terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Elvis Presley - Loving You - Discografia Brasileira

Elvis Presley - Loving You - Discografia Brasileira
O álbum Loving You foi lançado no Brasil nos anos 1950, só que chegou aos fãs brasileiros com um ano de atraso, em 1958. Era praticamente idêntico ao disco americano, apenas trazendo de diferente a ordem das músicas. "Party", por exemplo, foi levada para o Lado B. E "Don´t Leave Me Now" foi realocada para abrir esse mesmo lado do LP. Curiosamente o disco manteve a mesma direção de arte do disco americano, o que não era muito comum porque naqueles tempos as representantes nacionais das gravadoras estrangeiras costumavam mexer no disco de todas as formas, inclusive mudando as capas. A edição brasileira levou o código de identificação BKL92. 

O compacto simples do filme também foi lançado, com Loving You no lado A e Teddy Bear no lado B. E não ficou por aí, a RCA Brasil ainda colocou no mercado nacional um dos dois compactos duplos americanos, provando que Elvis era bom de vendas em nosso país. Nas rádios o sucesso veio mesmo com a balada "Loving You", seguindo um pouco atrás "Teddy Bear". É interessante notar que "Loving You" fez mesmo bastante sucesso no Brasil, a ponto de ser incluída no disco "Elvis Disco de Ouro" de 1977, o disco brasileiro de Elvis mais vendido da história. E não podemos nos esquecer também que a faixa ainda foi lançada por Roberto Carlos até recentemente. O Rei brasileiro também quis fazer sua versão da música. 

Pois bem, o disco Loving You ainda ganharia mais duas edições brasileiras. A segunda seria lançada em 1982 naquela série "Pure Gold" que recolocou no mercado brasileiro diversos discos da carreira de Elvis. Esse LP dos anos 80 teve seu mono original reprocessado eletronicamente para Stereo, algo que nem todos os fãs gostaram. De fato muitos reclamaram do som desse vinil. Eu não seria tão crítico, acho OK. Nesse disco de 82 também houve uma pequena modificação da direção da arte da capa. Eu achei de muito bom gosto. O selo desse vinil era amarelo, sendo diferente do original preto da RCA dos Estados Unidos. Por fim, nos anos 90, com a explosão do CD no mercado nacional, houve a terceira edição de Loving You no Brasil. Poucas cópias foram colocadas no mercado, sendo hoje em dia essa edição uma verdadeira raridade. 

Pablo Aluísio. 

Elvis Presley - Loving You - Discografia Americana

LOVING YOU (1957)
MEAN WOMAN BLUES
TEDDY BEAR
LOVING YOU
GOT A LOT O'LIVIN TO DO
LONESOME COWBOY
HOT DOG
PARTY
BLUEBERRY HILL
TRUE LOVE
DON'T LEAVE ME NOW
HAVE I TOLD YOU LATELY THAT I LOVE YOU
I NEED YOU SO

Obs: Esse disco foi o primeiro a trazer uma trilha sonora de Elvis Presley no formato álbum, também conhecido como Long Playing ou LP. A trilha sonora de "Love Me Tender" foi lançado em EP (compacto duplo) e Single. O interessante é que esse disco iria se tornar um padrão para futuros lançamentos de Elvis trazendo músicas de Hollywood. O disco vendeu muito e mostrou a viabilidade comercial desse tipo de disco. Além disso o álbum em si funcionava também como publicidade para o filme, fazendo com que seus fãs fossem ao cinema. 

Single extraído deste disco:
Teddy Bear / Loving You (1957)

Obs: Esse single foi um grande sucesso comercial, indo para o primeiro Lugar nas paradas da Billboard. Pelo ótimo resultado comercial acabou se transformando no único single extraído do álbum. A RCA Victor estava mais do que satisfeita com o número de copias vendidas.

Compacto duplo incluído neste disco:

Elvis Presley Just For You
I Need you So / Have I Told You Lately That I Love You / Blueberry Hill / It's So Strange

Obs: Lançado antes do álbum Loving You, com material totalmente inédito, o EP Just For You fez um bom sucesso de vendas no mercado, chegando ao segundo lugar entre os mais vendidos da Billboard.

