quinta-feira, 11 de junho de 2026

Elvis Presley - Elvis' Christmas Album - Parte 4

"Here Comes Santa Claus" já era uma música bem antiga quando Elvis resolveu gravar essa sua nova versão. Essa canção na realidade era bem recorrente entre artistas do circuito country. E as pessoas esquecem que foi nesse mesmo circuito que Elvis realizou suas primeiras apresentações. Eu sempre gostei dessa canção. Ela chegou a ser usada em um clip de Natal nos anos 80 pela extinta Rede Manchete. Todo Natal ela entrava na programação, por essa razão eu criei um certo vínculo emocional e sentimental com ela. Muito pueril, mas igualmente muito carismática. 

"Santa Bring My Baby Back (To Me)" novamente traz em sua letra um pedido para o Papai Noel. Para quem anda esquecido das aulinhas de inglês, ele é conhecido nos Estados Unidos como Santa Claus, por isso o nome Santa em seu título. E o pedido dessa vez era para trazer a garota do autor da letra de volta. Se já não bastassem os milhares de presentes para as crianças que o Papai Noel tinha que distribuir na noite natalina, ainda tinha que dar uma de cupido também! Acho que confundiram as funções dos dois personagens!  

"O Little Town of Bethlehem" é muitas vezes creditada como uma música gospel em sua essência. Embora haja diferenças sutis, eu penso que ela seria melhor enquadrada como uma música natalina mesmo. As referências da letra evocam justamente o nascimento de Jesus, que ninguém sabe ao certo em que data se deu, mas que foi convencionada pela Igreja Católica em seus primórdios como tendo sido em dezembro. Historiadores acreditam que ele nasceu mesmo em março, por causa de pequenos detalhes colocados no evangelho. Então agora estaríamos em plena época do Natal! Mas enfim, essa é uma questão que não nos interessa nesse texto. O que vale salientar aqui é a boa performance de Elvis, embora muitos critiquem a canção por ser excessivamente melancólica. 

"Take My Hand, Precious Lord"  faz parte do pacote "Peace in The Valley", ou seja, foi lançada originalmente naquele compacto duplo (EP) que chegou às lojas americanas nos anos 50. Esse foi, não deixo de lembrar, o primeiro trabalho exclusivamente religioso da discografia de Elvis. E isso causou uma certa perplexidade nos jovens e na sociedade da época. Afinal o que estaria fazendo aquele roqueiro rebolativo e com cabelos cheios de brilhantina ao cantar esse tipo de material? Seria alguma gozação com os cristãos da época, os mesmos que o estavam acusando de corromper os bons costumes da juventude? Claro que nao, Elvis era mesmo uma pessoa religiosa, mas nem todo mundo entendeu isso perfeitamente. Nao faltaram acusações infundadas contra o cantor. 

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Elvis Presley - Elvis' Christmas Album - Parte 3

"Silent Night" é a nossa velha e conhecida "Noite Feliz". Impossível não conhecer, pelo menos se você conhece a tradição das músicas de natal. Isso tudo é fruto de uma época mais inocente, de um mundo que não existe mais. Não consigo imaginar um rockstar ou um popstar incluindo uma canção como essa em um disco nos dias atuais. Seria logo chamado de brega e coisas piores. Uma pena essa mentalidade. A música é linda e tem uma melodia que gruda em sua mente para nunca mais esquecer. 

"Blue Christmas" seria utilizada por Elvis onze anos depois dessa gravação original. O Coronel Parker colocou na cabeça que o especial de TV que Elvis iria realizar na NBC em 1968 deveria ser um especial de natal. Elvis deveria entrar vestido de Papai Noel no palco, distribuir presentes para crianças e entre um e outro presente distribuído ele iria cantar suas músicas natalinas. A NBC achou a ideia absurda e até mesmo idiota. Ainda bem que dessa vez Elvis não embarcou nas maluquices do Coronel. O NBC TV Special seria um sucesso justamente por não ir por esse caminho. Só que para não desagradar completamente Parker, a NBC concordou em encaixar uma canção natalina. Justamente essa que aqui estou comentando. Uma boa música, caiu bem. 

