e criminosos de todos os tipos.
Pablo Aluísio.
Elvis Presley - King Creole nos Cinemas
O filme King Creole (Balada Sangrenta, no Brasil) chegou aos cinemas dos Estados Unidos em 3 de julho de 1958. A estreia contou com uma noite de gala em Los Angeles, com o diretor Michael Curtiz e o elenco do filme, menos Elvis. Ele nunca apareceu para uma première de seus filmes. Uma coisa lamentável, mas na mentalidade tacanha do Coronel Parker, Elvis só apareceria em pública se fosse remunerado. Ele havia dito certa vez: "Se quiserem ver Elvis que paguem um ticket de bilheteria nos cinemas!". Nada era de graça para o velho empresário.
No Brasil o filme chegou no final de ano, em dezembro, com exibições em cinemas no Rio, São Paulo, Salvador e Recife. Depois foi sendo exibido nas semanas seguintes em várias capitais do país. Naquele tempo os filmes literalmente viajavam pelo país. Grandes rolos de película que as distribuidoras levavam de cidade em cidade para exibição nos cinemas. Primeiro nas capitais, depois na cidades do interior. A distribuidora nacional alugava os rolos para os donos de cinema. Se desse boa bilheteria, o filme continuava em cartaz por mais uma semana. Em Sáo Paulo o filme ficou em cartaz por três semanas, no Rio de Janeiro, por um mês.
Nos Estados Unidos o filme foi bem elogiado pela crítica. De maneira em geral os jornalistas norte-americanos especializados em cinema gostaram do que viram. Elogiaram Michael Curtiz, que era um diretor respeitado e sobrou elogios até mesmo para Elvis. A mídia em geral deu destaque ao lançamento do filme e ele foi muito bem sucedido nas bilheterias, a tal ponto que a Paramount Pictures quis assinar um contrato de sete anos com Elvis. Isso só não aconteceu porque o cantor tinha outros problemas a resolver.
Ele havia sido convocado pelo Exército americano para prestar serviço militar. Naquela época, antes da Guerra do Vietnã, o serviço militar ainda era obrigatório. O governo americano até entendeu a situação de Elvis e por isso ofereceu a ele uma alternativa, de serviços promocionas e shows gratuitos para as tropas estacionadas no exterior, algo que vários artistas tinham feito no passado. Só que o Coronel Parker disse não! Como ele já havia dito antes, Elvis jamais iria se apresentar de graça. Com isso Elvis se alistou e foi servir o exército, como um recruta comum.
Pablo Aluísio.
Elvis e a Balada Sangrenta
Sempre muito elogiado, o último filme de Elvis nos anos 50, o famoso King Creole (Balada Sangrenta, no Brasil) merece algumas reflexões adicionais. Não nego que seja um filme muito bom, entretanto afirmar que estaria no mesmo patamar de alguns filmes de Marlon Brando ou até mesmo do ídolo de Elvis, James Dean, já me soa um pouco exagerado.
Perceba que inicialmente foi um roteiro escrito justamente para os dois rebeldes máximos de Hollywood naquela década. Só que Brando recusou o papel afirmando que já tinha passado da idade (e ele tinha razão sobre isso) e James Dean, que parecia condenado logo no começo de sua carreira a interpretar jovens encucados e confusos, morreu antes de aceitar o papel. Assim o roteiro ficou órfão e a Paramount Pictures entendeu que Elvis poderia ser uma boa opção. O roqueiro rebolador de cabelos de brilhantina poderia salvar aquele projeto.
Não me entenda mal, acredito que Elvis não se saiu mal, mas vamos falar a verdade dos fatos, ele novamente foi salvo por sua música. Se o filme fosse inteiramente dramático, como originalmente foi concebido, penso que Elvis estaria em apuros. Ele não era ator profissional, apenas enganava bem e tinha boa presença de cena, mas na real não era Marlon Brando e nem James Dean. Havia um Actors Studio de distância entre eles!
Além disso o filme, apesar de seus inegáveis méritos artísticos, não foge muito da fórmula dos chamados filmes de Elvis. O que isso quer dizer? Bom, tem muitas cenas musicais, duas mulheres disputando seu coração (sendo uma mais jovem boazinha e uma mais velha, do tipo mulher fatal) e claro um vilão, aqui sendo interpretado pelo Walter Matthau, que convenceu bem como mafioso, mas que fez sua carreira praticamente toda interpretando rabugentos em filmes cômicos. Brando é que se consagrou como o mais perfeito padrinho das famílias da cosa nostra.