Compactos duplos extraídos deste disco:

Loving You Vol. 1:
Loving You / Party / Teddy Bear / True love
Obs: Lançado em agosto de 1957 foi um grande sucesso de vendas chegando ao primeiro lugar na parada de EPs - compactos duplos - isso apesar de só trazer reprises do álbum original. A capa trazia a mesma foto do disco original, do LP. 

Loving You Vol. 2:
Lonesome Cowboy / Hot Dog / Mean Woman Blues / Got A Lot O'Living to do
Obs: Outro compacto duplo lançado em agosto. Esse foi bem menos sucedido do que o anterior, só chegando ao quarto lugar nas paradas. Foi o último lançamento do projeto Loving You a chegar nas lojas americanas.

Pablo Aluísio.

Disco de Vinil: Loving You

Disco de Vinil: Loving You
Loving You, lançado em 1º de julho de 1957, é o segundo álbum de estúdio de Elvis Presley e também a trilha sonora de seu segundo filme homônimo. O disco surgiu em um momento crucial da carreira do cantor, quando Elvis já era um fenômeno cultural e midiático, mas ainda consolidava sua identidade artística no cinema e nos álbuns. Misturando rock and roll, baladas românticas e influências do country, Loving You apresentou um Elvis mais controlado, porém ainda carregado de energia juvenil.

Em termos comerciais, o álbum foi um enorme sucesso. Loving You alcançou o 1º lugar da parada da Billboard e permaneceu no topo por dez semanas consecutivas, confirmando o domínio absoluto de Elvis no mercado musical norte-americano de 1957. As vendas ultrapassaram rapidamente a marca de um milhão de cópias, impulsionadas tanto pela popularidade do filme quanto pelo impacto de canções como “Loving You” e “(Let Me Be Your) Teddy Bear”, esta última um dos maiores sucessos de sua carreira.

A reação da crítica da época refletiu a ambivalência que Elvis provocava no meio cultural. Enquanto parte da imprensa conservadora via o cantor como uma ameaça aos valores tradicionais, críticos musicais começaram a reconhecer seu carisma e impacto artístico. O jornal The New York Times escreveu que Elvis possuía “uma presença vocal que prende a atenção, mesmo quando o repertório é simples”. Já a revista Billboard destacou que o álbum “combina apelo juvenil com uma produção eficiente e comercialmente irresistível”.

Outros jornais enfatizaram o alcance popular do disco. O Los Angeles Times observou em 1957 que Loving You “confirma Elvis Presley como o rosto e a voz de uma nova geração”. Ao mesmo tempo, publicações mais críticas apontaram que o álbum priorizava o entretenimento cinematográfico em detrimento de uma maior ousadia musical, algo visto por alguns como um limite artístico naquele estágio de sua carreira.

Com o passar dos anos, Loving You passou a ser reconhecido como um marco importante da fase inicial de Elvis Presley. O álbum simboliza a transição do cantor do rock rebelde dos primeiros singles para uma estrela multimídia, capaz de dominar rádio, cinema e vendas de discos. Mais do que uma simples trilha sonora, Loving You consolidou Elvis como o maior ícone musical da década de 1950 e uma figura central na história da cultura popular do século XX.

Erick Steve. 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Em Cartaz: Loving You

Em Cartaz: Loving You 
O musical Loving You estreou nos cinemas em julho de 1957, dirigido por Hal Kanter e estrelado por Elvis Presley, em seu primeiro papel principal no cinema. A trama acompanha a ascensão de um jovem cantor descoberto por uma publicitária ambiciosa, refletindo de maneira bastante direta a própria trajetória meteórica de Elvis na música popular. Desde o lançamento, o filme foi encarado como um veículo claro para consolidar o astro do rock’n’roll também nas telas, em meio ao auge de sua popularidade.

Em termos de bilheteria, Loving You foi um sucesso expressivo. Produzido pela Paramount Pictures, o filme atraiu multidões de fãs de Elvis, especialmente o público jovem, tornando-se um dos títulos mais lucrativos do estúdio naquele ano. O impacto comercial foi reforçado pela trilha sonora, cujas músicas dominaram as paradas e ajudaram a transformar o filme em um fenômeno cultural que ia além das salas de cinema.

A reação da crítica em 1957 foi mista, refletindo a divisão geracional da época. O The New York Times descreveu o filme como “uma vitrine eficiente para o carisma natural de Elvis Presley”, observando que a narrativa era simples, mas funcional como entretenimento popular. A revista Variety comentou que a produção era “barulhenta, rápida e claramente voltada ao público juvenil”, reconhecendo seu potencial comercial, ainda que sem grandes ambições artísticas.