"I'll Be Home for Christmas" fala em voltar para casa, para o lar, no natal. Em 1957, no mesmo ano em que essa faixa foi gravada, Elvis comprou a mansão Graceland. Ele tinha 22 anos de idade e foi nesse natal que passou justamente as primeiras festividades natalinas ao lado de seus pais em Graceland. Foi o primeiro natal na sua querida casa. O mundo parecia belo e tudo corria bem para ele. Tinha uma carreira de sucesso, estava ao lado de sua querida mãe Gladys e o futuro parecia muito promissor. Sem dúvida o natal de 1957 foi muito feliz para ele, claro com esse álbum natalino tocando ao fundo enquanto Elvis recebia todos os seus convidados para uma ceia de natal que nunca mais iria esquecer. 

"I Believe" é uma musica gospel e não fez parte das gravações originais desse disco natalino. Na verdade ela foi colocada no álbum para completar o tempo do disco. A gospel music faz parte mesmo do EP Peace in The Valley, só com músicas religiosas, o primeiro trabalho gospel da carreira de Elvis. Como natal é Jesus e Jesus é natal, a RCA resolveu encaixar tudo no lado B, afinal apesar dos esforços, Elvis não conseguiu gravar material suficiente para todo um LP. A RCA então deu seu jeito para o disco ser completado. 

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - Elvis' Christmas Album - Parte 2

O disco abre com "Santa Claus Is Back in Town", uma faixa que é puro blues. Dois terços da população da cidade de Memphis era formada por pessoas negras. Isso dá uma ideia da grande influência cultural dessa parcela do povo na cultura da cidade de uma forma em geral. É claro que o jovem Elvis absorveu tudo isso. Ele ouvia com regularidade as estações negras da cidade. Elvis nunca foi um homem racista, muito pelo contrário. Ele sabia o que tinha ou não qualidade musical. E havia muita qualidade nas gravações dos artistas black. Obviamente, tudo isso, toda essa influência, passou para a sua própria musicalidade. O blues nasceu nas grandes plantações de algodão do sul. Era um lamento dos escravos negros que foram traficados para a América do Norte por séculos. Era cultura preta em sua mais pura essência.

Agora imaginem um homem branco americano, de classe média, dos anos 50, comprando esse disco natalino, levando para casa, para ouvi-lo pela primeira vez. Um sujeito que poderia até mesmo se considerar um conservador. De repente, ele coloca o disco para tocar e o que ele ouve? Um blues visceral cantado por Elvis! A letra até poderia soar bem de acordo com a cultura média branca da época, mas o som, a musicalidade, era pura black music. Não me admira em nada que houve até mesmo boicotes contra o álbum. Quem era racista não admitiria uma coisa dessas, ainda mais sendo consumido pelas suas jovens fiilhas adolescentes no sul dos Estados Unidos, onde, nem preciso dizer, era muito presente o racismo nos lares americanos. Uma situação social realmente deplorável.

Já o Coronel Parker queria um disco natalino bem tradicional. E para se ter um repertório nesse estilo, era necessário também apelar para os grandes compositores clássicos. Poucos compositores foram tão clássicos dentro da cultura musical dos Estados Unidos do que Irving Berlin. Um compositor sutil, elegante, de músicas que ficaram para sempre gravados dentro da mais alta cultura dos Estados Unidos. Justamente o que temos aqui na segunda faixa, "White Christmas". Elvis deve ter sentido o peso de gravar uma faixa como essa, embora clássicos não tenham sido uma novidade para ele. Presley já havia flertado com essa linha musical, até mesmo no lado B do disco "Loving You". Já havia gravado, por exemplo, Cole Porter. De qualquer forma, a gravação é excelente e do mais alto nível, tudo obviamente, com um toque do próprio Elvis e seu estilo musical. Pura cultura da tal elite branca da época.