Então é isso. Michael Curtiz teve sua experiência diferenciada e Elvis também teve a chance de ser Brando Dean por um dia. Um filme mais do que interessante para quem aprecia a história do cinema, mas ainda longe dos grandes filmes de Hollywood em sua era de ouro.
Pablo Aluísio.
quarta-feira, 12 de agosto de 2026
Elvis Presley - King Creole - Discografia Brasileira
Para surpresa geral dos fãs brasileiros a trilha sonora do filme foi lançada junto com a chegada do filme nos cinemas. Foi a primeira vez que isso aconteceu pois os discos costumavam chegar com 1 ano de atraso nas lojas de discos. E de forma em geral o álbum brasileiro também era bem fiel ao original norte-americano. Apenas mexeram um pouquinho na ordem das músicas. "Lover Doll", por exemplo, foi deslocada, abrindo o lado B do disco nacional. Nada demais, apenas uma pequena mudança que não interferia em nada na audição.
Depois desse lançamento nos anos 1950 o disco ficou muitos anos fora de catálogo, só voltando ao mercado brasileiro em 1982 no pacote do selo Pure Gold. Há quem reclamasse da qualidade sonora dessa edição, mas eu procuro ver pelo lado positivo. Com selo amarelo da RCA o álbum voltava em uma nova edição para os fãs brasileiros de Elvis. Mudaram um pouco a capa, mudando alguns detalhes da direção de arte original. Em minha opinião a capa ficou até mais bonita.
Depois disso não houve mais edições em vinil. As músicas do filme só voltariam ao nosso mercado em uma edição em CD por volta de 1992. Uma edição até bem simples, sem luxos. O que mais senti falta foi das fotos do filme que vinham na contracapa das edições em vinil. Foi uma versão econômica demais em meu ponto de vista. Um pouco mais de capricho cairia muito bem.
Por fim a última vez que tive conhecimento de um lançamento nacional com essas músicas do King Creole foi no Box The King of Rock n Roll que trazia todas as gravações de Elvis feitas nos anos 1950. E claro que essas músicas do Balada Sangrenta também foram incluídas. Curioso é que no box dos anos 60 houve uma separação em dois boxes. Em um apenas músicas de estúdio, no outro as músicas de filmes. Na edição dos anos 50 isso não aconteceu, foi tudo junto e misturado.
Pablo Aluísio.
Elvis Presley - King Creole
A principal preocupação de Danny Fischer (Elvis) não é ser um astro do rock, mas sim terminar seus estudos e se formar. Mas, com o pai desempregado o único jeito de conseguir isso é ir trabalhar como copeiro, limpando mesas num night club barra pesada, onde ele conhece todos os tipos que frequentam o submundo de New Orleans. Entre essas pessoas está Ronnie (Carolyn Jones), uma prostituta com um coração de ouro, a quem ele protege de um bando de bêbados matutinos quando ela está voltando para casa depois de uma noite dura. Eles ficam amigos e, quando Ronnie o acompanha até a escola, alguns estudantes a insultam.
Danny acaba brigando com eles e é expulso da escola, perdendo a chance de se formar. A barra começa a ficar mais pesada e, na mesma noite, ele se envolve com uma gang de marginais liderados por Tubarão (Vic Morrow) e começa a roubar lojas de departamentos. Danny só precisa cantar para a freguesia, desviando a atenção dos companheiros que roubavam a loja. É a partir desta parte da trama que o personagem de Danny Fischer começa a pensar seriamente em se tornar um cantor. Entre assaltos e canções, Danny conhece Maxie Fields (Walther Matthau), um sinistro chefe da máfia local, e tem um caso com Ronnie e outro com a ingênua Nellie (Dolores Hart) e começa a cantar em uma boate chamada King Creole, onde vira um enorme sucesso, atraindo multidões.
Maxie Fields, dono do Blue Shade, uma boate rival, tenta tirar Danny do King Creole e contratá-lo para o seu club. Como ele não aceita, acaba sendo chantageado por tomar parte num roubo cuja vítima, desconhecido para ele, era seu próprio pai, que fica muito machucado e vai parar no hospital. Sem dinheiro para pagar a conta do pai hospitalizado, Danny aceita a oferta de Maxie Fields. Nas garras do gangster ele segura a situação por algum tempo, mas quando Maxie conta ao pai de Danny que seu filho foi um dos ladrões que o atacaram, Danny fica possesso e bate no mafioso.