As atuações foram avaliadas principalmente à luz da presença de Elvis Presley. Muitos críticos apontaram que ele não era um ator tecnicamente refinado, mas destacaram seu magnetismo diante da câmera, com jornais afirmando que sua atuação era “espontânea, relaxada e irresistivelmente carismática”. O elenco coadjuvante, incluindo Lizabeth Scott e Dolores Hart, foi visto como funcional, servindo de apoio à figura central do cantor.

Já em 1957, parte da imprensa reconhecia que Loving You não pretendia ser mais do que um reflexo direto do fenômeno Elvis. Com o passar do tempo, o filme passou a ser visto como um documento essencial da cultura pop dos anos 1950, registrando o impacto inicial do rock no cinema americano. Hoje, a obra é lembrada como um marco na carreira de Presley e como o filme que estabeleceu o modelo de seus musicais posteriores, unindo juventude, rebeldia moderada e sucesso comercial.

Erick Steve. 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Elvis Presley - A Mulher Que Eu Amo (Loving You)

A Mulher Que Eu Amo
Deke Rivers (Elvis Presley) é um jovem trabalhador comum que ganha uma grande chance em sua vida quando uma experiente empresária do circuito country, Glenda Markle (Lizabeth Scott), começa a acreditar e investir em seu talento musical. Após ser despedido de seu emprego, Rivers acaba aceitando a oferta para trabalhar na companhia musical de Glenda. Ela então o escala nos shows que promove em pequenas cidades pelo Sul. Entre um concerto e outro Deke começa a chamar a atenção por suas performances. Ele é um ótimo cantor que acaba enlouquecendo o público feminino por onde passa. Não tarda a se tornar a principal estrela do show, causando ciúmes em Walter 'Tex' Warner (Wendell Corey), um veterano cantor com muitos anos de estrada, que até aquele momento era o principal nome da companhia. No meio de seu sucesso crescente Deke começa a se apaixonar pela doce e jovem cantora Susan (Dolores Hart), uma garota do interior que também almeja fazer sucesso em sua iniciante carreira. Ambos assim tentam encontrar seus próprios caminhos no concorrido circuito musical country.

"Loving You" foi o primeiro filme estrelado por Elvis Presley. Hal Wallis, o produtor, acreditou no jovem cantor que naquela época estava no auge de seu sucesso. Não é de se admirar que tenha logo contratado o rockstar Elvis, afinal ele era jovem, bonito, talentoso, famoso e tal como seu personagem no filme enlouquecia as garotas. Só lhe faltava mesmo virar estrela de cinema, algo que sempre sonhara. Wallis então lhe deu sua grande chance e Elvis não decepcionou. Ele não era ator, mas conseguia ter uma boa presença de cena.  O filme foi obviamente um tremendo sucesso de bilheteria. Presley era o maior ídolo jovem em 1957 e todo esse sucesso se refletiu no êxito do filme. Toda adolescente da América queria ver Elvis no cinema. O sucesso era realmente garantido.

Algumas coisas porém devem ser levadas em conta em relação a esse filme. Durante muitos anos se disse que era uma adaptação da própria vida de Elvis para o cinema. Não é inteiramente verdade. O roteiro já existia há anos. Muito provavelmente foi escrito usando Hank Williams como modelo. O enredo se passa todo no circuito country das pequenas cidadezinhas pelo sul dos EUA. Assim o roteirista Herbert Baker apenas pincelou alguns aspectos da carreira de Elvis em seu texto. A polêmica envolvendo o Rock ´n´ Roll, por exemplo. Do argumento original sobrou a parte mais dramática da estória de Deke Rivers, como o fato dele ter se tornado órfão após a morte de seus pais em um incêndio e a revelação de sua verdadeira identidade em um cemitério abandonado.