O álbum assim abria com duas faixas bem representativas dos dois lados culturais da América. Mesclava a cultura negra e a cultura branca. Sem dúvida, era algo que não se esperaria de um disco natalino naqueles tempos. A década de 1950 foi uma das mais conservadoras e tradicionais da história americana. Os costumes culturais e sociais de segregação racial imperavam dentro daquela comunidade. Elvis surgira assim como um verdadeiro desbravador, um cara branco que ousou misturar tudo com a negritude dos guetos de Memphis. E tornou isso a fonte principal de sua música. Grande parte de sua genialidade artística veio justamente dessa mistura de culturas tão distintas e historicamente tão separadas.

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - Elvis' Christmas Album - Parte 1

Elvis Presley - Elvis' Christmas Album - Parte 1
Imagine hoje em dia um empresário colocando o roqueiro mais popular do mundo para gravar um disco apenas com músicas natalinas! Soaria para muitas pessoas, como algo fora do normal, algo até mesmo esdrúxulo. Pois foi exatamente isso que o Coronel Parker fez com Elvis Presley em 1957. Temos que ter em mente que os tempos eram os outros. Os anos 50 traz outro contexto histórico. Então não soava tão estranho assim, até porque muitos cantores populares da época também gravavam discos de Natal. Parker não precisou de muito trabalho para convencer Elvis a gravar um disco apenas com músicas de conteúdo natalino. E lá foi o jovem cantor, o rockstar, gravar esse tipo de música.  

Comercialmente, era algo muito vantajoso, porque as vendas do fim de ano estavam logo ali e era o forte do comércio. Pensando bem, um disco natalino com o jovem Elvis Presley era realmente um produto comercial muito viável. E isso se provaria com os números. Esse acabou sendo um dos álbuns mais vendidos da vida de Elvis. Colecionou discos de Platina e continuou vendendo Natal após Natal durante muitos anos. Nesse aspecto, o Coronel Parker havia acertado em cheio, até porque foi muito lucrativo para ele e seu cliente, Elvis. A gravadora também agradeceu. As cópias do disco não paravam de ser vendidas nas lojas. Foi um sucesso realmente espetacular.

E se engana quem acha que é um disco ruim, muito pelo contrário. Eu vejo muita qualidade nessas gravações. Elvis conseguiu gravar blues, rock e outros estilos usando letras natalinas. É um feito e tanto. Até hoje, ao ouvir essas faixas, eu fico admirado com a versatilidade desse jovem cantor de rock. Era um artista acima da média. Realmente surpreende a qualidade de seu trabalho dentro dos estúdios. 

Elvis Presley não chegou a gravar músicas natalinas suficientes para completar um álbum, mas a RCA daria um jeito nisso. No lado B, colocaria músicas religiosas que ele havia gravado para o EP "Peace in the Valley". As músicas tinham semelhanças de temas, afinal o Natal não deixava de ser um feriado religioso. E assim foi elaborado esse disco que trouxe muito êxito comercial para Elvis e principalmente para o velho Coronel Parker, que não perdia mesmo uma chance de  ter bons lucros!

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Elvis Presley - A Harley-Davidson de Elvis

Tendo uma origem muito humilde, Elvis assim que começou a ganhar algum dinheiro como cantor, começou a realizar alguns antigos sonhos de consumo. Embora fosse louco por carros, Cadillacs em especial, ele tinha também verdadeira adoração por motos. Como era um jovem de bom gosto assim que lhe caiu em mãos seu primeiro grande pagamento da Sun Records Elvis foi até um loja de Memphis especializada, de propriedade de Tommy Taylor, para comprar sua primeira moto, uma Harley-Davidson, é claro.

Já naquela época a marca era um dos símbolos do país. Possante, barulhenta e com força, a Harley era o sonho de todo jovem aspirante a se tornar um clone de Marlon Brando em seu papel no filme “O Selvagem”.A primeira Harley-Davidson de Elvis foi um modelo Harley 165. Ele fez um financiamento e a adquiriu em suaves prestações de US$ 47 dólares mensais. Essa era considerada uma moto de viagem, que tinha grande autonomia, podendo se deslocar por grandes distâncias sem grande consumo de combustível. Certamente Elvis ao comprá-la pensava em utilizar a moto para suas turnês, pelo menos quando se deslocava a cidades próximas a Memphis. A ideia não era do agrado de Gladys, sua mãe, que definitivamente odiava motocicletas pois tinha medo de que seu filho viesse a se acidentar. De qualquer modo Elvis ficou por longo período com a Harley 165. Muitas vezes gostava de viajar com ela ao lado do carro de sua banda, já que Elvis adorava a experiência de ir de cidade em cidade pilotando sua possante Harley-Davidson. Assim ele poderia facilmente se imaginar na pele de seus ídolos James Dean e Marlon Brando. Imagine você numa cidade do interior dos EUA na década de 50 vendo Elvis Presley montado em uma Harley para fazer um show em sua cidade natal. Nada mal não é mesmo?