Em busca de vingança, Fields manda seus homens atrás dele, que está escondido com Ronnie numa cabana remota. Quando são descobertos pelos capangas, Ronnie leva um tiro e morre. Felizmente, Maxie Fields também é encontrado morto e Danny pode voltar para o King Creole, onde se reconcilia com o pai e com a sempre fiel Nellie. Elvis sempre dizia que de todos os seus filmes, King Creole era o seu favorito
Elvis - Documento Histórico.
Danny acaba brigando com eles e é expulso da escola, perdendo a chance de se formar. A barra começa a ficar mais pesada e, na mesma noite, ele se envolve com uma gang de marginais liderados por Tubarão (Vic Morrow) e começa a roubar lojas de departamentos. Danny só precisa cantar para a freguesia, desviando a atenção dos companheiros que roubavam a loja. É a partir desta parte da trama que o personagem de Danny Fischer começa a pensar seriamente em se tornar um cantor. Entre assaltos e canções, Danny conhece Maxie Fields (Walther Matthau), um sinistro chefe da máfia local, e tem um caso com Ronnie e outro com a ingênua Nellie (Dolores Hart) e começa a cantar em uma boate chamada King Creole, onde vira um enorme sucesso, atraindo multidões.
Maxie Fields, dono do Blue Shade, uma boate rival, tenta tirar Danny do King Creole e contratá-lo para o seu club. Como ele não aceita, acaba sendo chantageado por tomar parte num roubo cuja vítima, desconhecido para ele, era seu próprio pai, que fica muito machucado e vai parar no hospital. Sem dinheiro para pagar a conta do pai hospitalizado, Danny aceita a oferta de Maxie Fields. Nas garras do gangster ele segura a situação por algum tempo, mas quando Maxie conta ao pai de Danny que seu filho foi um dos ladrões que o atacaram, Danny fica possesso e bate no mafioso.
Em busca de vingança, Fields manda seus homens atrás dele, que está escondido com Ronnie numa cabana remota. Quando são descobertos pelos capangas, Ronnie leva um tiro e morre. Felizmente, Maxie Fields também é encontrado morto e Danny pode voltar para o King Creole, onde se reconcilia com o pai e com a sempre fiel Nellie. Elvis sempre dizia que de todos os seus filmes, King Creole era o seu favorito
Elvis - Documento Histórico.
Elvis Presley - King Creole - Edição FTD
A trilha sonora do filme "Balada Sangrenta" também ganhou uma edição especial dentro do selo Follow That Dream (FTD). Infelizmente pouca coisa restou das sessões de gravação desse álbum. Por isso quando foi anunciado o lançamento do FTD King Creole não me empolguei nem um pouco. É de se lamentar, pois a trilha sonora de King Creole teve uma gravação particularmente complicada com Elvis tendo que trabalhar com o maior número de músicos de sua carreira até aquele momento. A sonoridade de New Orleans exigia um arranjo bem elaborado de metais com vários instrumentistas. Músicos com quem Elvis nunca havia trabalhado antes.
Colocar todos aqueles músicos em sincronia realmente não foi um trabalho fácil dentro dos estúdios. Mas Elvis sabia lidar muito bem com esse tipo de situação. Como sempre Elvis usava o bom humor e a descontração dentro dos estúdios para aliviar a tensão e a ansiedade do grupo. As sessões de gravação foram realizadas nos estúdios da RCA Victor Radio Recorders, em West Hollywood, California em janeiro de 1958. Walter Scharf foi o produtor, acompanhado do engenheiro de som Thorne Nogar. Em fevereiro Elvis voltaria aos estúdios para alguns complementos e acabaria gravando uma nova música chamada "Danny" que acabou ficando de fora do álbum original, embora fosse uma bela balada, bem de acordo com o contexto do filme, uma vez que Danny era o nome de seu personagem.
Como escrevi, muita coisa se perdeu dessas sessões. A RCA não teve o cuidado de guardar grande parte do material descartado na época. E o que sobreviveu das sessões de King Creole? Pouca coisa realmente. As sessões foram longas e exaustivas e era de se supor que muita coisa fosse realmente gravada, mas grande parte das fitas originais foram simplesmente perdidas ou apagadas, não se sabe ao certo. Assim além das versões oficiais que conhecemos sobrou pouca coisa e esse FTD King Creole retrata bem isso. Para compensar a falta de material o selo resolveu apostar numa edição caprichada com um livro recheado de fotos (algumas inéditas) e muitas informações impressas. Direção de arte muito caprichada e bonita.