Em termos de atuação quem predomina mesmo é Lizabeth Scott, atriz veterana e protegida do produtor Wallis. Elvis ainda era muito jovem e inexperiente, mas dentro de suas possibilidades não sai se mal. Mesmo nos momentos mais cruciais, como a já citada cena do cemitério, Elvis não derrapa e nem faz feio. Claro que sua atuação não pode ser comparada ao dos grandes atores da época. Elvis era na verdade um amador que conseguia a proeza de convencer mesmo nas cenas mais complicadas. Menos afortunada se sai Dolores Hart já que seu papel é bem secundário. De fato ela tem apenas uma boa cena ao lado de Elvis, aquela que se passa na fazenda. Fora isso ela fica mesmo em segundo plano. Mesmo assim é bom deixar registrado que ela impressiona por sua beleza, que lembrava muito Grace Kelly, e por uma dicção perfeita nos diálogos, de se admirar mesmo. No mais o diretor Hal Kanter, em sua única parceria ao lado de Elvis, não quis inventar muito. Entregou um excelente meio de promoção para Elvis, tudo de acordo com as especificações da Paramount. Em suma, Loving You tem um pouquinho de tudo, romance, drama e o mais importante de tudo, sua música, essa realmente imortal. É seguramente um dos filmes mais agradáveis de toda a filmografia de Elvis Presley.

A Mulher Que Eu Amo (Loving You, Estados Unidos, 1957) Direção: Hal Kanter / Roteiro: Herbert Baker, Hal Kanter baseados na obra original de Mary Agnes Thompson / Elenco: Elvis Presley, Lizabeth Scott, Wendell Corey, Dolores Hart, James Gleason / Sinopse: Após ver o jovem Deke Rivers (Elvis Presley) cantando em uma apresentação, a empresária Glenda (Lizabeth Scott) resolve investir no talento do rapaz. Inicialmente o escala como ponte entre as principais estrelas de sua pequena companhia musical, mas depois que ele começa a fazer cada vez mais sucesso decide tomar a importante decisão de o levar para se apresentar na TV no Texas. O problema é que Deke tem um passado traumático que o faz esconder muitos segredos pessoais, inclusive sobre sua verdadeira identidade. Estaria ele realmente preparado para a fama e o sucesso?

Pablo Aluísio. 

domingo, 18 de janeiro de 2026

Elvis Presley - Teddy Bear / Loving You

Depois de vários meses sem um single nas lojas a RCA Victor finalmente lançou no mercado americano o novo compacto de Elvis Presley. O lado A surgia com uma música com nome no mínimo esquisito, "Teddy Bear". Na letra Elvis cantava: "Deixe-me ser seu ursinho de pelúcia" (o tal ursinho Teddy). Nem precisa esclarecer que algo assim tão carinhoso com as fãs fez com que o compacto disparasse em vendas. No Lado B o compacto trazia justamente a música que seria título de seu novo filme na Paramount Pictures. Era a balada "Loving You" que tentava repetir o mesmo sucesso de "Love Me Tender".

Na capa Elvis surgia com uma roupa estilizada de cantor country and western. A estranha estampa fazia parte do figurino de seu novo filme que em breve chegaria nos cinemas, "Loving You". E era justamente a canção título do filme que estava no Lado B do disquinho. Se Teddy Bear era puro pop inocente, "Loving You" era uma baladona que carregava nas tintas. Para dar mais consistência Elvis ainda adotou muito do estilo dos grandes cantores do passado, em especial Bing Crosby, de que era admirador. Esse single seria o primeiro do projeto Loving You a chegar aos fãs. Essa estratégia seria exaustivamente repetida pela gravadora de Elvis nos anos que viriam. Primeiro o lançamento de um single com as duas canções da trilha sonora com mais potencial de chegar nas primeiras posições da parada. Depois o lançamento do álbum com toda a trilha sonora e finalmente após algumas semanas a chegada do filme nas telas de cinema por todo o país. Durante anos esse esquema deu muito certo e trouxe muitos lucros tanto para a gravadora de Elvis quanto para os estúdios de Hollywood.

E por falar em estúdio de cinema, "Loving You" foi o primeiro a ser lançado pela Paramount Pictures, com produção do conhecido Hal Wallis. O interessante sobre a Paramount é que sua direção mantinha um padrão de qualidade que não poderia ser rompido. Assim os filmes de Elvis nesse estúdio geralmente eram bem melhores produzidos. Além disso por uma política interna da empresa as trilhas sonoras teriam que ser lançadas como álbuns completos de 10 a 12 canções. Elvis que havia lançado a trilha sonora de seu filme anterior pela Fox em compacto duplo acabou vendo então a Paramount exigir junto à RCA o material suficiente para lançar o álbum da trilha o mais breve possível. Para os executivos da Paramount a coisa era simples: O disco promovia o filme e vice-versa e ambos tinham que ter qualidade de acordo com as diretrizes do estúdio. Com apenas sete canções gravadas diretamente para o filme a RCA resolveu reaproveitar o recém compacto duplo "Just For You", colocando praticamente todas as suas canções no lado B do LP.