Depois dessa moto que Elvis particularmente tinha grande carinho por ser a primeira e a mais rodada, ele resolveu comprar uma nova motocicleta para comemorar o sucesso consolidado de seus discos, shows e filmes. Essa era uma muito mais moderna, uma Harley-Davidson modelo FLH ano 1957, em tamanho Jumbo, alimentada por um potente motor. A FLH era considerada uma sensação na época.

Forte e espaçosa poderia levar um acompanhante com todo o conforto pois seu banco traseiro era estufado e muito confortável. Era a moto preferida de Elvis para passear com suas namoradas. Ao acelerar a máquina fazia um barulho peculiar que era impossível ignorar. Elvis novamente teve problemas com ela, porque sua mãe Gadys a achava muito barulhenta e fumacenta. Essa é a moto que aparece na capa de um dos LPs de Elvis na década de 80, Elvis Rocker. Um ícone de sua carreira na década de 50.

Outra moto que foi uma de suas favoritas foi uma Harley-Davidson modelo Ironhead OHV Sportster 1957. Com silhueta aerodinâmica essa era uma moto de velocidade acima de tudo. O modelo era usado nas corridas que gostava de promover com amigos. Foi com ela que Elvis acabou batendo seus recordes de velocidade.

Ao longo da vida Elvis nunca deixaria de comprar muitas motos. Mal saía um modelo novo que lhe interessasse e ele logo se apressava para comprar. Também gostava de modelos exóticos, com duas rodas traseiras. Outra característica de seu gosto pessoal era a preferência por modelos robustos, ostensivos. Por essa razão não gostava das marcas japonesas como a Honda pois as achava compactas demais. Curiosamente em um de seus filmes, "Carrossel de Emoções", Elvis teve que andar em marcas fabricadas no Japão (Made in Japan).

Andar de moto para ele era sempre um prazer renovado. O cantor nunca deixou o hábito de andar de motocicleta. Mesmo na década de 70, quando já estava quarentão, Elvis não dispensava um passeio pelas redondezas de Graceland. Não era raro ele surpreender os fãs ao sair da mansão pilotando um novo modelo. Era acima de tudo uma paixão antiga que jamais o abandonou.Também nos anos 70 Elvis conseguiu desfrutar de uma certa tranquilidade nesses passeios. Nos anos 50 e 60 ele sempre era perseguido por fãs, admiradores, curiosos e paparazzis quando resolvia fazer seus passeios. Já nos anos 70 lhe deixavam mais em paz. Os próprios moradores de Memphis já não o importunavam mais quando andava pelas ruas da cidade. Sabiam respeitar sua privacidade. Deixá-lo em paz. Elvis adorava quando isso acontecia. Ser um superstar todos os dias, sempre, era algo cansativo. Algumas vezes ele queria ser apenas uma pessoa comum, andando com suas motos. Assim Elvis conseguia, mesmo em raros momentos, desfrutar um pouco de suas máquinas possantes.

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - Discografia Brasileira 1957

Elvis Presley - Discografia Brasileira 1957
1957 foi um ano ridículo para os fãs brasileiros de Elvis Presley. Imagine ser fã do cantor mais famoso do mundo e não ter acesso ao que ele está lançando nos EUA. É justamente isso que aconteceu aqui no Brasil no ano de 1957. A impressão que se passa é de que a filial da RCA em nosso país simplesmente não acreditava em Elvis como potencial de vendas. Só isso justifica o fato de não ter sido lançado nenhum álbum do cantor daquele ano no Brasil.