Claro que nada disso vai preencher a lacuna do que se perdeu mas dentro do possível é realmente o que podemos contar. Até mesmo “Danny”, a famosa música não usada na trilha, surge tímida. Aliás até hoje a exclusão de “Danny” do disco oficial causa debate. A canção não pode ser considerada uma das melhores coisas da trilha sonora, mas tem seus méritos, principalmente na vocalização do grupo de apoio de Elvis. Já a versão do filme de “As Long As I Have You” que ouvimos aqui é muito boa. A voz de Elvis praticamente sussurrada é um ponto alto, assim como “Lover Doll”, em versão bem simples, apenas com violão. De uma simplicidade cativante. Dois casos em que a simplicidade é tudo! Se as anteriores são caracterizadas pela singeleza o take 3 de King Creole peca pelo excesso. Há um exagero nos arranjos de metais ao fundo que torna a sonoridade estranha, pouco atrativa. Ainda bem que os produtores e Elvis perceberam isso e cortaram alguns instrumentos na versão oficial.
E o que dizer do take 18 de King Creole? Parece outra canção tal a mudança em sua velocidade. Os Jordanaires estão mais presentes e Elvis parece não levar nada muito a sério – lá pela metade da gravação ele percebe que aquela melodia certamente não tinha nada a ver mesmo. Esse registro é curioso mas foi descartado logo. É um take alternativo que definitivamente não deu certo. O CD se encerra com a “Alma Mater” Steadfast, Loyal And True. Muita gente não gosta dessa música, mas em minha opinião ela foi salva pela ternura e inocência típicas da década de 1950. Enfim, é isso. Quem sabe um dia a sessão completa não venha a surgir por aí. Possa ser que os tais registros perdidos ainda existam. Aqui vale a máxima: “A esperança é a última que morre!”.
Elvis Presley - FTD King Creole
Original Album: 1 King Creole – take 13 / 2 As Long As I Have You – take 10 / 3 Hard Headed Woman – take 10 / 4 Trouble – take 5 / 5 Dixieland Rock – take 14 / 6 Don't Ask Me Why – take 12 / 7 Lover Doll - take 7 / 8 Crawfish – take 7 / 9 Young Dreams – take 8 / 10 Steadfast, Loyal And True / 11 New Orleans – take 5 / Material Bonus: 12 Danny – take 10 / 13 As Long As I Have You – (movie version) – take 4 / 14 Lover Doll (undubbed EP master) – take 7 / 15 King Creole (First version) - take 3 –16 Steadfast, Loyal And True (First version) – take 6 / 17 As Long As I Have You (unused movie version) – take 8 / 18 King Creole (First version) – take 18 / 19 Steadfast, Loyal And True (undubbed version).
Pablo Aluísio.
Colocar todos aqueles músicos em sincronia realmente não foi um trabalho fácil dentro dos estúdios. Mas Elvis sabia lidar muito bem com esse tipo de situação. Como sempre Elvis usava o bom humor e a descontração dentro dos estúdios para aliviar a tensão e a ansiedade do grupo. As sessões de gravação foram realizadas nos estúdios da RCA Victor Radio Recorders, em West Hollywood, California em janeiro de 1958. Walter Scharf foi o produtor, acompanhado do engenheiro de som Thorne Nogar. Em fevereiro Elvis voltaria aos estúdios para alguns complementos e acabaria gravando uma nova música chamada "Danny" que acabou ficando de fora do álbum original, embora fosse uma bela balada, bem de acordo com o contexto do filme, uma vez que Danny era o nome de seu personagem.
Como escrevi, muita coisa se perdeu dessas sessões. A RCA não teve o cuidado de guardar grande parte do material descartado na época. E o que sobreviveu das sessões de King Creole? Pouca coisa realmente. As sessões foram longas e exaustivas e era de se supor que muita coisa fosse realmente gravada, mas grande parte das fitas originais foram simplesmente perdidas ou apagadas, não se sabe ao certo. Assim além das versões oficiais que conhecemos sobrou pouca coisa e esse FTD King Creole retrata bem isso. Para compensar a falta de material o selo resolveu apostar numa edição caprichada com um livro recheado de fotos (algumas inéditas) e muitas informações impressas. Direção de arte muito caprichada e bonita.