No tocante ao resultado comercial o single "Teddy Bear / Loving You" logo se tornou um grande sucesso de vendas. "Teddy Bear" tinha um alvo certo: as fãs adolescentes do cantor. Durante sua vida Elvis recebeu milhares de ursinhos de pelúcia. Uma revista americana divulgou sem base nenhuma que Elvis colecionava esse tipo de brinquedo. Não era verdade, mas as fãs acreditaram e enviaram ursinhos para a casa de Presley aos milhares. Para não parecer mal-educado Elvis recebeu os felpudos, mas jamais cogitou algum dia colecionar esse tipo de coisa. Para capitalizar em cima dessa história a música foi composta especialmente para ele. O curioso é que pessoalmente Elvis não estava certo sobre a canção. A letra era bobinha e iria fomentar ainda mais o boato dos ursinhos. Como era muito profissional acabou gravando a canção. O single logo chegou ao topo da Billboard se tornando assim mais um primeiro lugar consecutivo de sua carreira. Por essa época Elvis desfrutava de uma supremacia rara dentro da música americana. Qualquer coisa que lançasse era sucesso imediato e os compactos vendiam milhões de cópias antes mesmo de virarem sucessos nas rádios.

Só que havia uma novidade. Elvis mostrou com Teddy Bear que conseguia vender não apenas discos, mas produtos também. Milhões de ursinhos foram vendidos e esse acontecimento despertou a curiosidade de Tom Parker que entendeu que Elvis poderia virar uma marca de sucesso em qualquer segmento comercial. A partir daí contactou empresas e colocou o nome do cantor para licenciamentos de produtos em série. Em razão disso Elvis apareceu nas mais curiosas mercadorias, chicletes, jogos de tabuleiro, brinquedos, radiolas, etc. Era mais uma boa fonte de renda para Elvis e o Coronel e esse não se fez de rogado, explorando até a exaustão o nome de Elvis Presley.

E os ursinhos? Bom, depois de "Teddy Bear" eles continuaram a chegar em maior número pelos correios a tal ponto que Elvis já não sabia o que fazer com tantos ursinhos espalhados pela casa. Até o banheiro ficou lotado desses bichinhos. Elvis não queria jogar eles fora pois respeitava muito a boa vontade de seus fãs que o presenteava. Jogar no lixo seria um desrespeito para com suas jovens fãs. Foi então que após pensar um pouco ele chegou numa solução do problema. Elvis decidiu doar as centenas de ursinhos para instituições de caridade que atendia crianças pobres ou doentes. Assim ele resolveria o seu problema de espaço, não desrespeitaria seus fãs e ainda faria a alegria de muitas crianças carentes de Memphis. Um bom desfecho que deixou todos felizes, Elvis, as fãs e claro... o próprio Teddy Bear!

Curiosidade histórica: Você sabe por que o ursinho de pelúcia americano é conhecido pelo nome carinhoso de Teddy Bear? Esse nome vem do fato do presidente americano Theodore Roosevelt ter sido um dos criadores do brinquedo. Aventureiro, metido a ir em viagens exóticas (até na Amazônia esteve) o presidente Roosevelt procurou por anos por um brinquedo que despertasse nas crianças o sentimento de amor à natureza. Esse brinquedo acabou sendo o ursinho de pelúcia que era fofinho e muito ecologicamente correto pois despertava o amor dos pequeninos pelos animais. A imprensa americana então em um misto de ironia e sátira acabou se referindo ao ursinho como Teddy Bear - o Urso Teddy - em referência ao presidente Teddy Roosevelt. O curioso é que Roosevelt também era um caçador inveterado, o que não caía muito bem com sua postura de paixão pelo Reino Animal. Mas enfim, o fato é que o apelido pegou e até hoje o brinquedo que conhecemos como ursinho de pelúcia aqui no Brasil é conhecido lá nos Estados Unidos como Teddy Bear, o ursinho do presidente Teddy Roosevelt.

Pablo Aluísio. 