É óbvio que o Brasil era muito atrasado em tudo (continua sendo), mas é complicado entender porque os álbuns “Loving You”, “Elvis Christmas Album” e a trilha de “Jailhouse Rock” completa não chegou aos fãs da época. O único “lançamento” em álbum daquele ano foi “Elvis” que foi lançado no ano anterior nos EUA. Pelo menos a edição nacional seguiu os passos da americana. Para se ter uma idéia do atraso o “Elvis Christmas Album” só chegou no mercado nacional quatro anos depois, com outra capa.

Na realidade os fãs nacionais consumiram em 1957 o que havia sido lançado um ano antes, em 1956, nos EUA. Ao invés de colocar os últimos lançamentos nas lojas a RCA Brasil lançou vários compactos duplos do primeiro disco americano de Elvis e a trilha sonora em compacto duplo de “Love Me Tender”. Em relação a esses compactos duplos outra peculiaridade é que eles trouxeram uma seleção de músicas diferentes das edições americanas. Fora isso nada de novo. A salvação veio nos singles que foram lançados por aqui com relativa rapidez, seguindo fielmente as edições americanas – menos nas capas pois nem todos seguiram a direção de arte original.

Assim foram lançados cinco compactos, todos em 78 ou 45 RPM. A maior curiosidade nesse pacote foi o single “Don´t Leave Me Now / Baby I Don´t Care”, praticamente único no mundo, sem qualquer semelhança com a discografia norte-americana. Foi a forma encontrada pela RCA daqui de disponibilizar aos fãs o restante da trilha sonora de “Jailhouse Rock” que não foi lançada de forma completa como aconteceu nos EUA  (onde ganhou bela edição com todas as canções do filme no formato EP – Compacto Duplo).  Enfim, a discografia brasileira seguia aos trancos e barrancos, com atrasos, omissões e falhas, muitas falhas. Segue abaixo a relação de todos os itens lançados no Brasil em 1957:

Álbum:
Elvis
(Rip it Up / Love me / When my blue Moon Turns to Gold Again / Paralyzed / So Glad You're Mine / Old Sheep / Ready Teddy / Anyplace is Paradise / Long Tall Sally / First in Line / How do you Think I fell / How's The World Treating You)

Compactos Simples (Singles):
Too Much / Playing for Keeps
All Shook Up / That's When Your Heartaches Begin
Teddy Bear / Loving You
Jailhouse Rock / Treat Me Nice
Don´t Leave Me Now / Baby I Don´t Care

Compactos Duplos (EPs):
Elvis Presley
(Blue Suede Shoes / I Got a Woman / One-Sided Love Affair / I'm Counting On You)
Elvis Presley
(I Got a Woman / Tutti Frutti / One-Sided Love Affair / Trying to Get You)
Elvis
(Rip It Up / Love Me / Long Tall Sally / So Glad You-re Mine)
Love Me Tender
(Love Me Tender / Let Me / Poor Boy / We´re Gonna Move)

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Elvis Presley - Ed Sullivan Show, 1957

Logo no começo de 1957 Elvis teve que cumprir uma série de compromissos. Anos depois ele diria ao Coronel Parker que não mais assinasse contratos em que ele tivesse que trabalhar no período que ia do Natal até seu aniversário no dia 8 de janeiro. Elvis queria esse tempo para descansar, para curtir um pouco, afinal ele era apenas um jovem como qualquer outro. Isso porém não ocorreu em 1957 e assim Elvis teve que interromper suas rápidas férias para cair na estrada novamente, gravar novas músicas e participar do último programa de TV com Ed Sullivan. No dia 4 de janeiro Elvis teve que cumprir suas obrigações com o serviço militar que se avizinhava.