Claro que nada disso vai preencher a lacuna do que se perdeu mas dentro do possível é realmente o que podemos contar. Até mesmo “Danny”, a famosa música não usada na trilha, surge tímida. Aliás até hoje a exclusão de “Danny” do disco oficial causa debate. A canção não pode ser considerada uma das melhores coisas da trilha sonora, mas tem seus méritos, principalmente na vocalização do grupo de apoio de Elvis. Já a versão do filme de “As Long As I Have You” que ouvimos aqui é muito boa. A voz de Elvis praticamente sussurrada é um ponto alto, assim como “Lover Doll”, em versão bem simples, apenas com violão. De uma simplicidade cativante. Dois casos em que a simplicidade é tudo! Se as anteriores são caracterizadas pela singeleza o take 3 de King Creole peca pelo excesso. Há um exagero nos arranjos de metais ao fundo que torna a sonoridade estranha, pouco atrativa. Ainda bem que os produtores e Elvis perceberam isso e cortaram alguns instrumentos na versão oficial.
E o que dizer do take 18 de King Creole? Parece outra canção tal a mudança em sua velocidade. Os Jordanaires estão mais presentes e Elvis parece não levar nada muito a sério – lá pela metade da gravação ele percebe que aquela melodia certamente não tinha nada a ver mesmo. Esse registro é curioso mas foi descartado logo. É um take alternativo que definitivamente não deu certo. O CD se encerra com a “Alma Mater” Steadfast, Loyal And True. Muita gente não gosta dessa música, mas em minha opinião ela foi salva pela ternura e inocência típicas da década de 1950. Enfim, é isso. Quem sabe um dia a sessão completa não venha a surgir por aí. Possa ser que os tais registros perdidos ainda existam. Aqui vale a máxima: “A esperança é a última que morre!”.
Elvis Presley - FTD King Creole
Original Album: 1 King Creole – take 13 / 2 As Long As I Have You – take 10 / 3 Hard Headed Woman – take 10 / 4 Trouble – take 5 / 5 Dixieland Rock – take 14 / 6 Don't Ask Me Why – take 12 / 7 Lover Doll - take 7 / 8 Crawfish – take 7 / 9 Young Dreams – take 8 / 10 Steadfast, Loyal And True / 11 New Orleans – take 5 / Material Bonus: 12 Danny – take 10 / 13 As Long As I Have You – (movie version) – take 4 / 14 Lover Doll (undubbed EP master) – take 7 / 15 King Creole (First version) - take 3 –16 Steadfast, Loyal And True (First version) – take 6 / 17 As Long As I Have You (unused movie version) – take 8 / 18 King Creole (First version) – take 18 / 19 Steadfast, Loyal And True (undubbed version).
Pablo Aluísio.
quarta-feira, 5 de agosto de 2026
Elvis Presley - Elvis & Sophia Loren
Elvis estava tranquilamente sentado no refeitório da Paramount Pictures, durante uma pausa nas filmagens do filme "King Creole" (Balada Sangrenta) quando foi interrompido em sua refeição por Sophia Loren. Ela foi até Elvis para se apresentar pessoalmente. Já que ninguém apresentava os dois, ela decidiu que iria lá conhecer Elvis de qualquer jeito. "Olá Elvis, sou Sophia Loren!". Elvis se levantou, como bem determinava a educação sulista, apertou a mãe da atriz e respondeu: "É um prazer conhecê-la". Claro que Elvis sabia quem era Sophia Loren, já que ela estava se tornando uma das atrizes mais populares do cinema americano.
Sophia se sentou ao lado de Elvis e após um pequeno bate papo com o cantor viu se aproximando o fotógrafo Bob Willoughby. Esse não perdeu tempo, vendo ali duas estrelas do cinema juntas. Apontou sua câmera e saiu tirando uma série de fotos! Para sua surpresa Sophia Loren pulou então no colo de Elvis, que visivelmente ficou até um pouco constrangido com o avanço da atriz. Ele então começou a dar risada. Sophia Loren decidiu despentear completamente o cabelo de Elvis, enquanto as fotos iam sendo tiradas... foi um momento de pura diversão e desconcentração para todos que estavam ali. Sophia Loren estava claramente provocando Elvis, de um jeito até bem pouco sutil.