Elvis Presley - Loving You - Edição FTD

Essa é a edição especial dupla da trilha sonora de Loving You lançada pelo selo FTD. Como sempre tudo muito caprichado e de bom gosto. Material gráfico de primeira, muitas fotos interessantes internamente e todos os detalhes que os fãs de Elvis sempre gostam de saber (ficha técnica, data de gravação etc). Sempre gostei desse disco, não apenas pela qualidade musical (impecável em minha opinião) como também pelo próprio filme que é muito bom e nostálgico para os fãs do cantor. O CD vem com muito material demonstrando que muita coisa da sessão foi salva. Não deixa de ser uma excelente notícia já que infelizmente algumas sessões preciosas não sobreviveram ao tempo (como takes de algumas canções de Elvis em sua primeira sessão na RCA).

Por falar em nostalgia, comentar sobre o disco Loving You sempre é um prazer renovado pois esse foi um dos primeiros que adquiri de Elvis, ainda na época do vinil (que tenho preciosamente guardado até hoje). O curioso é que em essência o álbum Loving You nada mais é do que uma jogada (boa por sinal) da RCA Victor e do Coronel Parker. A primeira trilha de um filme de Elvis, como todos sabemos, foi Love Me Tender, lançado em compacto duplo com quatro canções em 1956. Obviamente foi um grande sucesso de vendas o que fez a RCA acreditar definitivamente nas trilhas de Elvis, transformando as sete canções do filme em um álbum ao juntar aquele material com faixas avulsas gravadas por Elvis para a gravadora em outras sessões. O resultado de tudo isso foi excelente, pois o material é dos mais acessíveis e agradáveis da carreira do cantor.

Como não poderia deixar de ser, o selo FTD aproveitou esse bom momento da discografia de Elvis e caprichou em sua edição especial, que traz não apenas a íntegra do LP original, mas também uma série de takes alternativos, outtakes e gravações específicas feitas especialmente para o filme (como as várias versões e derivações da canção tema Loving You). Nesse aspecto penso que houve um excesso de preciosismo por parte de Ernst Jorgensen, o produtor. Isso porque o segundo CD traz mais de 30 versões de apenas uma canção, a já citada Loving You. Penso que tal coisa além de comercialmente desinteressante, é desnecessária, já que até mesmo os colecionadores teriam acesso a esse material em outros lançamentos. Seria bem melhor um maior equilíbrio na escolha das faixas, procurando até mesmo valorizar ótimas faixas do disco original que não foram muito prestigiadas nesse lançamento, como Blueberry Hill.

Entre os takes mais expressivos, cito o Take A-7 de Party (ainda sem encontrar o pique necessário que conhecemos da versão oficial). É muito interessante notar que Elvis ainda está mais melódico, porém sem a energia necessária que esse rock necessita. Ficou parecendo até mesmo um R&B de passo rápido. Algo parecido acontece com o take de Mean Woman Blues. Logo no começo notamos a falta dos vocais de fundo (que tanto conhecemos da versão oficial e que se parece como pessoas conversando despreocupadamente) A ausência desse pequeno detalhe acaba deixando a versão "vazia". É incrível como um detalhe que pode soar banal muda completamente a audição de uma música, não é mesmo? Por outro lado o vocal de Elvis soa muito mais solto e espontâneo aqui e o grupo de apoio parece muito mais centrado em tocar mais concentrado. Eu devo confessar que gostei bastante do estilo de Elvis nessa versão pois ele soa juvenil e livre, bem ao estilo "Rebel Without a Cause" daqueles anos de brilhantina.

O take de Got A Lot O Livin To Do intitulado "finale" é outra boa surpresa. É a típica versão "igual, mas diferente". Como foi gravada visando o filme ela soa menos contida, mas bem mais energética. Uma das minhas favoritas, a já citada "Blueberry Hill" surge com apenas uma versão! Isso é desapontador e mostra que de certa forma existe sim um desequilíbrio na seleção das faixas. Ou isso ou realmente não havia mais nada arquivado para lançamento. Enquanto a música tema Loving You aparece com dezenas de takes, "Blueberry Hill" surge com apenas uma representante. Apesar de tudo o FTD Loving You se mostra essencial para colecionadores e fãs em geral. Impossível passar incólume por essas canções e sair ileso. O melhor rock dos anos 50 certamente está aqui. Aproveite (mesmo sabendo que existem omissões em sua seleção).

Pablo Aluísio.