Ele foi até o Hospital dos Veteranos para o exame médico. Foi classificado como apto ao serviço militar. A notícia não passou despercebida pela grande imprensa. Muitos afirmaram que ele seria dispensado para no máximo entreter as tropas. Algo que muitos artistas fizeram durante a II Guerra Mundial. A reação foi imediata. Medalhões e veteranos protestaram e foram às rádios para dizer que Elvis Presley, independente de sua fama e sucesso, deveria prestar suas obrigações com o país como qualquer outro jovem de sua idade. Isso pegou Elvis e o Coronel Parker de surpresa pois eles nunca tinham se manifestado sobre Elvis ir ou não para o exército americano. Nem mexeram pauzinhos para algum figurão liberar Elvis da farda. Essa reação negativa foi mais fruto do sensacionalismo da imprensa americana do que qualquer outra coisa. Mas como Elvis não iria de imediato para o serviço militar regular (se fosse chamado só prestaria serviço efetivo no ano seguinte), o assunto foi deixado de lado e ele seguiu em frente com sua carreira.

Dois dias depois desse exame Elvis chegou em Nova Iorque para sua última apresentação no Ed Sullivan show do canal CBS. Ao lado da banda decidiu incluir grandes sucessos como Love Me Tender, Heartbreak Hotel, Don´t Be Cruel e Hound Dog ao lado das menos famosas When My Blue Moon Turns To Gold Again e Peace In The Valley. Essa última música era um gospel que o cantor adorava e que ele pretendia gravar em breve no estúdio. Por fim ainda arranjaram espaço para encaixar Too Much, seu último single nas lojas. Nos bastidores Elvis surgiu bem mais relaxado do que das outras ocasiões.

Ela já tinha seu nome consolidado e não era apenas um novato tentando impressionar como em 1956. Para Ed Sullivan era mais uma ótima oportunidade de elevar sua audiência às alturas. Ninguém tinha ainda esquecido os números das últimas aparições de Presley em seu programa. Houve uma tentativa por parte da CBS em assinar com Elvis a realização de mais seis aparições do cantor no programa mas o Coronel Parker não demonstrou mais nenhum interesse. O velho empresário estava de olho no cinema. A TV havia se tornado um veículo muito acanhado para seus planos. Há poucos dias Elvis havia assinado com Hal Wallis, o famoso produtor de Hollywood, a realização de um novo filme na Paramount, um dos estúdios de ponta da capital do cinema. Wallis tinha grandes planos para Elvis. O Coronel também explicou sua nova filosofia para Presley: “Daqui em diante quem quiser ver você de novo que pague um ingresso de cinema”. Elvis achou ótima a idéia. Ele queria se tornar ator de cinema pois a carreira de cantor não lhe trazia muita segurança em relação ao seu futuro. Além disso ele tinha mostrado jeito para a coisa em “Love Me Tender”.

No final do programa o apresentador Ed Sullivan resolveu falar algumas palavras de apoio a Presley. O chamou de um "jovem decente" e defendeu o artista contra os que o acusavam de incentivar a delinquência juvenil. Novamente a apresentação foi campeã em audiência mostrando a força do nome Elvis Presley no mundo do entretenimento. Depois da transmissão do programa, que foi um grande sucesso, Elvis caiu na estrada novamente. As turnês eram cansativas e em alguns shows coisas inusitadas aconteceram. Em um concerto na Pennsylvania Sports Arena, bem no meio de sua apresentação alguém jogou um ovo nele que pegou seu violão em cheio, bem no alvo. Ele tentou levar na esportiva. Enquanto a casca do ovo e sua gema deslizavam pela tampa do violão, Elvis resolveu parar a música. Após fazer uma careta disse: “A maioria das pessoas que estão aqui vieram para apreciar o show. O cara que jogou o ovo nunca vai conseguir isso. O que eu quero dizer é que queremos fazer uma apresentação legal para vocês, acima de tudo”. Os engraçadinhos que jogaram o ovo foram presos pela polícia. Eram alguns valentões que afirmaram na delegacia que não gostavam de Elvis e nem de sua música. O fato logo foi esquecido e Elvis partiu em viagem novamente. Afinal eram ossos do ofício. Seu próximo compromisso era com a RCA. A gravadora queria novas músicas o mais rápido possível pois a “lata estava vazia” – tudo o que Elvis havia gravado já tinha sido lançado no mercado. Novos sucessos viriam por aí e os fãs não perderiam por esperar.

Pablo Aluísio