Entre risadas, beijos e abraços, Elvis acabou perdendo sua refeição, mas em compensação se divertiu muito também. Sophia Loren pareceu muito contente, provocando Elvis, dizendo que havia ouvido falar que ele era "um rapaz muito bonzinho". Aos 23 anos de idade Elvis obviamente entendeu bem os avanços da atriz, mas preferiu apenas se divertir com a situação. Anos depois a atriz contou em uma entrevista que seu objetivo era mesmo dar uns amassos em Elvis, convidar ele para jantar e depois levar para a cama o famoso rockstar, mas pelo visto seus planos não deram muito certo. Ela lamentou depois dizendo: "Que pena que ele não era um homem italiano!". Outra coisa que chamou a atenção de Sophia Loren foi a beleza de Elvis. Ela disse: "Elvis era muito mais bonito pessoalmente do que nas fotos! Foi um dos homens mais bonitos que ja conheci na minha vida!".
Elvis, por sua vez, elogiou a atriz afirmando: "Eu assisti a todos os filmes dela. Só que ela me disse que só havia assistido um dos meus filmes!" Depois de rir um pouquinho, Elvis disse: "Tudo bem! Espero que depois possa trabalhar ao seu lado no cinema, depois que eu voltar do exército e retomar minha carreira". Teria sido sem dúvida uma boa parceria no cinema, mas infelizmente nunca aconteceu. Elvis e Sophia Loren eram ambos contratados pela Paramount Pictures e teria sido fácil produzir um filme com o casal. Bastava ter vontade. Só que isso não passou pela cabeça do produtor Hall Wallis. Ele perdeu a oportunidade de unir o Rei do Rock e a estrela italiana em um mesmo filme. Teria sido muito interessante, tanto para os fãs de rock como para os fãs de cinema da época.
Pablo Aluísio.
Sophia se sentou ao lado de Elvis e após um pequeno bate papo com o cantor viu se aproximando o fotógrafo Bob Willoughby. Esse não perdeu tempo, vendo ali duas estrelas do cinema juntas. Apontou sua câmera e saiu tirando uma série de fotos! Para sua surpresa Sophia Loren pulou então no colo de Elvis, que visivelmente ficou até um pouco constrangido com o avanço da atriz. Ele então começou a dar risada. Sophia Loren decidiu despentear completamente o cabelo de Elvis, enquanto as fotos iam sendo tiradas... foi um momento de pura diversão e desconcentração para todos que estavam ali. Sophia Loren estava claramente provocando Elvis, de um jeito até bem pouco sutil.
Entre risadas, beijos e abraços, Elvis acabou perdendo sua refeição, mas em compensação se divertiu muito também. Sophia Loren pareceu muito contente, provocando Elvis, dizendo que havia ouvido falar que ele era "um rapaz muito bonzinho". Aos 23 anos de idade Elvis obviamente entendeu bem os avanços da atriz, mas preferiu apenas se divertir com a situação. Anos depois a atriz contou em uma entrevista que seu objetivo era mesmo dar uns amassos em Elvis, convidar ele para jantar e depois levar para a cama o famoso rockstar, mas pelo visto seus planos não deram muito certo. Ela lamentou depois dizendo: "Que pena que ele não era um homem italiano!". Outra coisa que chamou a atenção de Sophia Loren foi a beleza de Elvis. Ela disse: "Elvis era muito mais bonito pessoalmente do que nas fotos! Foi um dos homens mais bonitos que ja conheci na minha vida!".
Elvis, por sua vez, elogiou a atriz afirmando: "Eu assisti a todos os filmes dela. Só que ela me disse que só havia assistido um dos meus filmes!" Depois de rir um pouquinho, Elvis disse: "Tudo bem! Espero que depois possa trabalhar ao seu lado no cinema, depois que eu voltar do exército e retomar minha carreira". Teria sido sem dúvida uma boa parceria no cinema, mas infelizmente nunca aconteceu. Elvis e Sophia Loren eram ambos contratados pela Paramount Pictures e teria sido fácil produzir um filme com o casal. Bastava ter vontade. Só que isso não passou pela cabeça do produtor Hall Wallis. Ele perdeu a oportunidade de unir o Rei do Rock e a estrela italiana em um mesmo filme. Teria sido muito interessante, tanto para os fãs de rock como para os fãs de cinema da época.
Pablo Aluísio.
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